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Correio da Manhã

Desporto
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Eduardo foi o piloto de novo despiste

Mais um recorde para Queiroz: após seis vitórias (quatro em jogos oficiais) e dois empates, Portugal perdeu pela primeira vez com a Noruega e já está a cinco pontos do primeiro lugar do grupo de apuramento. Desta vez, o piloto do previsível despiste foi o guarda-redes Eduardo, com um erro de amador, perdendo a bola numa tentativa de drible ao muito experiente Carew.
8 de Setembro de 2010 às 00:30
Raul Meireles tenta travar sem êxito o autor do golo nórdico Huseklepp
Raul Meireles tenta travar sem êxito o autor do golo nórdico Huseklepp FOTO: Erlend Aas/Epa

Agostinho Oliveira, Carlos Queiroz, os dois juntos ou nem um nem o outro, alguém pouco inspirado decidiu as mudanças substanciais na estrutura, com o afastamento de Miguel e uma espécie de reforço do meio-campo, com a entrada de Tiago - mais uma vez deixando João Moutinho de fora. Se contra Chipre, Portugal alinhou com dois médios sem rotinas nem ritmo de competição, ontem homogeneizou esta absurda solução com mais uma estreia: três médios, voluntariosos, mas irregulares e pouco agressivos, que praticamente não tinham ainda jogado esta época.

Os erros de posicionamento, as perdas de bola e a ausência total de pressão deram à Noruega o espaço e a tranquilidade de que precisava, depois de um pequeno sobressalto inicial, quando Meireles se isolou na área, falhando a conclusão.

Praticamente sem atacar nem fazer qualquer remate à baliza, preocupando apenas em lançamentos laterais que abanavam toda a estrutura defensiva nacional, os nórdicos ainda foram obsequiados com um golo, ridículo, nada profissional e característico da falta de concentração. Eduardo quis fintar Carew dentro da área e Huseklepp fez o golo mais fácil da carreira.

A 2ª parte de Portugal foi melhor, sobretudo pelo esforço, mas as dificuldades colectivas eram indisfarçáveis. Algumas situações, incluindo a jogada em que Hugo Almeida, deslocado, conseguiu bater Knudsen, sacudiram a má impressão deixada no primeiro tempo e até iludiram Agostinho, que atrasou em demasia as substituições, levando à letra a ideia de deixar a equipa a jogar em modo automático, sem liderança.

E FOI EDUARDO A APAGAR A LUZ

Eduardo - Triste ironia: o jogador que, no Mundial, mais fez por manter a Selecção à tona, atenuando-lhe as carências, foi, desta vez, o responsável pelo seu mergulho na escuridão. Um golo caricato, num jogo sem pretextos para redenção.

Sílvio - Não acusou o peso da estreia: com uma exibição sólida e competente, candidatou-se a dono do lugar para os próximos tempos.

Ricardo Carvalho - Teve um erro invulgar (51') que ia originando o 2-0. Depois voltou ao normal, com dois cortes salvadores.

Bruno Alves - Mais próximo do seu valor habitual, depois da noite negra de Guimarães. Equilibrou o saldo no jogo aéreo e saiu com a folha limpa.

Miguel Veloso - Huseklepp era o mais dinâmico dos noruegueses e aparecia pelo seu lado. Talvez por isso, foi algo tímido no apoio aos extremos.

Manuel Fernandes - Melhor do que com Chipre, ao passar a referência defensiva bem definida. Dois remates perigosos, nas raras ocasiões em que subiu.

Tiago - Começou com um grande passe a isolar Meireles, mas a partir do golo não criou rupturas.

Raul Meireles - Uma ocasião clara, de início, mas o tiro saiu por cima. Depois, com a equipa a ter de anular o prejuízo, nunca voltou a sentir-se confortável no jogo.

Nani - Apesar da dupla marcação, ainda conseguiu um número apreciável de desequilíbrios e cruzamentos. Era difícil encontrar Hugo Almeida entre tantos pinheiros...

Hugo Almeida - Útil no apoio à defesa, não deu tréguas nos duelos e até pôs Waehler fora de combate. Não teve como dar linhas de passe, tal a solidão durante 82 minutos.

Quaresma - Como Nani, também teve honras de dupla marcação. Mas, depois de uma primeira parte enérgica, perdeu lucidez e eficácia.

Danny- Um bom passe a lançar Hugo Almeida e um tiro por cima. Entrou tarde de mais.

Liedson- Só 8 minutos em campo?!

"TEMOS FUTURO COM ESTA EQUIPA"

"Perdemos de modo bastante infeliz. Tivemos praticamente o controlo do jogo todo, tirando o início com os lançamentos da Noruega. Se não conseguimos fazer um golo, e a Noruega fez um como fez, não há mais nada a dizer", disse o seleccionador interino, Agostinho Oliveira. O técnico destacou ainda a atitude "extraordinária" dos jogadores": "Deram a entender que temos futuro com esta equipa."

FICHA DE JOGO

Apuramento - Europeu de 2012

Estádio Ullevaal - Assistência: 24 535

NORUEGA: Knudsen, Hogli, Waehler (Demidou 28'), Hangeland, Ruud, Grindheim (Jensen 86'), Huseklepp, Bjorn Riise, Hauger, Pedersen, Carew (Abdellaoue 38').

Treinador: Egil Olsen

PORTUGAL: Eduardo, Sílvio, Ricardo Carvalho, Bruno Alves, Miguel Veloso, Raul Meireles, Manuel Fernandes, Tiago (Danny 72'), Nani, Quaresma (Liedson 83'), Hugo Almeida.

Treinador: Agostinho Oliveira

Golos: 1-0 Huseklepp (20')

Árbitro: Laurent Duhamel (França) 5

Disciplina: amarelos: Raul Meireles (60'), Bjorn Riise (65'), Hugo Almeida (90 1')

Classificação do jogo 6

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