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Correio da Manhã

Desporto

Empate em longo bocejo

Um empate fora na Liga dos Campeões pode não ser, em abstracto, um mau resultado, mas este, do Benfica em Copenhaga, frente a uma equipa mediana e que tem como principal arma de ataque os lançamentos longos de linha lateral, não pode se não deixar um gosto amargo a frustração. E no entanto o Benfica jogou tão pouco que o empate se aceita.
14 de Setembro de 2006 às 00:00
A equipa portuguesa só equilibrou as operações já em cima do intervalo, quando Gronkjaer, o único jogador contrário com alguma classe, se lesionou de forma irremediável. Até esse lance, aos 36’, os dinamarqueses mandaram no jogo, tiveram a posse de bola e algumas oportunidades de remate que a manifesta falta de qualidade dos executantes fizeram gorar.
Fernando Santos operou várias mudanças relativamente à equipa que claudicou no Bessa. Alcides voltou ao lado direito da defesa, Ricardo Rocha ganhou o lugar a Anderson, Paulo Jorge regressou à titularidade na ala direita, Simão estreou-se na ala esquerda. E Nuno Assis substituiu o lesionado Rui Costa, no apoio central a Nuno Gomes.
Mudaram os jogadores mas a falta de dinâmica continuou elevada.
Na primeira parte, o Benfica tentou, a partir dos 15’, recuperar bolas em pressão alta, mas a equipa não funciona como um todo e ficavam sempre várias opções de passe ao dispor do adversário pressionado. Por outro lado, Petit optava sempre por lançamentos longos que invariavelmente terminavam com mais uma posse de bola para os adversários.
Petit a tentar passes à Rui Costa foi problema que o Benfica corrigiu ao intervalo. O médio veio mais seguro no passe e a equipa passou a ter o domínio do jogo.
Mas o enorme bocejo da falta de soluções atacantes prolongou-se por todo o tempo. Nuno Gomes quase não existiu e, no entanto, só aos 90’ foi substituído por Fonseca. Simão está longe da forma mínima exigível, mas foi deixado em campo até aos 81’, quando entrou Manú.
Fernando Santos estaria satisfeito com aquele empate baço? Assim deixou transparecer com o arrastar do momento para as substituições. Só aos 75’ o Benfica criou um momento de golo iminente. Paulo Jorge, na zona central, dribla um defesa e remata com o pé esquerdo ao poste.
Junto à área, o Benfica continuou a deixar espaço para alguns remates mas a falta de pontaria dos incipientes dinamarqueses levou-os a falhar a baliza, aos 55’, por Silberbauer, e aos 86’, através de Kvist.
O Benfica continua titubeante e descrente. O regresso de Simão é motivo para maior esperança no futuro mas o jogo colectivo precisa de ser trabalhado quer na mecanização dos movimentos para recuperação da posse de bola, quer na dinâmica necessária para uma partida rápida da equipa para o ataque. Ontem, os poucos contra-ataques deparavam-se com um deserto de opções a Nuno Gomes, perto da área contrária.
MOMENTOS DO JOGO
Minuto 36: Médio dinamarquês Jasper Gronkjaer lesiona-se sozinho, altura em que o Benfica começa a equilibrar a partida.
Minuto 75: Excelente jogada individual de Paulo Jorge que culmina num remate forte ao poste da baliza de Christiansen.
POSITIVO: RICARDO ROCHA MAIS MADURO
Tradicionalmente excessivo e com momentos de descontrolo nervoso que comprometem a sua performance e a da equipa, Ricardo Rocha aparece esta época mais maduro – será para durar? –, com bom tempo de entrada aos lances, sem faltas desnecessárias, mais concentrado e com uma já aceitável qualidade de passe. É uma boa muleta para Luisão e pode ser também opção para a esquerda quando Nélson alinha na direita.
NEGATIVO: NUNO GOMES JOGOU?
Esteve totalmente ausente do jogo durante os longos 90’ em que se manteve em campo. Claro que o problema não residiu apenas nele. Para o caso do ponta-de-lança contribuiu e muito a incapacidade do Benfica em ligar lances até à proximidade da área contrária. Mas quando isso aconteceu, Nuno Gomes ficou sempre ‘nas covas’, deixando-se antecipar com demasiada facilidade. Uma noite para esquecer.
"EQUIPA REAGIU MUITO BEM À DERROTA DO ÚLTIMO JOGO
Fernando Santos deixou passar a ideia, no final do jogo, de que o Benfica poderia ter saído de Copenhaga com os três pontos. Lamentou o facto de os jogadores terem recuado na parte final do encontro, quando o adversário parecia estar encostado às cordas e apontou alguns erros. “Por mais que eu tivesse insistido para dentro do campo para a equipa subir, na verdade alguns jogadores começaram a trocar a bola, na parte final. Acho que podíamos ter continuado a fazer o que tínhamos feito durante quase toda a segunda parte, no sentido de chegar à vitória.”
O técnico do Benfica prosseguiu: “Estamos de parabéns pois a equipa reagiu muito bem à derrota do último jogo no Bessa. Houve desta vez grande concentração competitiva. Notou-se aqui e ali alguma dificuldade em garantir a posse de bola, mas isso é normal. Só melhora com os jogos”. Mais em detalhe, explicou depois: “Melhorámos em alguns aspectos mas em termos de organização de jogo no ataque falhámos em diversos momentos. Tivemos uma boa oportunidade para marcar mas devíamos ter trocado melhor a bola. Neste aspecto, de facto, há que melhorar. Eu costumo dizer que os aspectos ofensivos do jogo são os que custam mais a consolidar.”
A longa paragem da equipa, neste início de época, foi igualmente dissecada: “Isto não serve de desculpa mas é uma realidade: a equipa esteve muito tempo parada. O facto de não termos feito o jogo da primeira jornada com o Belenenses foi para nós muito mau. A equipa estava bem, vinha de uma vitória por 3-0, um resultado moralizador e com condições para fazer um bom jogo e a seguir e parou. Essa paragem deixou marcas.”
Fernando Santos recusou depois dizer se o empate é um bom resultado: “Dizer se o empate é um bom resultado ou um mau resultado depende do que os outros adversários fizerem aqui. Copenhaga será difícil também para as outras equipas, não é fácil jogar neste campo. Só nas contas finais veremos se este foi ou não um bom resultado. Um ponto foi conquistado e isto é uma certeza.”
Petit falou de dificuldades: “O Copenhaga provou ser uma equipa muito complicada. Joga no erro do adversário, fecha-se muito bem atrás e joga bem pelo ar. Os dois centrais sobem muito e criam dificuldades. Não tivemos um caudal muito ofensivo, mas o Paulo Jorge teve uma boa oportunidade para matar o jogo. A dez minutos do fim vimos que não dava para ganhar e segurámos o empate, que é um resultado menos mau. Estamos de parabéns pois trabalhámos bem depois de uma derrota pesada.”
ITALIANOS QUERM VER CONTRATO DE MICOLLI
As autoridades italianas que estão a investigar o processo de corrupção no futebol conhecido como calciocaos poderão deslocar-se a Portugal para analisar o contrato de empréstimo do avançado Miccoli, estabelecido entre a Juventus e o Benfica.
O caso não é novo e foi ventilado passados alguns dias da eclosão do escândalo, mas o aprofundar as investigações conduziu à descoberta de novas pistas que indiciam fraude, suspeitando-se de mais de quatro dezenas de contratos, entre eles o de Miccoli. As autoridades querem comparar os documentos descobertos na sede da ‘Juve’ com os que estão na Luz. A venda de Zidane ao Real Madrid também está sob suspeita.
MANCHESTER DÁ A VOLTA E VENCE CELTIC
Apesar das dificuldades o Manchester United venceu o Celtic por 3-2, na estreia das duas equipas do Grupo B ao qual pertence o Benfica. Alex Ferguson já tinha alertado para os problemas na partida de estreia, não só pela ausência de Ronaldo – devido a castigo – mas também pelas habituais dificuldades que a formação escocesa cria aos ‘Red Devils’. O Celtic inaugurou o marcador aos 21’ por intermédio do holandês Hesselink, que esteve muito perto de ingressar no FC Porto.
Ainda antes do intervalo o avançado francês Saha bisou e colocou o Man. United em vantagem. A dois minutos dos 45 Nakamura igualou num livre directo. No reatamento, o norueguês Solskjkaer – que tinha entrado no primeiro tempo para o lugar de Giggs – aproveitou da melhor maneira uma defesa incompleta de Boruc, para colocar o United em vantagem. Até final do encontro o Celtic foi incapaz de ultrapassar a bem escalonada defesa inglesa.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio Parken (Copenhaga), 41500 espectadores
Árbitro: Iouri Baskakov (Rússia)
FC COPENHAGA: Christiansen, Jacobsen, Hangeland, Gravgaard, Bergdolmo, Silberbauer, Norregaard, Linderoth, Hutchinson, Gronkjaer (Kvist, 44m) e Berglund (Pimpong, 74m)
Treinador: Stale Solbakken.
BENFICA: Quim, Alcides, Luisão, Ricardo Rocha, Léo, Katsouranis, Petit, Paulo Jorge, Nuno Assis, Simão (Manú, 81m) e Nuno Gomes (Fonseca, 89m).
Treinador: Fernando Santos.
Acção disciplinar: Amarelos - Alcides (32m) e Norregaard (45m)
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