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Correio da Manhã

Desporto

Empresário envolvido em escândalo de corrupção confirma suborno nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

Arthur Soares Filho confirmou o pagamento para delegados africanos, em 2016.
Lusa 28 de Outubro de 2019 às 18:18
Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro
Tocha olímpica
Rio de Janeiro
Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro
Tocha olímpica
Rio de Janeiro
Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro
Tocha olímpica
Rio de Janeiro
O empresário brasileiro Arthur Soares Filho, envolvido num escândalo de corrupção nos Jogos Olímpicos de 2016, confirmou o pagamento de subornos para delegados africanos escolherem o Rio de Janeiro para acolher o evento, noticiou esta segunda-feira O Globo.

O jornal brasileiro revelou que o empresário confessou o pagamento de subornos num acordo de colaboração premiada (confissão da prática de um crime em troca da redução da pena) que está a decorrer na justiça norte-americana.

Com mandado de prisão em aberto no Brasil, desde 2017, o empresário conhecido como 'rei Arthur' foi detido na sexta-feira em Miami, ao tentar renovar o seu passaporte.

Arthur Soares estava foragido desde 2017 e constava da lista de procurados da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).

A detenção em território norte-americano, levada a cabo pelo Departamento de Imigração dos Estados Unidos da América (EUA), aconteceu porque, para além de o seu nome constar na lista de procurados da Interpol, faltavam também a Arthur Soares documentos para a renovação do visto.

Contudo, a defesa do empresário acabou por entregar todos os documentos exigidos para a renovação do visto e o Departamento de Imigração dos Estados Unidos acabou por libertá-lo.

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral afirmou em julho, em tribunal, que comprou, por dois milhões de dólares (1,81 milhões de euros), votos para levar os Jogos Olímpicos para aquele estado brasileiro.

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal, responsável pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, o ex-governador declarou que comprou votos de delegados do Comité Olímpico Internacional em 2009, para garantir que o seu estado fosse sede da competição olímpica de 2016.

O interrogatório foi um pedido da defesa do ex-governador, que pretende colaborar com as investigações da Operação Unfairplay, um desenvolvimento da Operação Lava Jato.

A Operação UnfairPlay está a cargo da Polícia Federal brasileira, em conjunto com o Ministério Público Federal, que investiga a compra de votos para eleger o Rio de Janeiro como cidade olímpica, no âmbito da qual foi detido, no dia 5 de outubro de 2017, o presidente do Comité Olímpico Brasileiro (COB) e do Comité Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman.

Neste processo, além de Cabral, também Nuzman e o empresário Arthur Soares Filho foram acusados de corrupção devido à suspeita de compra de votos.

Durante os dois mandatos de Cabral à frente do Governo do Rio de Janeiro, Arthur Soares chegou a ter três mil milhões de reais (675 milhões de euros) em contratos com aquele executivo estadual.
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