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Correio da Manhã

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Encontrei uma situação caótica

Três semanas após ter sido eleito presidente do V. Setúbal, Jorge Santana recebeu o CM no seu atelier com vista para o Sado, rio que promete voltar a atravessar a nado se vencer a Taça. Por entre elogios a Mourinho, falou do sonho de construir um novo estádio e do desejo de mudar o emblema do clube.
18 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Profissionalmente o arquitecto Jorge Santana define-se como 'um projectista na área dos campos de golfe'
Profissionalmente o arquitecto Jorge Santana define-se como 'um projectista na área dos campos de golfe' FOTO: Rui Minderico, Record
Correio da Manhã – Em três semanas à frente do V. Setúbal, qual a situação que mais o incomodou?
Jorge Santana – O constatar de que há uma desorganização muito grande. A situação caótica surpreendeu-me. Deparei-me com uma realidade que as últimas direcções não tiveram a coragem de enfrentar.
– A verba com que pagou esta semana os salários de Dezembro vem da anterior gestão? É um adiantamento da Olivedesportos?
– Não quero adiantar muito sobre isso. É uma verba que já estava a ser negociada pela direcção anterior mas que foi resolvida na nossa gestão. Não tem nada que ver com a Olivedesportos.
– Acredita que é viável construir um novo estádio no Bonfim?
– Apesar de ser um processo complicado, as coisas estão a ultrapassar as minhas expectativas. Acredito que o projecto é concretizável.
– Porquê o compromisso de nenhum elemento da sua lista ser remunerado?
– Porque esta é uma missão de vitorianismo e de cidadania setubalense. A nossa compensação é conseguirmos colocar o Vitória num caminho de futuro.
– José Mourinho é o sócio mais famoso do Vitória. Alguma vez esteve com ele?
– Mourinho é o grande génio do futebol mundial. Se estiver disponível para ajudar o Vitória ficaremos encantados. Penso que falei apenas uma vez com ele. A minha irmã foi explicadora de matemática dele e a minha mãe, tal como a mãe de José Mourinho, foi professora primária. Pessoalmente não temos ligação.
– O actual momento da equipa – um triunfo em oito jogos na Liga – preocupa-o?
– Preocupa-me, mas também tenho consciência de que a equipa conseguiu ir buscar forças, não sei bem onde, durante um período difícil. Perante as dificuldades, as pessoas redobram os esforços. Depois de ultrapassadas, essa factura paga-se e é isso que está a acontecer. Mas, à excepção do jogo com o Gil, a equipa tem tido uma atitude normal e o momento vai ser superado.
– Hélio Sousa será o treinador do Vitória até ao fim da temporada?
– Espero bem que sim e que depois disso continue durante dez anos.
– Mas se os resultados não aparecerem...
– Os resultados contam muito. No dia-a-dia vamo-nos deparando com as situações e vamos ter que as resolver. E não posso dizer que se perdermos os jogos todos o treinador continua, mas isso nem só o treinador.
– Já contactou Norton de Matos? Vai tentar resolver a bem o diferendo entre o treinador e o clube?
– Quando fui eleito enviou-me uma mensagem de parabéns. Prefiro resolver tudo a bem, porque o litígio não interessa a ninguém.
– Depois de ter atravessado o Sado a nado para celebrar a conquista da Taça, o que tenciona fazer se o clube repetir a vitória?
– Já disse um disparate a esse respeito. Disse que ia a Tróia e voltava para Setúbal. Se calhar vou ter que tentar fazer isso, mas desta vez com fato de mergulho.
– Durante anos o Vitória teve uma relação privilegiada com o FC Porto e mais recentemente com o Benfica. E agora?
– Não prevejo nenhuma aproximação com ninguém. Apenas as que interessam ao clube.
– Tem conversado com Chumbita Nunes?
– Pouco. Mas ele tem-se mostrado disponível para esclarecimentos.
SÍMBOLO DO CLUBE VAI MUDAR
CM – Já fez um esboço do novo estádio?
J.S.– Sim, às vezes por brincadeira faço-o em papéis de restaurante. Também já fiz um esboço de um novo logótipo do Vitória. Estamos a pensar mudá-lo e modernizar a imagem do clube. Vai haver resistência à mudança, mas penso que os sócios vão estar receptivos à modernidade. A roda da bicicleta já não faz grande sentido. Os elementos fortes do logótipo do Vitória são o escudo original e os três castelos. Gostava também que o nome ‘Vitória’ tivesse um relevo especial porque é muito forte para todos nós. O Vitória é o Vitória e não o Setúbal.
– Que modelo de estádio defende?
– Um estádio com cerca de 15 mil lugares, só com duas bancadas centrais para aproveitar os terrenos sobrantes. Tem que ser mais compacto. O trabalho feito no Bessa é um exemplo a seguir.
PERFIL
Natural de Setúbal, Jorge Santana da Silva, 49 anos, exerce a profissão de arquitecto. Define-se como “um projectista na área dos campos de golfe, que tem como principal finalidade ver obra feita”. Formado na Escola de Arquitectura de Golfe Robert Trent Jones, nos Estados Unidos da América, foi o responsável pelo desenho de inúmeros campos de golfe nacionais, tais como Montado, Marvão, Amarante e, mais recentemente Palmela Village.
O antigo administrador da SAD do Vitória de Setúbal presidida por Chumbita Nunes abandonou em Setembro o cargo que ocupava. Sócio n.º 7484 do emblema sadino, foi o primeiro elemento do elenco directivo a apresentar o pedido de demissão, alegando “divergências” com a gestão do ainda presidente da colectividade.
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