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Correio da Manhã

Desporto
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Entre o rating AA e o lixo

Número de internacionais aumentou entre as aquisições de Rui Costa, que ainda contemplam muitos jogadores sem futuro na equipa

16 de Julho de 2011 às 00:00
Em quatro temporadas, o director  desportivo Rui Costa já ultrapassou os 110 milhões em aquisições
Em quatro temporadas, o director desportivo Rui Costa já ultrapassou os 110 milhões em aquisições FOTO: Vítor Mota

Se a análise aos jogadores que o Benfica tem adquirido desde que Rui Costa passou para o escritório fosse realizada pelos critérios das famigeradas agências de rating, não faltariam desvalorizações para o nível de «lixo» em contraste com as classificações AA inerentes às elites com estatuto de internacional.

E no actual defeso, a par de um conjunto significativo de mais contratações sem sentido, de jogadores sem categoria, experiência ou potencial para fazerem subir os índices competitivos da equipa de Jorge Jesus, o que sobressai é o maior número de aquisições com o tal «rate» AA. Até ao momento já foram contratados cinco internacionais, três deles apontados à equipa titular, número quase igual aos adquiridos nos três anos anteriores.

Não tem sido possível ouvir explicações para a escolha de alguns jogadores que, nos próximos dias, terminarão no caixote dos dispensáveis, mas entende-se o esforço para assegurar os serviços de elementos com estatuto mais alto.

Uma análise sumária ao rendimento das últimas três épocas, duas delas já com Jorge Jesus, confirma que praticamente só os jogadores internacionais e de valor contratual mais elevado atingiram performances muito satisfatórias, classificáveis com «rating AA». Os restantes, em número muito elevado, ou ficaram aquém das expectativas ou tiveram desempenhos negativos, inadequados às pretensões do clube.

Está por explicar a aposta nas baixas qualificações, porque o treinador, pressionado pelos resultados, nunca mostrou abertura para apostas de risco. Dos não internacionais, Jesus só investiu convictamente nos espanhóis Javi Garcia e Roberto, podendo fazer o mesmo esta época com o brasileiro Bruno César.

 

INFLACÇÃO DE INTERNACIONAIS

Ao contrário dos anos anteriores, o Benfica apostou mais em internacionais, tendo contratado cinco, praticamente tantos como a meia dúzia das três temporadas anteriores. Mas é quase certo que, desta vez, não haverá lugar para todos.

EXCEPÇÃO JAVI

O espanhol Javi Garcia foi o único não internacional que conseguiu atingir o nível de rendimento mais elevado, embora sem defraudar o elevado valor da transferência e uma formação sólida nas escolas do Real Madrid e das selecções de jovens. Chegou ao Benfica com 22 anos e evidenciou a maturidade que agora se reconhece ao belga Witsel.

JOGADORES MAIS CAROS RENDEM MELHOR

A análise mostra claramente que os jogadores mais dispendiosos tiveram melhor rendimento, não obstante a excepção do guarda-redes Roberto, o mais caro das últimas quatro temporadas, depois de Óscar Cardozo que chegou em 2007, quando Rui Costa ainda jogava. No entanto, são muitos os que acabaram por redundar em enormes prejuízos pelas baixas prestações, incluindo alguns absurdamente caros, como o espanhol Balboa ou o brasileiro Kardec. A proporcionalidade evidente do rendimento expectável com o currículo e o valor da contratação recomendaria maiores cautelas quanto à aposta em jogadores destinados ao caixote dos excedentários.

PERFIL DO SUCESSO

Internacionais

Mais de 22 anos

Mais de 3 milhões

COM SELO DE GARANTIA

Axel Witsel reúne as três condições de sucesso no Benfica, ostentando uma experiência internacional invulgar, só inferior à de Aimar ou Saviola, que eram mas velhos quando chegaram.

JESUS SEM PACIÊNCIA

A longa lista de contratações desta época [no gráfico ao lado] vai contribuir para aumentar o caixote de desperdícios de Jorge Jesus. Nas duas épocas anteriores, com a excepção de Roberto, a quem tem dedicado o máximo de indulgência, o treinador encarnado mostrou-se pouco ou nada paciente com os jogadores menos qualificados, incluindo os que ele próprio exigiu, como Weldon, Éder Luís ou Júlio César. Nas últimas duas temporadas foram contratados 14 jogadores, no valor de 7,5 milhões de euros, que não chegaram a realizar 20 jogos numa época. Muitos deles foram marginalizados muito cedo e nem sequer chegaram aos 10 jogos.

A GRANDE INCÓGNITA

Bruno César preenche os requisitos de idade e de custo, mas carrega o anátema de não ser internacional. O brasileiro enfrenta uma luta difícil por um lugar num meio-campo sobrelotado de… internacionais.

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