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Correio da Manhã

Desporto

Escândalo em Espanha com jogos combinados alvo de investigação policial

Vários futebolistas foram detidos na Operação Oikos.
Mário Pereira 29 de Maio de 2019 às 09:06
Polícia espanhola junto à loja e à sede do Huesca, um dos clubes implicados num esquema de manipulação de resultados de jogos de futebol
Polícia espanhola
polícia nacional espanhola
polícia nacional espanhola
Polícia espanhola junto à loja e à sede do Huesca, um dos clubes implicados num esquema de manipulação de resultados de jogos de futebol
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polícia nacional espanhola
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Polícia espanhola junto à loja e à sede do Huesca, um dos clubes implicados num esquema de manipulação de resultados de jogos de futebol
Polícia espanhola
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Uma vasta operação policial efetuada em diversas localidades de Espanha levou esta terça-feira à detenção de onze pessoas, entre as quais alguns futebolistas de clubes das primeira e segunda divisões.

São suspeitos de terem criado uma organização para manipular resultados de jogos e garantir benefícios com apostas relacionadas com esses mesmos encontros.

Um dos detidos é Raúl Bravo, antigo jogador do Real Madrid, entre 2001 e 2007. Bravo, agora com 38 anos, seria o cabecilha do grupo.

Outros futebolistas detidos no âmbito da denominada operação Oikos são Borja Fernández, médio do Valladolid, Ínigo Lopes, defesa-central do Deportivo, e ainda Carlos Aranda, ex-jogador de diversas equipas espanholas da I Liga. Samuel Saiz, avançado do Getafe por empréstimo do Leeds, também está sob investigação mas não foi detido por se encontrar de férias com a família.

Pela manhã foram ainda levados sob detenção Agustín Lasaosa, presidente do Huesca, e Juan Carlos Lanuza, chefe dos serviços médicos deste mesmo clube que, nesta época, foi despromovido à II Liga. De tarde foram divulgados mais nomes: Emílio Vega (ex-diretor do Huesca e do Córdoba) Caballero (jogador do Fuenlabrada) e Briones (jogador do Mora) também foram detidos. Todos são suspeitos de organização criminosa, corrupção e branqueamento de capitais.

Vários jogos estão a ser investigados. Francisco Pardo, diretor-geral da polícia espanhola, não revelou quais, por razões processuais, mas sabe-se que envolvem encontros da I Liga (ver peça anexa), II Liga e Segunda B (3ª divisão).

Segundo a investigação, a rede selecionava e angariava futebolistas, aos quais pagava antecipadamente em dinheiro vivo para contribuírem para a vitória da equipa adversária.

Desta forma era ainda possível aos suspeitos apostar elevadas quantias em diversos parâmetros dos jogos de futebol, nomeadamente o resultado final, ao intervalo, número total de pontapés de cantos e outros.

Valência de Guedes em jogo suspeito
Um dos encontros que está sob investigação das autoridades espanholas é o jogo realizado pelo Valência (onde atua Gonçalo Guedes) em Valladolid, relativo à 38ª e última jornada Liga espanhola, informação revelada por fonte próxima do processo. Nessa partida, realizada a 18 deste mês, a equipa do avançado internacional português ganhou por 2-0.

O médio Borja Fernández (um dos detidos) participou nesse encontro: viu um cartão amarelo aos 26 minutos e foi substituído aos 84 minutos. Foi o seu jogo de despedida. Os golos foram marcados por Soler (36’) e Rodrigo (52’). A vitória do Valência permitiu ao clube assegurar o 4º lugar na classificação e com isso garantir o acesso às pré-eliminatórias da Champions para a época 2019/20.

Há outros jogos sob investigação, mas as autoridades espanholas não revelaram quais são. O diretor-geral da polícia, Francisco Pardo, explicou que há dados que a serem revelados poderão afetar diligências ainda em curso.

Huesca-Nástic na base da denúncia
Na origem da operação Oikos está uma denúncia da Liga espanhola, que detetou irregularidades no Huesca-Nástic (0-1, II Liga da época 17/18). Nesse jogo houve um volume de apostas 14 vezes superior ao normal.

A partida da 40ª jornada realizou-se em maio de 2018. O Huesca já tinha assegurado a subida à I Liga, enquanto o Nástic teria de ganhar para sonhar com a permanência, o que acabou por suceder.

Segundo os media espanhóis, o volume das apostas tinha que ver com dois resultados: 0-0, ao intervalo, e vitória do Nástic, no final, por 1-0, o que se veio verificar. E foi esta situação que levantou suspeitas.

Ação levada a cabo em cinco cidades
A operação Oikos, esta terça-feira realizada pela polícia espanhola, teve diversos pontos de ação em território espanhol. Houve diligências feitas em Valladolid, Corunha, Madrid, Huesca e Málaga.

Casos em Portugal
Jogo Duplo
A operação Jogo Duplo investigou 28 pessoas, mas o Conselho de Disciplina da FPF acusou apenas quatro de viciação de resultados: os jogadores João Carela e Moedas (Oliveirense), o empresário Gonçalo Oliveira e o antigo futebolista campeão de Riad, Abel Silva. O caso remonta às épocas 2014/15 e 2015/16. Ainda decorre no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Quatro do Rio Ave
A PJ investigou quatro jogadores do Rio Ave na época de 2016/17 que terão sido pagos para perder no jogo com o Feirense, o que aconteceu (2-1). Marcelo, Cássio, Roderick Miranda e Nadjack foram constituídos arguidos.

"II Liga corrompida"
O secretário-geral da FederBet, agência que monitoriza as apostas desportivas, revelou em 2016 que a II Liga portuguesa estava "corrompida". "Pagar 3500 euros para viciar um jogo é ‘peanuts’ para um grupo que vicia jogos", disse o italiano Francesco Baranca, vincando que a II Liga "estava doente".
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