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Correio da Manhã

Desporto
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Escuta prova encontro de informador com Vieira na Luz

PJ fotografa José Silva com Paulo Gonçalves, num jogo, e telefonema mostra que, a seguir, foi levado ao presidente.
Henrique Machado e Tânia Laranjo 9 de Março de 2018 às 01:30
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Escutas telefónicas ao funcionário judicial José Augusto Silva, e as discretas ações de vigilância da Judiciária, tramaram o mesmo e Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica – foram ambos detidos – que com ele falava e se encontrava para receber informações pesquisadas no sistema informático da Justiça sobre o curso do processo dos mails e de outros, nomeadamente em que os investigados são dirigentes do Sporting e FC Porto. E numa escuta, em janeiro, há referências a um encontro entre o funcionário judicial corrompido e o presidente Luís Filipe Vieira.

Tratou-se de um encontro no Estádio da Luz, durante um jogo do Benfica. Inspetores da Unidade de Combate à Corrupção da PJ estavam lá, apurou o CM, em vigilância a José Augusto – que foi fotografado no piso 1, conhecido por anel VIP, a conversar com Paulo Gonçalves.

E, depois, o técnico de apoio informático aos tribunais, enquanto funcionário do Instituto de Gestão Financeira, foi ao encontro do presidente Vieira, algo que é percetível à investigação através de um telefonema de José Augusto – sob escuta –, e está documentado no processo.

Para já, Luís Filipe Vieira não está indiciado no caso da operação E-Toupeira por qualquer crime, mas a investigação continua. Quando Paulo Gonçalves pedia convites VIP para a Luz, destinados aos funcionários da Justiça suspeitos de terem feito pesquisas, esses mails seguiam com conhecimento do presidente – algo que a investigação não pode utilizar por ser uma prova obtida de forma ilícita.

E, por enquanto, só Gonçalves foi indiciado por corrupção ativa.

Gonçalves já esteve na Luz e vai regressar 
Paulo Gonçalves, assessor jurídico da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Benfica, passou ontem pelo seu gabinete no Estádio da Luz, depois de na véspera ter sido libertado pela juíza de instrução. Fê-lo de forma discreta e demorou-se pouco tempo nas instalações do clube. Segundo apurou o CM, o advogado suspeito de corrupção terá ido buscar alguns pertences pessoais de que necessita.

Ainda de acordo com fontes próximas, Paulo Gonçalves vai agora ficar alguns dias em casa, junto da família. Não está de forma alguma posta em causa a sua continuidade nas funções que exerce. Na próxima semana já deverá retomar as funções que dia a dia desempenha, numa ação que é vista internamente como o retomar da normalidade.

Gonçalves foi na quarta-feira presente a tribunal – após ter passado a noite anterior detido na cadeia anexa à Polícia Judiciária – mas saiu em liberdade, por volta das 22h30, indiciado por um crime de corrupção ativa e quatro de violação do segredo de justiça, em coautoria com o funcionário judicial José Silva, que ficou em prisão preventiva.

Paulo Gonçalves não ficou impedido de frequentar o Estádio da Luz.

Currículo na gaveta reforça promessa de emprego  
Paulo Gonçalves já estava indiciado por ter promovido junto dos recursos humanos do Benfica a contratação de um sobrinho de José Silva para o museu do clube – algo que o Benfica nega –, e na busca que a PJ fez na terça-feira ao gabinete do advogado na SAD encontrou numa gaveta de Gonçalves o currículo do sobrinho de Silva.

Magistrados não confiam no Citius  
A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, garantiu ontem que a plataforma informática Citius, base de dados da Justiça, tem "mecanismos de segurança que permitem a identificação de potenciais situações de utilização fraudulenta e de usurpação de identidade" – algo que funcionários judiciais fizeram ao serviço de Paulo Gonçalves, o que lhe permitiu acompanhar a investigação no caso dos mails –, mas, sabe o CM, há na Justiça quem não confie no Citius para depositar peças processuais: é o caso de magistrados do DCIAP e do juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal.
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