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Correio da Manhã

Desporto
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Escutas tramam dirigentes da Luz

São diversas escutas telefónicas feitas ao longo de meses.
30 de Maio de 2011 às 00:30
Luís Filipe Vieira lidera o clube que agora está sob intensa investigação da Polícia Judiciária
Luís Filipe Vieira lidera o clube que agora está sob intensa investigação da Polícia Judiciária FOTO: Bruno Agostinho

A maioria são conversas que envolvem homens fortes do futebol português e dirigentes do Benfica. Foram obtidas noutro processo, que está em investigação no Ministério Público, e chegaram à Polícia Judiciária em forma de certidão. Deram origem à investigação que desde o final do ano passado atinge os encarnados e dizem respeito a diversas transacções de jogadores.

Há suspeitas de comissões nas transferências e também indícios de que a valorização dos atletas foi feita de forma pouco ortodoxa. As suas inclusões no fundo criado para gerir os principais activos do clube também estão em investigação, já que a valorização dos mesmos pode esconder o crime de burla.

Uma das intercepções em causa é precisamente a que o CM já noticiou e que envolve o empresário Jorge Mendes e a sua colaboradora Bárbara Vara. O CM sabe que Mendes terá falado na compra de Roberto pelo Benfica e terá admitido que iria ajudar o clube no negócio. No entanto, a sua interferência não terá sido directa, o que fará com que não deva ser constituído arguido. Para já também ainda não há suspeitos formais no processo, já que a investigação não entrou nessa fase. A PJ suspeita de que, no caso de Roberto, o atleta não custava os 8,5 milhões que foram anunciados como sendo o custo do seu passe, mas um valor muito inferior. Ao valor real terá acrescido uma série de comissões e até o prémio ‘acordado’ com o treinador Jorge Jesus pela vitória do campeonato na época anterior.

INVESTIGAÇÃO DA PJ POR FASES

A investigação da Polícia Judiciária, sob a coordenação do Ministério Público, já tem vários meses. A primeira diligência foi a busca no final do ano passado, altura em que foram apreendidos diversos documentos. Agora, na segunda visita às instalações dos encarnados, os mandados eram claros de que a ‘visita’ só dizia respeito ao negócio de Júlio César. Por isso, foram apenas apreendidos aqueles elementos e as autoridades não levaram qualquer suporte informático do Estádio da Luz. Entretanto, no mesmo dia e para evitar fugas de informação, as autoridades fizeram também buscas ao empresário e ao advogado que participaram na mesma transacção do jogador do Belenenses para o Benfica.

O segredo da operação acabou por ser quebrado nesta segunda diligência, o que terá irritado a Polícia Judiciária, já que é expectável uma elevada exposição mediática do processo.

ADVOGADO VAI HOJE ENTREGAR DOCUMENTOS

Luís Miguel Henrique, advogado de Jorge Jesus em acções particulares, mas representante da empresa Sclube, Unipessoal, que negociou o passe de Júlio César, vai ser hoje ouvido na Polícia Judiciária.

Segundo o próprio disse em entrevista à TVI – onde jurou a inocência do treinador do Benfica – o dia para a inquirição foi combinado com os investigadores para que pudesse entregar os documentos que não tinha na sua posse no momento das buscas. Luís Miguel Henriques garantiu também que Jorge Jesus chegou a questionar se o facto de o representar na acção movida contra o Banco Privado Português não poderia ser mal interpretado, por também estar envolvido no negócio. Luís Miguel Henrique disse ainda que não houve qualquer comissão.

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