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Correio da Manhã

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Estou arrependido

Entrou nervoso na sala de audiências. Nem sequer queria falar, mas a advogada convenceu-o que só falando poderia ajudar a esclarecer o que se passou ao final da tarde de 26 de Setembro de 2004 na ‘Recta do Picanço’, em Palmela.
12 de Novembro de 2005 às 00:00
Só então Neutel Mendes se sentiu encorajado a confessar que estava arrependido de ter entrado numa corrida ilegal de automóveis, que terminou com a morte de três espectadores colhidos pelo carro que o arguido conduzia sem carta.
O jovem, de 23 anos, começou ontem a ser julgado no Tribunal de Setúbal. Para além de três crimes de homicídio voluntário, Neutel Mendes responde ainda por dois crimes de ofensa à integridade física simples, um de condução perigosa e outro de condução sem carta. Os outros dois arguidos são Carlos Manuel Fonseca (dono do carro que provocou as três mortes) e Juvenal Barros (condutor do segundo carro que participou na corrida).
Sobre os momentos que antecederam o acidente, Neutel Mendes lembra-se de tudo. Pelo menos até à altura em que viu que o carro do arguido Juvenal Barros travar a fundo, “obrigando-o” a fazer o mesmo para não embater num “grupo de 20, 30 pessoas que se encontravam na berma da estrada”. “Depois só me recordo de ter saído do carro, com as pessoas em pânico. Só então soube que tinham morrido três pessoas”, recordou Neutel Mendes.
Sobre a sua participação na corrida fatídica, que terminou com a morte de dois homens, de 15 e 24 anos, e de uma mulher de 23, Neutel Mendes garante nunca ter previsto que o desfecho “fosse tão trágico”. “Nunca pensei que pudesse pôr as pessoas em perigo. Estou arrependido, e tenho a vida estragada”, acrescentou o arguido.
A primeira sessão do julgamento terminou ao princípio da tarde. O colectivo de juízes presidido por Anabela Campos transferiu para a próxima sessão, marcada para 6 de Dezembro, a audição dos outros dois arguidos e das primeiras testemunhas de acusação.
EXAME PROVA ATRASO COGNITIVO
Graça Rodrigues, advogada de Neutel Mendes, adiantou que irá apostar na alteração das acusações deduzidas contra o seu cliente. Em vez de homicídio voluntário, a causídica pretende que o seu cliente responda por homicídio por negligência, o que prevê uma moldura penal mais leve. Um exame feito à personalidade de Neutel Mendes refere um atraso cognitivo acrescido de depressão. “Se a moldura penal o permitir, ele nem deve sequer cumprir prisão”, concluiu Graça Rodrigues.
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