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Correio da Manhã

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Eto’o a fazer de Figo – Madrid me mata!

Ferve Madrid com o clássico de todos os clássicos. Vem aí o Barcelona e vem aí Eto’o, o ingrato: “Madrid, cabrón, saluda el campeón!” disse por seis vezes o atacante camaronês na festa do título do ‘Barça’, Maio passado.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
Eto’o a fazer de Figo – Madrid me mata!
Eto’o a fazer de Figo – Madrid me mata! FOTO: Toni Garriga/ EPA
Madrid ouviu e não esqueceu. Hoje o Bernabéu vai dispensar ao antigo atleta – Eto’o jogou no Real Madrid – uma recepção estridente. Assobios, garante Helguera, que os madridistas não são de atirar cabeças de porco para o relvado. Por falar nisso, este é o primeiro Real–’Barça’ dos últimos dez anos sem Luís Figo e o jogo nem parece a mesma coisa; mas pronto, parece que Eto’o lhe tomou o lugar. Está garantida a tal dose suplementar de ‘morbo’ que sempre acompanha o duelo mítico entre o maior clube do Mundo e o maior da Catalunha. Figo também provocou o Barcelona na varanda do ‘Ayuntamento’ de Madrid quando festejou a primeira Liga com o Real, mas não se atreveu a dizer “cabrón...”; ficou-se por um “Barca, chorón, saluda el campeón” que soou a desforra – não foi bonito mas lembre-se que ele tinha recebido, em Camp Nou, a mais intensa, mais estridente e mais prolongada demonstração de hostilidade jamais vista num estádio de futebol.
Hoje é Eto’o quem vai ouvir das boas, mesmo depois de ter vindo a público pedir perdão à Casa Branca e de reconhecer que só chegou onde chegou – ao ‘Barca’ – por ter jogado no Real Madrid. O camaronês é um belo jogador mas é um tipo estranho. Fala a destempo e por vezes usa uma contundência verbal difícil de aceitar – lembro que há uns tempos, ele referiu-se a José Mourinho como se o português fosse um crápula, um homem desprezível, coisa que, por exemplo, Figo nunca fez relativamente a Wanderlei Luxemburgo, o treinador que o passou de indiscutível a suplente.
Quanto ao jogo, o ‘Barça’ tem a vantagem de ser uma equipa organizada e estruturada: é um onze solidário liderado por um fora-de-série (Ronaldinho) e recheado de grandes executantes; ao contrário do Real, que nunca mais teve uma equipa desde que estupidamente despediu o cordato – mas competente – Del Bosque. O problema que assusta Rijkaard é que as individualidades ofensivas do Real (Ronaldo, Robinho, Zidane, Júlio Baptista, Raúl....) são tão boas que a equipa pode, num ápice, inverter o sentido e até a justiça de um jogo sem ter feito grande coisa por isso. Para a generalidade da crítica o Barcelona joga mais e melhor, mas o Real, como lembrou Camacho, marca golos com uma facilidade incrível. Na época passada o clássico terminou 4-2 para os merengues e foi um grande espectáculo. Não me admirava que houvesse à mesma seis golos.
Real Madrid - Barcelona, Hoje, 19h00, Sport TV, Directo.
HIDDINK COMPETENTE
Sempre admirei o holandês Guus Hiddink, 59 anos, treinador do PSV e seleccionador em ‘part-time’ da Austrália. Mal acabado de apurar os australianos para o Mundial, ele teve o cuidado de respeitar os uruguaios, cumprimentando-os e confortando-os. Hiddink é um modelo de ‘fair-play’ quando ganha e quando perde. Em Abril do ano passado, o PSV foi injustamente afastado da final da Liga dos Campeões depois de ter esmagado o AC Milan (3-1) com uma exibição fantástica. No final, Hiddink estava tristíssimo, claro que estava, mas não remoeu desculpas e cumprimentou os milaneses e o colega Ancellotti pela qualificação. Este é o mesmo homem que há 12 anos – treinava o Valência – se recusou a começar o jogo enquanto a polícia não retirasse das bancadas do Mestalla um cartaz com dizeres racistas. Hiddink, campeão europeu com o PSV em 1988 e campeão do mundo com o Real Madrid em 1998, chega ao seu terceiro Mundial depois de levar a Holanda (1998) e a Coreia do Sul (2002) às meias-finais. Este é o tipo de holandês que podia chegar cá e dar-se ao luxo de ser arrogante - mas é o oposto.
A 'CRISE' DO CHELSEA
O Chelsea retoma a caminhada na Premier em Londres e o adversário é o Newcastle de Graeme Souness: na época passada Mourinho goleou (4-0)... mas também foi eliminado da Taça de Inglaterra em Newcastle (0-1). O campeão atravessa a pior ‘crise’ desde a chegada do ‘Special’ (últimos cinco jogos: uma vitória, duas derrotas e dois empates – um seguido de derrota aos penáltis), mas espera-se que retome a passada do costume. Michael Owen, em grande forma, é um perigo, mas o capitão Alan Shearer não joga.
Chelsea - Newcastle, Hoje, 15h00, Sport TV, Directo.
FIGO E COUTO, MAIS UMA VEZ
Reencontro de históricos, domingo, em S. Siro: Luís Figo (Inter) recebe Fernando Couto (Parma) naquele que é certamente um dos últimos confrontos entre os dois futebolistas portugueses mais internacionais. Passaram 14 anos desde a primeira vez e o Luís parte favorito, embora o Inter, nos últimos oito jogos, tenha ganho apenas três. Se fôr a Couto sorrir, o treinador Roberto Mancini fica preso por arames – o francês Paul Le Guen (ex-Lyon) está na calha para o substituir.
Inter - Parma, Amanhã, 00h00, Sport TV, Diferido.
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