Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
6

Experiência e inteligência colocam Li e Schiavone na final

Num dia dedicado por inteiro ao ténis feminino, Roland Garros conheceu esta quinta-feira o nome das duas protagonistas da final individual dos Campeonatos Internacionais de França. Francesca Schiavone e Na Li foram as vencedoras, num triunfo da experiência e da inteligência sobre a singularidade e beleza de Marion Bartoli e Maria Sharapova.
3 de Junho de 2011 às 12:16
Francesca Schiavone (na foto) e Na Li foram as vencedoras, num triunfo da experiência e da inteligência sobre a singularidade e beleza de Marion Bartoli e Maria Sharapova
Francesca Schiavone (na foto) e Na Li foram as vencedoras, num triunfo da experiência e da inteligência sobre a singularidade e beleza de Marion Bartoli e Maria Sharapova FOTO: EPA

Mesmo com o vento a marcar fortíssima presença no Complexo de Ténis da Porte d'Autueil as quatro semifinalistas individuais ofereceram um aperitivo de altíssima qualidade antes do prato principal que se espera seja servido esta sexta-feira com os duelos Rafael Nadal-Andy Murray e Novak Djokovic-Roger Federer - a partir das 14 horas locais (+1 que em Portugal Continental).

As primeiras protagonistas a tomar conta do Court Philippe Chatrier foram Maria Sharapova e Na Li. Fizeram-no ainda com as bancadas bem despidas de público, mas não demorou para que a lotação quase esgotasse num dia feriado em Paris. E foi já com boa moldura humana que o encontro revelou uma Na Li com a lição bem estudada. O vento nunca foi problema para a chinesa de 29 anos - o mesmo já não se podendo dizer de Sharapova, especialmente irregular no seu saque - que teve ainda o mérito de sempre criar desconforto na opositora. Ainda hoje são lembradas as analogias de Sharapova entre o sentir-se como uma vaca no gelo e o bem saber deslizar na terra batida, e Li limitou-se a explorar essa fraqueza. Com uma bola sempre muito cruzada, foi demasiado comum ver-se Sharapova fora de pé.

O resultado, esse, revelou-se equilibrado pelos parciais finais de 6-4 e 7-5 mas, ao longo do duelo, foram poucos os que alguma vez acreditaram na possibilidade de vitória de Maria Sharapova. Até mesmo a própria revelou fair play na hora do adeus àquela que, porventura, terá sido a sua grande chance de completar o Grand Slam - depois dos triunfos em Wimbledon'04, US Open'06 e Open da Austrália'08: "não é o fim do mundo e não há nada que uma sessão de compras não cure. Para o ano certamente voltarei e farei tudo para ganhar. Ainda não me vou retirar."

 Já Na Li voltou a destacar a importância de mais este triunfo para que o ténis ganhe ainda mais adeptos face a outras modalidades ainda mais massificadas, tal como o badminton, em tempos praticado pela você-campeã do Estoril Open 2005 e 2006. "Não tenho qualquer interesse noutros desportos. Em tempos joguei badminton mas optei pelo ténis, pois sempre mais desafiante".

E em boa hora o fez, uma vez que os recordes da modalidade no império chinês vão continuar a cair pela mão de Na Li. A primeira final do Grand Slam jogada por uma chinesa foi sua, no Open da Austrália este ano, onde perdeu para Kim Clijsters. Fruto disso, colocou pela primeira na história a bandeira da China dentro do top 10 WTA.

Independentemente do desfecho da final, Na Li tem garantido o acesso ao lote das cinco melhores tenistas do mundo. Isto sem esquecer a possibilidade, mais do que remota, de se tornar na primeira tenista chinesa a vencer um Grand Slam.

A fazer-lhe frente nesse decisivo duelo estará, nem mais do que a actual campeã em título de Roland Garros, Francesca Schiavone.

Renascida das cinzas na jornada anterior - onde chegou a enfrentar uma desvantagem de 1-6 e 1-4 diante de Anastasia Pavlyuchenkova - "Schiavo" entrou decidida a não correr riscos frente à peculiar Marion Bartoli. No seu estilo ambidestro muito particular, a francesa de 26 anos tentou impor o seu jogo atacante mas sem resultados práticos, pelo menos para si.  A transalpina defendeu-se com unhas e dentes e ao fim dos parciais de 6-3 e 6-4, selava então a passagem, pelo segundo ano consecutivo, à final individual feminina de Roland Garros.

Acredite-se ou não, desde esse título que Schiavone jamais jogou qualquer final que fosse sequer noutras provas. Sem dúvida um registo que a tenista de 30 anos (fará 31 no próximo dia 23 de Junho) quererá interromper, precisamente no mesmo palco onde conquistou o maior título de toda a sua carreira. Confiança e bom humor, esses, nunca faltam na actual número cinco mundial. " Sinto-me como o vinho. Quanto mais velho, melhor".

Com as senhoras a dominarem as atenções nos palcos principais, nos homens, os quatro melhores tenistas da actualidade dedicaram o dia ao treino antes da luta por um lugar. Se Novak Djokovic gozou o seu quarto dia de descanso - ainda fruto da retirada forçada de Fabio Fognini -, Roger Federer aproveitou para treinar novamente sob o olhar atento do seu treinador Paul Annacone. Rafael Nadal treinou também na sede da Federação Francesa de Ténis, ao passo que o seu opositor desta sexta-feira, Andy Murray, para lá da lesão grave no tornozelo direito, passou ainda o dia no dentista depois de ter sido apanhado em falso a trincar uma típica baguette francesa, partindo um dos seus dentes molares.

ténis roland garros roger federer fabio fognini francesca schiavone
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)