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Correio da Manhã

Desporto
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FA acena com 350 mil euros/mês

A Federação Inglesa de Futebol (FA) esteve reunida em Lisboa com Luiz Felipe Scolari e deixou claro ao técnico brasileiro que ele é a grande aposta para suceder a Sven-Goran Eriksson. E para cativar o treinador da equipa das quinas, Brian Barwick, director-executivo da FA avançou com uma proposta de 350 mil euros/mês (cerca de 70 mil contos/mês) caso o técnico aceite mudar-se para a Grã-Bretanha.
28 de Abril de 2006 às 00:00
Os números ainda não foram confirmados oficialmente, mas representam mais do dobro do que o treinador brasileiro recebe actualmente em Portugal. ‘Felipão’ ganha cerca de 150 mil euros por mês (30 mil contos), valor que chegou a criar muita polémica aquando da sua contratação em 2002.
Mas em Inglaterra, onde Eriksson recebe exorbitantes 575 mil euros/mês, os 350 mil que foram oferecidos a Scolari até representam uma substancial redução de custos para a FA. Sem confirmar valores, Barwick assumiu o encontro com Scolari, mas deu a entender que o processo ainda não está concluído. “Penso que é bastante evidente que nós estivemos em Lisboa para falar com Luiz Felipe Scolari, no âmbito do processo de escolha do futuro seleccionador, que prossegue”, disse.
MAL-ESTAR NA FPF
Esta abordagem, que os dirigentes ingleses garantem ter sido autorizada pela FPF, criou um perceptível mal-estar entre os responsáveis federativos portugueses.
Gilberto Madaíl, líder da FPF, relembrou que Scolari tem um “acordo verbal” com a Federação, pelo que as notícias vindas de Inglaterra “não interessam”.
Ainda assim, quando confrontado com as declarações de Barwick, Madaíl afirmou: “Scolari é profissional e não precisa da minha autorização para nada”. Apesar desta postura, a verdade é que terá sido o próprio Madaíl a ‘ajudar’ a FA a entrar em contacto com Scolari. Quem o diz é Gilmar Veloz, empresário do técnico brasileiro.
“Existe um profissional que tem contrato até 31 de Julho e veio cá um responsável, autorizado pelo presidente da FPF, que foi quem deu o meu contacto, saber qual é a real situação do técnico. Ser lembrado já é para nós uma satisfação, e isso deve-se ao trabalho que Scolari fez no Mundial’2002 e no Euro”, disse Veloz à Rádio Renascença.
O próprio Scolari, que ontem esteve várias horas no departamento técnico da FPF, no Jamor, mostrou-se desagradado com as perguntas sobre o encontro. “Não há nada para falar. Vocês já sabem, já ouviram.
Agora vão para casa que poupam dinheiro”, começou por dizer ‘Felipão’, reafirmando que neste momento só pensa em Portugal: “Se estivessem estado no Restelo teriam visto que estive a trabalhar com o Costinha (ver peça ao lado). Estava a trabalhar por Portugal”.
RICARDO DIZ QUE INTERESSA É "NATURAL"
Ricardo, guarda-redes da selecção portuguesa, não se mostrou surpreendido com o facto da Federação Inglesa estar a investir fortemente na contratação de Luiz Felipe Scolari, para substituir Sven-Goran Eriksson no cargo daquele país. Para o guardião do Sporting, o treinador brasileiro é um dos melhores do Mundo e por isso é natural que surjam selecções interessadas em contratá-lo.
“Confesso que esta é uma questão de que não estou a par. Mas a verdade é que não fico espantado com estas notícias, até porque toda a gente quer os melhores e Scolari é dos melhores treinadores do Mundo. Não me espanta mesmo nada ver as melhores selecções quererem os seus préstimos”, explicou o internacional português.
Certo é que para já, e pelo menos até ao dia 31 de Julho, Scolari tem contrato com a equipa das quinas. Ricardo relembra que Portugal é também uma “grande” selecção e que espera atingir bons resultados no Mundial da Alemanha. “Scolari está também numa das grandes selecções, que é a portuguesa. Por isso o sentimento é igual ao nosso, conseguir os melhores resultados possíveis. E é isto que pretendemos no Mundial”, disse.
COSTINHA PREPARA MUNDIAL NO RESTELO
Está encontrada, pelo menos para já, uma solução para a situação do internacional Costinha. O médio português, com ligação contratual aos russos do Dinamo de Moscovo, começou ontem a treinar junto do plantel do Belenenses até ao final da temporada tendo em vista o Mundial da Alemanha.
O capitão da selecção lusa e o seleccionador Luiz Felipe Scolari pediram autorização ao emblema de Belém para que o jogador pudesse treinar com a equipa principal do Belenenses. De pronto a direcção azul acedeu ao pedido, depois de consultar o técnico José Couceiro.
“Escolhi o Belenenses para treinar porque conheço bem o seu técnico, que tem uma filosofia de treino que me agrada. Cresci em Lisboa e conheço muito bem o clube e as suas condições de treino, pelo que, fiquei muito satisfeito e agradecido aos seus dirigentes por me ajudarem neste momento em que necessito de treinar, com vista a uma possível convocatória para representar a Selecção Nacional, no próximo Mundial”, afirmou Costinha ao ‘site’ do clube do Restelo.
O seleccionador também agradeceu aos dirigentes do clube pela disponibilidade manifestada. “Quero agradecer ao Belenenses, na pessoa do seu presidente, Cabral Ferreira, e ao José Couceiro pela ajuda que nos estão a dar. É importante que o Costinha esteja a treinar em pleno com um plantel profissional e de qualidade como é o caso.”, afirmou Scolari. Recorde-se que o médio mantém um conflito com o seu clube, o Dínamo, não estando por isso integrado nos trabalhos da equipa.
HISTÓRIAS DE PORTUGAL NO MUNDIAL
GOMES RECUSOU LER COMUNICADO DOS REVOLTOSOS
Na conferência de Imprensa (dia 25 de Maio de 1986) em que os jogadores portugueses iam anunciar a intenção de fazer greve aos treinos caso não fosse resolvida a questão dos prémios e das verbas da publicidade, Fernando Gomes foi sondado para ler o comunicado.
O jogador do FC Porto respondeu que não se importava de o fazer. Mas impôs uma condição: a partir desse momento passaria a ocupar o lugar de Manuel Bento como capitão da equipa que estava no México a participar no Mundial de 1986.
O grupo não aceitou. E foi o guarda-redes do Benfica quem acabou por ler aos jornalistas o comunicado dos revoltosos de Saltillo, num dos factos mais polémicos da participação portuguesa.
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