Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
7

Fatal como uma rotina

Com uma média de um golo sofrido por jogo, o Benfica continua a mostrar dificuldade em consolidar a segurança defensiva, apesar dos investimentos realizados no sector.

17 de Setembro de 2011 às 00:00
O central Luisão tem 30 anos e renovou com o Benfica até 2016. A cláusula de rescisão é de 20 milhões
O central Luisão tem 30 anos e renovou com o Benfica até 2016. A cláusula de rescisão é de 20 milhões FOTO: d.r.

Ceder o mínimo de golos é um objectivo primário do futebol moderno, porque condiciona o sucesso das classificações, o que torna muito actual e preocupante o mau hábito de sofrer pelo menos um a cada jogo, instalado no Benfica desde o início deste ano de 2011.

Depois de ter sofrido continuamente um total de 27 golos nas derradeiras 19 partidas da época passada, a partir de 27 de Fevereiro, o Benfica conseguiu recentemente interromper a série maldita, pior da sua história, frente ao Trabzonspor, primeiro, e no campo da Nacional, a contar para a Liga. No entanto, em nove jogos oficiais realizados, sofreu golos em sete e, claramente, mostra dificuldades para conseguir erradicar a tendência e voltar a um regime esporádico.

A situação já é aproveitada pelos adversários como factor de moralização, como aconteceu na semana passada com o novo treinador do Vitória de Guimarães, Rui Vitória, que declarou apresentar-se na Luz com a confiança de contar pelo menos um golo. E ele aconteceu, de forma inevitável, como uma fatalidade.

Se na época anterior as razões objectivas para a insegurança (Roberto, David Luiz) ajudavam a explicar o fenómeno, neste terceiro ano com Jorge Jesus devia sentir-se de novo a determinação que o treinador colocara na estreia, quando impôs um limite muito severo para os golos sofridos e levou a equipa a cumpri-lo à risca. E, após a contratação de dois excelentes guarda-redes e de um novo parceiro de grande gabarito para Luisão, torna-se realmente difícil admitir e explicar que a média fatal de um golo cedido por partida se mantenha, como uma penalidade obrigatória.

O treinador focou o reforço da equipa mais no plano defensivo do que no ataque, alterando o sistema táctico para consolidar a coesão da equipa e o fortalecimento do pilar Javi Garcia, mas a cada jogo há pelo menos um momento em que a equipa perder o controlo. Esta semana, nas duas partidas disputadas na Luz, foram duas brechas no flanco esquerdo, de onde também saiu Fábio Coentrão, possibilitando as fugas de Edgar (Guimarães) e Giggs (Manchester United): os erros são quase imperceptíveis, em relação ao mérito dos dois marcadores, mas a decepção provocada por estes golos teve origem em deficiências da articulação táctica.

Por enquanto, o Benfica pode observar um começo também menos seguro do seu adversário principal na Liga. O FC Porto, com sete golos sofridos em sete partidas oficiais e apenas duas com zero na própria baliza, está também numa fase atrasada de consolidação defensiva. Uma rotina que não tem de ser considerada totalmente negativa, se os ataques conseguirem compensar os défices de segurança defensiva.

Menos zeros a cada ano - No que respeita a jogos sem sofrer golos, também o Benfica de Jorge Jesus piorou da primeira época para a segunda, enquanto o principal adversário melhorou substantivamente. Este ano estão empatados, embora o FC Porto tenha disputado menos encontros (sete).

9 golos sofridos em 9 jogos  - No quadro, analisam-se sumariamente os nove golos sofridos nesta época, com Artur na baliza. Alguns foram inadmissíveis e puniram o descuido táctico das fases terminais das partidas. A melhoria no guarda-redes e a renovação de confiança de Luisão não melhoraram a performance defensiva, situada abaixo dos parâmetros necessários para os títulos.

Os anos de Luisão

Nove épocas consecutivas no Benfica fazem de Luisão um caso raro nos dias de hoje e permitem comparações directas ao rendimento anual, sendo curiosos desfilar os nomes dos sucessivos parceiros. Nas últimas épocas, o Benfica conheceu a média invulgar de mais de um golo sofrido por partida, em contraste com o 0,73 do primeiro ano de Jorge Jesus, quando a equipa alcançou as maiores performances. Apenas dois anos abaixo de 0,70 atestam a dificuldade do Benfica em chegar aos títulos que começa a ser ganhos precisamente na solidez e acerto defensivo. Esta época a média de 1 golo sofrido é exacta (9 em 9), estimulando a ideia de uma grande melhoria, a breve prazo. O argentino Garay será o mais categorizado parceiro de sempre de Luisão, mas o resultado da dupla ainda não está expresso em números competitivos: continuaram a sofrer golos em praticamente todas as partidas.

Saída de David Luiz  influenciou - Nem pior, nem melhor - assim ficou a defensiva do Benfica após a saída de David Luiz a meio da época passada, se olharmos apenas às conclusões estatísticas. A equipa sofreu mais golos na Liga (17 com Jardel contra 14 com David Luiz), mas no cômputo das várias provas, incluindo a fase eliminatória da Liga Europa, a coisa ficou ela por ela (31 contra 30). No entanto, a partida do jovem defesa para o Chelsea teve efeitos prejudiciais no conjunto e na confiança dos parceiros, em particular Luisão, que quis sair do clube por falta de confiança nas soluções defensivas do plantel. A influência de um jogador no colectivo entende-se melhor na ausência: com a chegada de Garay, o nome de David Luiz passou finalmente à história.

Mais vulnerável nas bolas paradas - As últimas duas épocas foram as piores no que respeita a golos sofridos de bola parada: só no ano passado, sofreu 25 golos dessa forma, 18 dos quais em jogo aéreo no centro da área. No ano do título tinha sofrido 14 golos de bola parada (10 de cabeça), números muito superiores aos anos anteriores, quando não ultrapassara a dezena.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)