Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
5

FC Porto caiu sem glória

Deu 45 minutos de avanço ao adversário estreando um sistema táctico com três centrais, que começou a meter água desde o início. Após dois anos memoráveis que levaram à conquista da Taça UEFA e Liga dos Campeões, o ‘dragão’ despediu-se das competições europeias sem o brilho e a alegria de outros tempos...
16 de Março de 2005 às 00:00
Há pelo menos três anos que o FC Porto não jogava com três centrais. Mourinho nunca o fez, Fernandez também não, mas foi assim que Couceiro entrou em S. Siro, com a desvantagem do 1-1 do ‘dragão’. Acabou eliminado e só por breves instantes deu ideia de poder fazer mais do que isso, até porque Adriano estava em noite inspirada e fez um ‘hat-trick’ e ainda várias outras coisas. Acabou 3-1, mas esteve sempre mais perto um golo do Inter do que outra coisa qualquer.
Digamos que o jogo correu mais ou menos como planeado pelo técnico do FC Porto, tirando que a equipa na primeira parte foi incapaz de criar fosse o que fosse, como aliás tem sido norma independentemente de esquemas tácticos. É pouco normal, isso sim, que a este nível uma equipa apresente um sistema novo num encontro decisivo e não se percebeu porque é que Pitbull jogou de início, porque de fera só tem o nome.
Mas de facto, a perder logo aos 6’ com um golo de Adriano (lentíssimo Jorge Costa depois de um passe errado de Diego), o mais que a equipa conseguiu no primeiro tempo foi às vezes passar a bola entre os seus defesas sem arriscar nada. Era muito pouco como plano de jogo: o primeiro remate (sem perigo) foi de McCarthy aos 22’) e de facto o campeão europeu deu a primeira parte de avanço. O Inter aproveitou, de forma calculada, sem ter de fazer nada de extraordinário para controlar e dominar o jogo.
O 5x3x2 (era mais isso do que 3x5x2) portista não estava treinado e é evidente que o 0-4 de sexta-feira também pesava.
Bom, mas conseguiu chegar ao intervalo ainda vivo e o Inter também não conseguia rematar a faena – cometia faltas em série (16 contra 6 dos portistas no primeiro tempo) e foras-de-jogo também (6).
QUARESMA TROUXE DINÂMICA
Ao intervalo entrou Quaresma que parecia, desde o início, num jogo destes, o único que podia manter a bola um pouco mais na zona de ataque. E de facto foi um pouco assim e teve o primeiro remate com perigo do FC Porto dez minutos depois.
Finalmente via-se qualquer coisa do campeão em título, com outra atitude, parecia ter perdido o medo e a tendência para o pontapé para a frente. Criava mesmo algumas dificuldades. Mas Adriano fez logo a seguir o 2-0, entrando como quis na área de Baía e marcando de pé esquerdo do lado direito. Tornava-se pouco menos do que impossível para os ‘dragões’. Couceiro entendeu que era “o momento” de que tinha falado na véspera e tirou Ricardo Costa para colocar Postiga. Ou seja, passava ao 4x3x3 quando já tudo estava (praticamente) perdido. Mas um golo de Jorge Costa – antes ainda um remate de Seitaridis pareceu ter ido ao poste – após um canto ainda reabriu o jogo, embora o Inter dispusesse de espaço e tempo por várias vezes antes de lá chegar e matar a coisa como se adivinhava.
Adriano à terceira ou quarta vez que aparecia um homem do Inter isolado voltou a marcar. Entretanto, Pedro Emanuel tinha-se lesionado (e mesmo assim salvou na linha o que seria então o 3-1 de Stankovic que correra só desde o meio-campo…) e entrara Pepe, mas o jogo estava perdido e a equipa também.
Não era fácil, depois do empate no Dragão e depois da ‘débacle’ com o Nacional da Madeira, algo que não acontece por acaso. A verdade é que desde o início da época, o FC Porto foi sendo cada vez mais os jogadores e menos a equipa e assim torna-se muito difícil ganhar alguma coisa.
Ontem ainda se salvaram Benni McCarthy apesar de tudo, Costinha e Ricardo Quaresma e Baía também, mas a força da equipa – que é o que permite chegar aos títulos – já se perdera há muito tempo. O ciclo glorioso na Europa chegou ao fim.
REACÇÕES
“O FC Porto entrou mal no jogo e fiquei surprendido com os três centrais. Foi uma equipa lenta, com muitos passes errados. Na 2.ª parte, foi mais dinâmica e acutilante, mas abriu espaços. Uma exibição pouco conseguida colectivamente e com alguns jogadores em sub-rendimento. Um FC Porto normal eliminaria este Inter.” Fernando Gomes
“Foi um jogo onde houve muitos falhanços. Foi um fim anunciado. Quando se viu o apelo patético antes do jogo de Pinto da Costa [n.r. pediu vitória por Fabiano] é porque algo estava mal. A equipa está muito fragilizada, marcada pelas mudanças, com gente triste. Os jogadores não são os culpados.” Octávio Machado
“Foi um jogo intermitente, com o FC Porto a jogar sobre brasas. A equipa ainda conseguiu ter alguma posse de bola, mas depois houve novo desnorte com muitos passes errados. Não é o fim do Mundo. Há que tirar lições dos erros cometidos, não só neste encontro, e analisá-los para que as coisas mudem.” Hernâni Gonçalves
“Sofremos um golo esquisito, o que intranquilizou a equipa. E o segundo golo foi um erro enorme da defesa. Houve ainda uma resposta positiva e forças para fazer o 2-1, o Inter tremeu mas depois faltou sorte. Foi uma exibição aceitável que não teve nada a ver com as últimas na SuperLiga.” Pôncio Monteiro
FICHA DE JOGO:
Local: Estádio Giuseppe Meazza, Milão (75 mil espectadores)
Árbitro: Terje Hauge (Noruega)
Inter Milão: Toldo, Zé Maria, Materazzi, Mihajlovic, Javier Zanetti, Cambiasso, Cristiano Zanetti, Verón (Van der Meyde, 90m), Stankovic (Kily González, 82m), Cruz (Martins, 75m) e Adriano. Treinador: Roberto Mancini
F.C. Porto: Vítor Baía, Jorge Costa, Ricardo Costa (Hélder Postiga, 66m), Pedro Emanuel (Pepe, 71m), Seitaridis, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Diego, Cláudio (Quaresma, 45m) e McCarthy. Treinador: José Couceiro
Acção Disciplinar:Amarelos: Cristiano Zanetti (25m), Nuno Valente (47m), Maniche (89)m e Jorge Costa (91m).
Marcador:1-0, Adriano (5m), 2-0 Adriano (62m), 2-1 Jorge Costa (68m), 3-1 Adriano (86m)
Melhor Jogador: Adriano
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)