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Correio da Manhã

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FC Porto fiel à tradição na Europa

O FC Porto deu um grande passo rumo aos ‘quartos’ da Liga Europa, confirmando a tendência de ser feliz em Moscovo. Terceira vitória em outras tantas visitas ao CSKA, onde nunca sofreu golos, desde 2004/05.
11 de Março de 2011 às 00:30
Guarín faz a festa do único golo da partida com o companheiro Hulk
Guarín faz a festa do único golo da partida com o companheiro Hulk FOTO: Maxim Shipenkov/Epa

Superando os problemas de adaptação à relva artificial, que limitaram as explosões de Hulk e James, e a dificuldade de encaixe nas movimentações de Vágner Love e Doumbia, durante a meia hora inicial, a equipa de Villas-Boas fez uma exibição em crescendo, que foi do sofrimento acentuado até ao controlo total das operações. Há mais de um ano sem derrotas como visitante, em todas as competições, o FC Porto manteve o rendimento perfeito na Liga Europa fora.

Para manter o registo, muito dependeu do acerto de Helton, que na primeira meia hora ganhou três duelos face a face com Doumbia e Vagner Love. As transições rápidas do CSKA criavam então muitos problemas à coordenação defensiva do FC Porto, que não acertava nas tentativas de fora-de-jogo. Só a partir do momento em que Fernando fixou posições uns metros atrás, em apoio exclusivo aos centrais, a equipa ganhou serenidade para manter a bola e fazer baixar o ritmo de jogo.

Uma boa defesa de Akinfeev a remate de Guarín, na sequência de três cantos ganhos pelos portistas, deram o tom para um final de primeira parte mais afirmativo. A tendência confirmou-se após o intervalo, embora fosse o CSKA a desperdiçar uma oportunidade, quando Vagner Love chutou no ar (56').

Foi o canto do cisne dos russos: a quebra física do japonês Honda, e também de Dzagoev e Mamaev, os alimentadores do ataque, coincidiu com o crescimento do meio-campo portista, com Guarín a apoiar mais vezes o excelente Falcão. Já com Varela, no lugar de James, o médio colombiano recebeu à entrada da área, simulou a tabelinha e rematou sem hipóteses para Akinfeev, dando tradução ao ascendente portista, sublinhado por 20 minutos finais, com posse de bola permanente, perante um CSKA fisicamente de gatas.

"INÍCIO DO JOGO FOI COMPLICADO"

Helton admitiu que o CSKA criou entraves na primeira metade do encontro. "Os adversários querem sempre complicar-nos a vida, não estamos habituados ao sintético e sentimos dificuldades no início do jogo", disse o guardião.

Já Guarín explicou o golo que deu a vitória ao conjunto azul-e--branco: "Foi uma jogada rápida em que consegui ter espaço para rematar. Não tenho dúvidas do que posso dar a este clube."

GUARÍN APONTOU O CAMINHO

Guarín - Primeiro jogador a esticar a equipa, à custa de alguns piques, aparições na área contrária e remates. Por mais de uma vez esteve quase a marcar. Acabou por o conseguir à custa de um excelente remate à entrada da área, após boa movimentação individual. Um prémio justo para uma exibição conseguida.

Helton - Três excelentes intervenções nos primeiros 25', a dizer à equipa que por ele a bola não iria passar. Foi um factor de segurança.

Sapunaru - Algumas dificuldades no flanco, compensadas com bons desdobramentos no eixo da defesa. Bem também no apoio ao ataque.

Rolando - Várias hesitações na fase inicial do jogo poderiam ter custado caro. Quando acertou o passo, a equipa também melhorou.

Otamendi - Forte e decidido. Importante na fase menos boa da equipa, altura em que optou, bem, pelo sentido prático do jogo.

Fucile - Honda deu-lhe trabalho extra, especialmente no primeiro tempo. Percebeu que não era boa ideia avançar no terreno.

Fernando - Farol das manobras defensivas do FC Porto. Filtro importante das acções de ataque do CSKA. Notável sentido táctico.

João Moutinho - Voluntariedade ao limite. Na fase crítica chegou a ser mais um defesa em auxílio dos colegas. Quando percebeu que tinha chegado o tempo de sair da ‘toca', soltou-se para o apoio ao ataque.

James Rodriguez - Passou ao lado do jogo. Nunca se adaptou. Terá sido do frio ou do relvado artificial? Saiu antes da hora de jogo, sem surpresa.

Hulk - Uma boa arrancada, um par de remates, outros dois ou três detalhes, mas longe da fúria que o torna um jogador... incrível.

Falcão - O mérito de manter sempre a defesa russa em estado de alerta. Não marcou, mas foi importantíssimo na manobra global.

Varela - Impôs a velocidade que James não conseguiu.

Cristian Rodriguez - Ajuda importante na consolidação da supremacia portista na parte final do jogo.

Sousa - Ar fresco e justo descanso ao infatigável Guarín.

"IMPORTANTE SERÁ GANHAR O TROFÉU"

"Esta vitória é mérito total dos jogadores, pela forma como encararam este encontro. É uma excelente vitória, mas importante será ganhar o troféu", disse André Villas--Boas, no final da vitória em Moscovo, uma deslocação que o técnico portista admitiu ter sido muito complicada.

"Neste piso, a bola comporta-se de forma bastante diferente e há um maior cansaço muscular. Foi um jogo com duas partes distintas. Na primeira, o CSKA criou algumas oportunidades, mas depois controlámos totalmente. A segunda parte foi muito mais conseguida. Com o tempo, fomos desequilibrando e chegámos ao golo", acrescentou.

Apesar de admitir que o resultado (1-0) obtido na Rússia foi um passo fulcral rumo à próxima fase, André Villas-Boas não deu como assegurada a passagem aos quartos-de-final: "A eliminatória não está decidida. Com o Sevilha passou-se isto e depois perdemos [0-1] em casa e podíamos ter sido eliminados. É importante anular os pontos fortes do CSKA, como as saídas rápidas para o ataque. É essencial, acima de tudo, marcar primeiro."

FICHA DE JOGO

Liga Europa- 1.ª mão

Estádio Lujniki (Moscovo) - Assistência: 20 000

CSKA: Akinfeev, Nababkin, Berezutski , Ignaschevich, Schennikov, Mamaev, Semberas, Dzagoev, Honda (Zoran Tosic 74'), Doumbia (Necid 78'), Vágner Love.

Treinador: Leonid Slutski

FC PORTO: Helton, Sapunaru, Rolando, Otamendi, Fucile, Fernando, Guarín (Souza 81'), João Moutinho, James Rodríguez (Varela 57'), Hulk (C. Rodríguez 73'), Falcão.

Treinador. André Villas-Boas

Golos: 0-1 Guarín (70')

Árbitro: Robert Schorgenhofer (Áustria) 6

Disciplina: amarelos: Semberas (19'), Otamendi (63') e Vagner Love (66').

Classificação do jogo 6

FC PORTO CSKA MOSCOVO RÚSSIA LIGA EUROPA
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