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Correio da Manhã

Desporto
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FC Porto ganha depressa com Anderson discreto

O campeão foi ganhar três pontos muito tranquilos à Figueira da Foz, num jogo marcado por algum nevoeiro e por mais um golo na própria baliza (Mário Sérgio). O FC Porto anda com sorte – o seu ataque não remata, mas fazem-no os seus defesas (Cech marcou o primeiro) e os dos adversários (ontem foi Mário Sérgio, há oito dias tinha sido Rui Duarte, do Estrela).
18 de Setembro de 2006 às 00:00
Aos 25 minutos, o FC Porto já tinha marcado dois golos, ou pelo menos um e meio.
Em dois contra-ataques, Cech recebeu de Quaresma e atirou cruzado, beneficiando do facto de Mário Sérgio ter ido ao outro lado do campo tentar uma jogada de ataque; depois foi Bosingwa que arrancou pelo lado direito, passou China e cruzou largo, mas Taborda não chegou e, mesmo atrás, Mário Sérgio não conseguiu evitar que a bola lhe batesse na perna e se encaminhasse para a baliza. Tudo simples e para quem vinha de uma quarta-feira europeia, nada melhor.
A Naval, que tinha duas vitórias, ameaçou no seu 4x4x2, em que Fajardo tentava ligar o meio-campo com Nei e Lito. Mesmo antes do 0-2, Gilmar de fora da área obrigara Hélton a boa defesa com um tiro forte e Nei dava algum trabalho. Mas a equipa fazia muitas faltas (Anderson era muito castigado), melhorando a consistência defensiva na segunda parte, quando passou a jogar com três centrais, pelo recuo de Orestes.
O FC Porto não se impôs propriamente à campeão. Aproveitou, isso sim, o que o jogo lhe deu sem forçar muito. E não obrigou a muito mais, até porque a defesa e o meio-campo foram segurando as pontas.
O ataque é que tem de ser mais incisivo. Com dois pontas-de-lança (Adriano e Postiga) e Quaresma livre de início (depois mais encostado à esquerda) a equipa teve algumas movimentações interessantes, mas os pontas-de-lanças não fizeram um remate perigoso em todo o jogo. O que é mau. Quaresma teve alguns bons números, Anderson esteve apagado, pesando pouco na vitória da equipa e no jogo em si, acabando também ele substituído, como os dois pontas--de-lança que, neste esquema, têm bastante trabalho.
Boa arbitragem de Carlos Xistra, que deve ter tido razão nas duas vezes em que se pediu penálti (quedas de Lucho e Anderson).
POSITIVO: DEFESAS MELHORES QUE AVANÇADOS
Marcou dois golos o FC Porto, mas os seus melhores homens foram defesas. Cech, que marcou o golo de abertura e manteve o lado esquerdo sempre inexpugnável, os dois centrais e Bosingwa, que teve participação muito activa no primeiro golo. Hélton também esteve seguro. Lucho caminha para a melhor forma, Paulo Assunção é o contrário dos fantasistas – é um equilibrador nato da equipa. Na Naval, Paulão e Gaúcho (na segunda parte com Orestes) fizeram um jogo razoável, tal como Gilmar e Nei (avançado que impõe algum respeito). Saúlo entrou bem e podia ter sido mais bem acompanhado.
NEGATIVO: OS AZARES E ANDERSON APAGADO
Num jogo marcado por muito nevoeiro (antes e durante), salta à vista o azar de Mário Sérgio: no primeiro golo tinha ido à frente pela esquerda e ninguém fechou o seu lado. Conclusão: Cech ficou sozinho e marcou. No segundo desviou o cruzamento de Bosingwa para a baliza depois de Taborda não lhe ter chegado. Fraquinho também China (os dois laterais da equipa). Hélder Postiga e Adriano, foram ambos bem substituídos (Jorginho e Lisandro) porque, embora com boa movimentação, nunca conseguiram tornar-se perigosos. O FC Porto tem um problema no ataque, mais a mais quando Anderson está discreto, como ontem.
ADRIAANSE NA MIRA DE PANATHINAIKOS
Co Adriaanse, antigo técnico do FC Porto, surge como o nome mais desejado pelos dirigentes do Panathinaikos para substituir Hans Bakke. O até agora treinador do clube grego foi despedido após um empate a uma bola com os ucranianos do Zaporizhya, jogo a contar para a primeira mão da ronda inaugural da Taça UEFA.
Recorde-se que Adriaanse, que chegou a ser apontado como possível seleccionador da China, deixou a Invicta em conflito com Pinto da Costa, tendo rescindindo unilateralmente com os ‘dragões’. O processo de rescisão ainda não está concluído.
APONTAMENTOS
PREÇOS CRITICADOS
A claque da Naval aproveitou o jogo de ontem para se insurgir, através de algumas faixas, contra a alegada falta de apoio da direcção. Em causa está o preço dos bilhetes, que os figueirenses pretendiam mais baratos. Ontem, um elemento da claque da Naval, para aceder ao estádio, pagava quase o mesmo que um ‘SuperDragão’ – 15 euros para os portistas. Já para a central, os preços variavam entre os 45 euros para não sócios e os 20 para sócios. Estiveram 2515 pessoas nas bancadas.
ESPIÕES NA BANCADA
Arsenal, de Inglaterra, Celta, Atlético de Madrid e Alméria, de Espanha enviaram emissários à Figueira da Foz para assistir ao Naval-FC Porto. As estrelas do firmamento portista, com o brasileiro Anderson e o argentino Lucho Gonzalez à cabeça, terão sido o alvo preferencial. Mas nem só ‘olheiros’ internacionais seguiram a partida. Também Belenenses e Sporting de Braga se fizeram representar.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio Mun. José B. Pessoa, na Figueira da Foz (2515 espectadores)
Árbitro: Carlos Xistra (Castelo Branco)
NAVAL 1º MAIO: Taborda, Mário Sérgio, Paulão, Gaúcho (Cazarine, 72m), China, Gilmar, Orestes, Pedro Santos (Tony, 52m), Fajardo (Saulo, 52m), Nei e Lito. Treinador: Rogério Gonçalves.
FC PORTO: Helton, Bosingwa, Pepe, Bruno Alves, Marek Cech, Paulo Assunção, Lucho Gonzalez, Anderson (Vieirinha, 79m), Quaresma, Adriano (Jorginho, 65m) e Hélder Postiga (Lisandro, 72m). Treinador: Jesualdo Ferreira
Marcador: 0-1, Marek Cech (10m); 0-2, Mário Sérgio (26’ p.b.)
Acção disciplinar: Amarelos - Tony (67m), Gilmar (73m) e Bosingwa (85m).
Melhor jogador: Marek Cech
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