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Correio da Manhã

Desporto
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Fehér também é campeão

A promessa foi cumprida. Numa cerimónia carregada de emoção realizada junto à campa de Fehér, em Gyor, na Hungria, jogadores, treinadores e dirigentes do Benfica ofereceram ontem à família do malogrado futebolista réplicas da taça da SuperLiga e da Taça de Portugal, esta conquistada no ano passado. Luís Filipe Vieira, presidente do clube da Luz, prometera esta homenagem após a morte de Fehér, ocorrida em pleno relvado, a 25 de Janeiro do ano passado, num V. Guimarães-Benfica.
31 de Maio de 2005 às 00:00
Simão e Nuno Gomes colocam réplicas dos troféus da SuperLiga e da Taça na campa de Miklos Fehér
Simão e Nuno Gomes colocam réplicas dos troféus da SuperLiga e da Taça na campa de Miklos Fehér FOTO: Laszlo Balogh/Reuters
O líder ‘encarnado’ liderou ontem a comitiva do Benfica, sempre acompanhado por José Veiga, com Simão Sabrosa, enquanto capitão de equipa, a assumir também papel de destaque na cerimónia. Presidente e capitão colocaram sobre o túmulo de Fehér uma camisola e um cachecol do Benfica campeão, perante a emoção incontida do pai, mãe e irmã do falecido atleta magiar.
Seguiu-se uma alocução do padre Delmar, conhecido adepto do Benfica, que já celebrara a missa de 7.º dia em memória de Fehér. “Neste gesto extraordinário, o Benfica veio aqui dizer a Fehér que também ele é campeão”, disse, pedindo depois aos presentes para rezar um Padre Nosso, num momento especialmente marcante.
Luís Filipe Vieira tomou depois a palavra para um breve discurso: “Cumprimos a nossa promessa de vir cá entregar o troféu da Taça de Portugal e do título de campeão nacional”, afirmou o presidente do Benfica, que não esquece o sorriso esboçado por Fehér poucos momentos antes de desfalecer no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães. “A memória faz parte do património do Benfica e neste momento os benfiquistas devem estar todos solidários e unidos. Um jogador como o Fehér, que morreu com a nossa camisola, e a despedida que fez, com um sorriso, vão ficar eternamente gravados nas nossas memórias. Que descanse em paz”, disse Vieira.
Seguiu-se talvez o momento mais marcante da cerimónia. Todos os jogadores do Benfica, e ainda os treinadores, dirigentes e outros funcionários, uniram-se em torno da campa de Miklos Fehér, todos abraçados. Depois, o capitão Simão Sabrosa deu o mote: “Um, dois, três...” E todos gritaram em uníssono: “Miki”. Um grito que os jogadores converteram em ritual desde a morte do seu companheiro, mas que ontem adquiriu significado especial.
No fim, a família de Fehér recebeu diversas lembranças, que deverá colocar no museu que construíram em memória de Fehér.
APONTAMENTOS
LÁGRIMAS
A homenagem a Fehér emocionou alguns dos seus antigos companheiros, com Nuno Gomes e Ricardo Rocha a deixarem as lágrimas rolar. Paula Pinho, vice-presidente da assembleia geral, também não conteve as lágrimas.
MUSEU
Após a cerimónia no cemitério de Gyor, a comitiva do Benfica deslocou-se até casa dos pais de Miklos Fehér para conhecerem o museu construído em homenagem ao filho, onde estão diversos objectos que pertenciam ao atleta.
VIEIRA
Luís Filipe Vieira revelou ontem que, no dia em que Miklos Fehér morreu, lhe tinha dito que não seria emprestado. “Na altura especulava-se que ele podia ser emprestado a outro clube e eu nesse dia garanti-lhe que ficava no Benfica”, disse.
LUISÃO: 'AGORA VAMOS FALAR'
Enquanto a comitiva do Benfica partia para a Hungria, Luisão rumava ao Brasil para juntar-se à sua selecção, embora esteja lesionado e possa ser dispensado. O futuro do central será definido nos próximos dias, sendo provável uma transferência para o Inter de Milão.
“Agora é que vamos começar a conversar. Qualquer jogador está sempre em busca da melhor proposta, das melhores condições para a sua família. No Benfica estou feliz, a minha família também, assim como o clube, mas vamos ver o que acontece”, disse Luisão, desejando que a sua situação fique “resolvida rapidamente”.
O Benfica possui apenas 25 por cento do passe do atleta brasileiro, pelo que poderá ser ultrapassado numa eventual negociação do jogador para o estrangeiro.
TRAPATTONI ANUNCIA HOJE O ABANDONO
O Benfica convocou os jornalistas para uma conferência de Imprensa de Giovanni Trapattoni, hoje, às 14h30, na Luz, na qual o treinador vai anunciar o abandono. O técnico já deixou diversas indicações de que pretende sair, sempre em declarações à Imprensa italiana, e desta vez vai assumir definitivamente o adeus ao Benfica.
Aliás, em declarações reproduzidas ontem no ‘site’ italiano Datasport, Trapattoni reitera a sua intenção. E até deixa entender que está receptivo a propostas, utilizando uma expressão curiosa. Quando lhe perguntam se conhece o interesse da Roma nos seus serviços, ‘Trap’ responde assim. “Em Dezembro houve um contacto da Roma, mas nessa altura não havia possibilidades de sair. Mais recentemente, tenho ouvido e lido muita coisa, mas não houve mais contactos. Eu ponho-me à janela, estou aqui”, afirmou, em jeito de quem incita os clubes a apresentarem-lhe propostas.
Clubes ou selecções, porque quando é questionado sobre o seu interesse em treinar uma selecção, afirma: “Se me oferecessem a possibilidade de treinar uma selecção aceitaria de imediato”.
Nestas declarações, Trapattoni confessa também pela primeira vez que o plantel do Benfica era curto: “Apesar da derrota na final da Taça, estou muito contente, porque fizemos um campeonato estupendo com apenas 14/15 jogadores”. ‘Trap’ participa também hoje, às 12h00, na Fnac do Colombo, na apresentação do livro ‘Onze Anos Depois – O Livro da SuperLiga 2004/05’.
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