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Correio da Manhã

Desporto
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Fiéis aumentam em Lisboa

Nestes dez anos, é no Sporting que os jogadores ficam mais tempo. O Benfica ainda é o emblema de ligações mais rápidas, mas a recuperar gradualmente.
18 de Julho de 2009 às 00:00
Liedson, Luisão e Lucho
Liedson, Luisão e Lucho FOTO: Fotomontagem CM

Os raros retoques no plantel do Sporting e o esforço de manutenção das principais figuras por parte do Benfica estão a alterar o perfil das equipas lisboetas, restituindo-lhes a tradição de fidelidade aos nomes e ao emblema, em contraste com uma maior circulação na plataforma comercial em que o FC Porto baseia a sua estratégia actual.

O quadro actual, com o plantel do Sporting a atingir uma média de 4 anos por jogador e o do Benfica 3,5, os índices de fidelização mais altos deste século, evidencia um contraste grande com a transformação no clube tetracampeão – o que suscita uma boa discussão sobre as bases em que se pode construir uma equipa ganhadora: continuidade ou recrutamento cirúrgico?

No início do século, com Fernando Santos e Mourinho, o FC Porto mudava pouco. Seguiu-se a febre dos mercados, cavalgando as ondas de dinheiro da Liga dos Campeões, e a competência de Jesualdo Ferreira para renovar sem grandes desperdícios.

Contando estas dez temporadas, é no Sporting que os jogadores ficam mais tempo. Os portugueses duram 3,6 anos e os estrangeiros 2,5, para uma média global de 2,9 anos – enquanto no FC Porto a duração é de 3 e 2,2 anos, respectivamente (2,7 no total).

O Benfica tem sido o emblema de ligações mais rápidas: , mas em recuperaçãoem média, 3 anos para os portugueses e apenas 2,1 anos para os estrangeiros, não obstante a longa ligação de alguns brasileiros, como Luisão ou Leo. É a elevada contingentação de jogadores que não chegam a permanecer um segundo ano (às vezes um segundo semestre) que faz descer esta média.

O FC Porto (e não o Sporting) é o que tira maior proveito quantitativo dos escalões de formação. Nos últimos dez anos, passaram pela primeira equipa 34 jogadores formados no FC Porto com uma média de 3,4 anos de permanência (inflacionada pela geração de Vítor Baía e Domingos). Em contrapartida, o Sporting utilizou apenas 23 jogadores formados em Alcochete (3,2 anos em média), justificando-se a diferença pelo reduzido aproveitamento de jogadores formados nos anos 90.

BENFICA COM MAIS ESTRANGEIROS

Benfica: 76

FC Porto: 68

Sporting: 56

FC PORTO COM MAIS PORTUGUESES

FC Porto: 37

Benfica: 35

Sporting: 32

SPORTING COM MENOS FORMANDOS

Sporting: 23

Benfica:  25

FC Porto: 34

EQUIPA DO SPORTING TEM MÉDIA DE 4 ANOS POR JOGADOR

O Sporting atinge este ano uma média de quatro anos por jogador (inédita neste século), enquanto o Benfica ultrapassa pela primeira vez a linha de 3,5 anos, quase o dobro de há dez anos. O FC Porto, que era o mais estável (3,5 anos) no início da década, teve na época passada o recorde negativo (2,3 anos por jogador), devido à transformação do plantel.

BENFICA COM MAIS ESTRANGEIROS

Setenta e seis estrangeiros diferentes em dez anos – eis um balanço que dispensa comentários. A descaracterização do clube passa por esse figurino de maioria importada, em que a percentagem de portugueses e formandos não ultrapassa os 40%.

FC PORTO COM MAIS PORTUGUESES

O FC Porto é o clube que contrata mais portugueses, depois de este ano se ter virado para o mercado interno com a aquisição de Varela, Miguel Lopes e Orlando Sá. No entanto, apenas um português por cada dois estrangeiros.

SPORTING COM MENOS FORMANDOS

Pode parecer incrível, mas ao longo deste século o Sporting foi dos três grandes o que lançou menos jogadores da sua formação na equipa principal, não obstante ter sido o que mais proveito material tem tirado da sua formação.

MENOS JOGADORES MAS COM MAIS TEMPO EM ALVALADE

Ao longo dos anos, o Sporting apostou mais na formação e passou a recorrer menos ao mercado externo, sendo dos três grandes o que contrata menos estrangeiros e também menos portugueses formados noutros emblemas. O peso da escola de Alcochete é enorme, tendo chegado a 80 por cento da equipa titular em certos períodos da última temporada, graças a uma grande margem de sucesso das apostas feitas. Em contraste com os adversários que procuram achar alguns prodígios às cegas e em quantidade, o Sporting tem uma percentagem de acerto muito elevada que lhe permitiu ter apresentado menos 28 jogadores que o FC Porto durante esta primeira década do século, o que corresponde a cerca de 20 por cento.

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