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Correio da Manhã

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FIFA CENSURA AS REPETIÇÕES NOS ESTÁDIOS

A FIFA decidiu ontem que não haverá mais repetições polémicas nos ecrãs que exibem os jogos do Campeonato do Mundo nos estádios de Coreia do Sul e do Japão. O presidente do organismo que gere o futebol mundial, Joseph Blatter, era a favor de mostrar todas as imagens, mas resolveu mudar subitamente de ideias e agora só permite repetições de lances festivos: ou seja, nos golos.
12 de Junho de 2002 às 21:23
Até o treino do Brasil era exibido nos ecrãs
Até o treino do Brasil era exibido nos ecrãs
“Pensámos que seria ideal ter todas as repetições, mas esta experiência começou a mostrar que não exibir tudo seria mais prudente", justificou o porta-voz da FIFA, Keith Cooper. A repetição de imagens poderia causar uma reacção mais violenta dos adeptos nos estádios, defendeu ainda, acrescentando: "E a nossa prioridade será sempre a segurança."


Cooper contou um episódio vivido por Blatter que o terá feito mudar de opinião em pouco mais de uma semana. De acordo com esta versão, o presidente da FIFA terá acompanhado uma partida num dos estádios do Mundial e notou que as decisões do árbitro provocavam uma reacção contundente dos adeptos nas bancadas logo após a repetição nos ecrãs. O porta-voz recusou adiantar qual foi o encontro e garantiu apenas que a decisão de proibir as repetições não está relacionada com os erros de arbitragem nem com a enorme pressão que os árbitros desencadearam para anular a medida.


A decisão de exibir nos estádios as mesmas imagens transmitidas pelas televisões foi tomada pessoalmente por Blatter logo no arranque do Mundial. Na altura, o porta-voz da FIFA, o mesmo Keith Cooper que agora defende o contrário, avançou um argumento que tinha sido sempre rejeitado na Europa. “Não parece possível privar uma pessoa de ver as imagens nos estádios quando gastou 60 ou 100 dólares [70 a 110 euros] por um bilhete enquanto os outros adeptos podem ver pela televisão tudo o que acontece em repetições de mil ângulos diferentes. E tudo sem gastar um centavo.


Claro que o motivo da decisão era outro. A insistência dos patrocinadores que comercializam este género de tecnologia foi determinante. E nada melhor que o Mundial para tentar vender o produto noutros mercados. Para estas empresas seria ruinoso perder uma montra tão importante. Pelos vistos, a pressão dos árbitros resultou em cheio. Quem pretender ver repetições terá mesmo de ficar em casa.
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