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Correio da Manhã

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Fôlego da primeira parte garante vitória portista

Um golo único de Postiga foi o suficiente para o FC Porto somar os três pontos em Belém, num jogo com pouca história, de sentido único e com uma fraca oposição do Belenenses, que não obrigou o campeão a empregar-se a fundo.
27 de Novembro de 2006 às 00:00
Gaspar, adaptado a lateral-direito, tenta travar Quaresma, um dos melhores portistas em campo
Gaspar, adaptado a lateral-direito, tenta travar Quaresma, um dos melhores portistas em campo FOTO: António Cotrim, Lusa
Se o FC Porto entrava com o onze do costume, já o Belenenses fazia várias modificações. Jorge Jesus apostava em Gaspar como lateral-direito para marcar Quaresma, mais três médios (Sandro Gaúcho a marcar Lucho, Rúben Amorim sobre Raul Meireles e Zé Pedro tentando fechar o lado direito do ataque portista), enquanto Silas e Roma tentavam organizar o jogo e Manoel era o ponta-de-lança.
Jogo lançado em ritmo não muito elevado em que só Bosingwa teve espaço – talento e forma física – para dar umas sapatadas. O lateral-direito fez quase todo o jogo no meio-campo adversário e foi quem permitiu ao FC Porto ter mais capacidade de penetração em jogo aberto. Mas nos lances de bola parada o FC Porto criou muito perigo e marcou mesmo um golo de canto directo de Quaresma, em que Marco defendeu mal e para dentro. Quando a bola já tinha ultrapassado o risco, Postiga quis confirmar de cabeça, mas atirou contra o poste e o árbitro não deu golo. Aos 19’, noutro canto, foi Pepe quem atirou de pé direito levando a bola à barra exterior. O Belenenses conseguia algumas jogadas pelo meio e um remate de Zé Pedro levou algum perigo.
Mas antes de acabar a primeira parte o FC Porto chegou à vantagem, na sequência de um canto. A bola foi para fora da área, Paulo Assunção fez um balão lá para dentro e Bruno Alves saltou com Marco, já fora da pequena área, sem falta por isso. O guarda-redes socou a bola para a frente e Postiga, oportuno, desviou para a baliza.
A segunda parte não foi muito diferente e o FC Porto fez pouco para chegar ao segundo golo, pelo que ainda teve de sofrer um bocadinho com cantos e livres próximos da área – mas Helton não teve de fazer uma defesa em todo o jogo, enquanto Postiga e Quaresma podiam ter sentenciado o desafio. Para o FC Porto foi o jogo ideal depois de uma ‘final’ na Liga dos Campeões.
POSITIVO: BOSINGWA FRESCO
Num jogo quase de sentido único, Bosingwa fez uma exibição de mão cheia. Jogando quase sempre no meio-campo adversário, o defesa-direito parecia mesmo o único portista fresco depois da batalha de Moscovo. Quaresma esteve ao seu nível e parece ter marcado de canto directo que o árbitro não deu. Já Postiga voltou a ser decisivo. Raul Meireles está cada vez mais seguro, como seguros estão os centrais. O Belém está pobre – Dady ainda deu alguma alegria à equipa e algum movimento atacante, enquanto Zé Pedro teve os melhores remates.
NEGATIVO: BELENENSES SEM ARGUMENTOS
O Belenenses está pobrezinho: a defesa lá se vai safando e sofre poucos golos, mesmo com algumas deficiências que se vêem a olho nu. Manoel e Roma foram uma nulidade completa (Dady pelo menos corre mais e bate-se mais...) e o guarda-redes Marco não tem nos cruzamentos o seu ponto forte. No FC Porto, Lucho e Lisandro estiveram uns furos abaixo dos colegas, mas fica por se saber como é que o campeão só marcou um golo. Não sofreu muito, mas devia ter conseguido mais golos, mesmo considerando o defensivismo do Belenenses.
APONTAMENTOS
GOLO É LEGAL
O lance do qual resultou o único golo do jogo suscitou algumas dúvidas devido à posição irregular de Postiga no momento do passe. Contudo, a bola vai para Bruno Alves, que parte de uma posição legal para depois assistir Postiga, entretanto já em jogo. António Costa e Duarte Gomes (ex-árbitros) não têm dúvidas: “Após a recepção de Bruno Alves nasce outro lance. Postiga, quando recebe a bola, já não está ‘off-side’.”
JUSTO, DIZ JESUALDO
Jesualdo Ferreira, técnico do FC Porto, admitiu que a vitória da sua equipa não foi construída de forma brilhante “mas foi inteiramente justa”. “Não fomos tão fulgurantes como temos sido noutros jogos, também por culpa do Belenenses. Marcámos na primeira parte e controlámos na segunda.”
JESUS COM DÚVIDAS
O técnico do Belenenses disse ter ficado “com muita dúvidas no lance do golo do FC Porto”. Explicou ainda que a a sua equipa esteve bem, excepto “na zona de decisão”.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio do Restelo, em Lisboa (7.000 espectadores)
Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria)
BELENENSES: Marco Gonçalves, Gaspar, Rolando, Nivaldo, Rodrigo Alvim, Sandro Gaúcho, Rúben Amorim (Cândido Costa, 63m), José Pedro, Silas, Roma (Eliseu, 56m) e Manoel (Dady, 73m). Treinador: Jorge Jesus.
FC PORTO: Helton, Bosingwa, Pepe, Bruno Alves, Fucile, Paulo Assunção (Ibson, 46m), Lucho Gonzalez, Raúl Meireles, Lisandro Lopez, Hélder Postiga (Bruno Moraes, 69m) e Ricardo Quaresma (Alan, 86m). Treinador: Jesualdo Ferreira.
Marcador: 0-1, Hélder Postiga (41m)
Acção disciplinar: cartões amarelos - Rúben Amorim (20m), Paulo Assunção (24m), Rodrigo Alvim (50m), Nivaldo (83m), Sandro Gaúcho (87m) e Ibson (90m)
Melhor jogador: Bosingwa
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