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"Um encapuzado atirou uma tocha na minha direção": Varandas sobre ataque a academia do Sporting

Presidente do Sporting vai testemunhar no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Correio da Manhã 7 de Fevereiro de 2020 às 07:27
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.
Frederico Varandas testemunha no julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.

16h05 - Dia 14, sexta-feira, de manhã será ouvido Sousa Cintra, arrolado pelos arguidos de Aníbal Pinto.
À tarde as testemunhas de Bruno de Carvalho, incluindo Alexandre Godinho (ex-vogal CD), atletas e ex-atletas - Carlos Carneiro, Ângelo Girão, João Pinto e Miguel Maia. Para dia 18 está previsto o depoimento de mais testemunhas de Bruno de Carvalho, incluindo Carlos Vieira.

16h00 - Na próxima semana, terça-feira, dia 11, de manhã serão ouvidas as testemunhas de Bruno Jacinto
e à tarde as de Valter Semedo. Quarta-feira, dia 12, presta depoimento o arguido Tiago Neves, seguindo-se as testemunhas deste arguido. À tarde será a vez das testemunhas de Emanuel Calças.

12h55 -
Petrovic não está disponível, Fredy Montero também não, por isso esta tarde, a partir das 15h30, a sessão será retomada com testemunhas de defesa do arguido Bruno Monteiro.

12h00 -
Termina o julgamento no Tribunal de Monsanto. A sessão será retomada na parte da tarde.

11h19 - 
Frederico Varandas fala da tensão vivida entre adeptos e a equipa leonina, dizendo nunca ter visto "nada assim". "Uma vez na garagem de Alvalade, o Jorge Jesus teve de ir acalmar os ânimos entre adeptos e jogadores. Não achei normal um elemento da claque abordar tão próximo um jogador e insultá-lo. Nunca vi os adeptos atirarem tochas para cima do guarda-redes", lamenta.

10h55 -
"Nunca tinha assistido a uma desunião tão grande entre adeptos e equipa. A tensão entre eles era crescente. (...)  Muitos daqueles jogadores são miúdos, Bas Dost não foi o único. Muitos deles não viviam cá, não têm cá família e não conheciam bem a realidade. Infelizmente vao viver com isto para sempre", atira.

10h54 -
Durante a reunião, Varandas recorda que Bruno de Carvalho disse que o treino do dia seguinte iria acontecer às 16h00, e não de manhã, como estava previsto. 

10h44 -
O presidente leonino recorda que depois da reunião de Bruno de Carvalho com equipa técnica, Jorge Jesus lhe ligou a dizer que tinha sido despedido.

10h39 -
Varandas fala agora da reunião com o staff e a direção do Sporting, no dia anterior ao ataque à acadmeia. "Estava o staff, o departamento clínico, secretários, técnicos, roupeiros, Manuel Fernandes, Guilherme Pinheiro, Bruno de carvalho e André geraldes. Cerca de 20 pessoas. (...) Acho que o objetivo era amedrontar os funcionários. A reunião foi surreal. Bruno de Carvalho disse logo que estava farto e acrescentou: 'Estou farto que me enfiem o dedo no c*. Daqui para a frente tudo vai mudar. Quero toda a gente no treino de amanhã à tarde. Amanhã aconteça o que acontecer quero ver quem fica comigo'. Interpretei que algo de anormal ia acontecer", explica.

10h38 -
"O Bas Dost contratou um segurança privado para ter à porta de casa. Era um jogador que não tinha ultrapassado aquilo", afirma. Recorda o jogo na Madeira: "No final do jogo vejo o plantel agradecer aos adeptos que estavam no topo e os adeptos insultarem os jogadores. Quando entrámos na zona do aeroporto tivemos de mostrar o Cartão de Cidadão e estavam os jogadores a mostrar bilhete e alguns da claque literalmente ao lado dos jogadores, o que não é nada normal. O Fernando Mendes parecia estar alcoolizado e começou a meter-se com o Acuña. Pousei o meu trolley de viagem e fui lá separar a discussão entre o Battaglia e os adeptos. O Mendes ameaçou os jogadores e insultou-os", continua.

10h34 - 
 Questionado sobre o ambiente na final da Taça de Portugal, Frederico Varandas recorda: "Era sinceramente um terror. Não quiseram fazer estágio. Juntámo-nos num hotel em Cascais. Senti-os com vontade, queriam vencer aquele jogo mas do ponto de vista emocional não estavam minimamente preparados. À primeira adversidade iriam cair e foi o que aconteceu", conta. 

10h33 -
"Até ao dia do treino, os jogadores treinaram por si a sua condição física. Uns retiraram se para o Norte...Disponibilizei a minha clínica para alguns jogadores irem lá, entre os quais João Palhinha e Bruno Fernandes. Iam lá para não perder o condicionamento físico. Isto porque não queriam voltar à academia. Para muitos o jogo já não interessava...", responde Varandas.

10h29 -
Frederico Varandas começa a ser interrogado pelo advogado do Sporting: "Neste dia, os jogadores transmitiram sentimentos de pânico. Mas a seguir, durante o resto do dia, qual era o sentimento da equipa e da equipa técnica?", questiona Miguel Coutinho. "Imediatamente a seguir o sentimento era de revolta, de pânico, estavam todos completamente chocados com o que tinha acontecido. Como estávamos numa semana em que íamos disputar uma final, os jogadores recusaram-se a regressar à academia. Nessa altura ninguém pensava muito no jogo, sou sincero. Só lá para quinta é que o treinador me pediu para tentar convencer os jogadores de que tínhamos um jogo importante para disputar. Depois os capitães decidiram treinar só na véspera", afirma.

10h21 -
Elton Camará abandona o Tribunal de Monsanto após ter informado a juiza, ao início da sessão, que se estaria a sentir indisposto.

10h17 -
"O vestiário estava virado do avesso, as marquesas estavam viradas do avesso. (...) Vi um garrafão da água virado ao contrário, roupas espalhadas no chão e vários jogadores em pânico, entre os quais Acuña e Rui Patrício", afirma. "Entro nos departamentos e vejo mais gente. O [Jorge] Jesus tinha um ferimento no lábio. Quando volto vejo que o Mário Monteiro tinha uma queimadura na camisola. Regresso à enfermaria e vejo que o Bas Dost estava a acabar de ser suturado".

10h13 -
O presidente leonino recorda o momento em que voltou a fazer o percurso de volta para o balneário: "Ouvi mais ruído mas daquela vez era das pessoas a sair. Já não voltei a encontrar ninguém. Depois de se irem embora vejo que alguns jogadores estavam refugiados no ginásio. Mas não estava ninguém ferido", afirma.

10h11 - 
"De relance vi uma pessoa de cara destapada. Nunca o vejo de frente, só de lado, tinha um gorro.Com um gorro. Na sala observei o ferimento do Bas Dost. O Dr. Virgílio ficou com o Dost e eu voltei a sair para saber se existiam mais feridos. Nunca cheguei a entrar no balneário", continua.

10h03 -
Varandas continua a recordar o dia de terror: "Vi pessoas a caminhar lá dentro encapuzadas. Vi o Virgílio Abreu completamente alterado com o que se estava a passar. Fui com o Bas Dost e o Monteiro para a sala de enfermagem. A minha prioridade foi acompanhar o jogador", avança. Recorda ainda uma frase que ouviu: "Não ganhem o próximo jogo e vão morrer".

10h00 -
"De repente vi uma fumarada tremenda. No balneário, a visibilidade estava muito reduzida. Percebi que era das tochas e engenhos. Quando fui ao balneário vi um homem encapuzado a sair. Acendeu uma tocha e atira na minha direção. Eu desviei-me e acertou no Mário Monteiro que estava atrás de mim. (...) Continuo em direção ao balneário e vejo o Rollin Duarte a agarrar no Bás Dost de braço dado. Foi o primeiro jogador ferido que vi. Acompanhei-os até à sala de enfermagem", relata o dirigente leonino.

09h58 -
O atual presidente do Sporting recorda que na altura era diretor clínico do clube, função que acumulava desde agosto de 2011. Quando o ataque aconteceu, refere que estava no gabinete médico da Academia. "Chegava sempre uma hora antes do treino começar. Estava no gabinete e apercebi-me que algo de anormal estava a acontecer pelo barulho. Ouvi portas a bater, coisas a cair, murros e pontapés em portas", conta. "Entretanto, venho do gabinete que fica a uma certa distância do balneário, percorro o corredor e vejo algumas pessoas a correr em sentido contrário... Elementos da equipa técnica, por exemplo", continua.

09h57 - 
Elton Camará (Aleluia) sofreu uma indisposição ao início do julgamento. Juiza afirma que pode regressar ao Estabelecimento Prisional.

09h55
- Frederico Varandas começa a ser ouvido no Tribunal de Monsanto. Identifica-se com a profissão de médico militar.

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O presidente do Sporting, Frederico Varandas, é ouvido esta sexta-feira como testemunha no julgamento da invasão à academia do clube, em Alcochete, em 15 de maio de 2018, data em que chefiava o departamento médico dos 'leões'.

Frederico Varandas, que estava na academia quando um grupo de adeptos invadiu o espaço e agrediu vários elementos do plantel de futebol do Sporting, vai ser ouvido durante a manhã, pelo coletivo de juízes, presidido por Sílvia Pires.

O atual presidente do Sporting, eleito em setembro de 2018 depois da destituição de Bruno de Carvalho e de o clube ter sido liderado por uma comissão de gestão, foi diretor clínico dos 'leões' entre 2011 e 2018.

Ao longo do julgamento, que começou em 18 de novembro de 2019 e decorre no tribunal de Monsanto por questões de logística e segurança, já foram ouvidas mais de 60 testemunhas.

O processo tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, 'Mustafá', líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de autoria moral de todos os crimes.

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