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'Furacão' e 'Apito Dourado' caçam Benfica e Mendes

Negócio sobre Roberto escutado na investigação ao FC Porto.

12 de junho de 2011 às 00:30

A investigação às transferências de jogadores no Benfica – que só recentemente foi conhecida mas que já remonta ao ano passado – começou com escutas interceptadas no âmbito do processo ‘Furacão’ – a investigação de branqueamento de capitais no sistema bancário. Paralelamente, as escutas que tiveram como interlocutor o empresário Jorge Mendes e Bárbara Vara, sua colaboradora, e que diziam respeito ao negócio do guarda-redes espanhol comprado pelo Benfica – tal como o CM já noticiou –, estão no mesmo processo que levou no mês passado a PJ à Luz e foram apanhadas na investigação de branqueamento que tinha como alvo os azuis--e-brancos e que foram abertas na sequência do ‘Apito Dourado’. Foram extraídas certidões, e as suspeitas estão a ser investigadas pela unidade que combate o crime económico e financeiro da Polícia Judiciária.

Também o processo em que se investigam as transferências dos azuis-e-brancos – havendo igualmente suspeitas de branqueamento, fraude fiscal e burla – se encontram na mesma unidade da Judiciária, depois de a equipa liderada por Maria José Morgado ter sido extinta no ano passado. Os casos acabaram por se cruzar, e só agora estará tudo a ser unificado. Há muitas escutas que foram já "arquivadas" por ser difícil o seu enquadramento criminal. E dificilmente alguma vez poderão ser usadas para punir comportamentos disciplinares, já que a Justiça não as enviou para os órgãos desportivos.

Ainda segundo o CM apurou, também as secções do DIAP que coordenam estas investigações são diferentes. Por exemplo, no caso do Benfica, o processo principal encontra-se na 3ª secção, que é responsável pela investigação das burlas. O processo que visa o FC Porto está a cargo da área onde se investiga a corrupção. Nenhuma das investigações tem, para já, arguidos.

LUÍS DUQUE ACUSADO DE FRAUDE

Luís Duque, administrador da SAD do Sporting, foi recentemente acusado de fraude fiscal e branqueamento de capitais, no caso da transferência de João Pinto do Benfica para Alvalade em 2000. O jogador e o antigo director financeiro do clube também estão acusados.

EQUIPA DE 30 A INVESTIGAR

O procurador Rosário Teixeira, que já teve a seu cargo alguns dos maiores processos de fraude fiscal, lidera a investigação do processo ‘Furacão’ desde 2005. A equipa liderada pelo magistrado conta actualmente com 30 elementos, que investigam crimes de evasão fiscal e branqueamento de capitais. O último reforço na investigação ocorreu no final de 2009, com a entrada de dois magistrados. O objectivo era tentara acelerar a dedução das acusações.

TRANSFERÊNCIA DE JÚLIO CÉSAR

A transferência do guarda-redes Júlio César do Belenenses para a Luz é um dos negócios que estão também a ser investigados pela Polícia Judiciária. Durante as buscas realizadas, os inspectores apreenderam vários documentos relacionados com a transferência. Em causa está a suspeita de ter havido comissões no negócio liderado pelo advogado de Jorge Jesus.

NACIONAL SUSPEITO DE FRAUDES FISCAIS

Nasceu das certidões do ‘Apito Dourado’, foi investigado pela equipa liderada por Maria José Morgado, mas só agora entrou na sua recta final. O relatório da Polícia Judiciária está concluído e encontra-se já com o magistrado do DIAP de Lisboa que ultima a acusação. Estão em causa transferências de jogadores do Nacional da Madeira e o pagamento dos chamados ‘direitos de imagem’. O CM sabe que o processo tem mais de 30 arguidos, entre eles José Peseiro, que chegou a treinar o clube insular. Não é líquido que o treinador venha a ser acusado.

As suspeitas são em tudo semelhantes ao negócio feito pelo Sporting no caso de João Pinto. Nessa situação, as autoridades acreditam que o jogador recebeu o prémio de contratação através daquela ‘figura desportiva’, como forma de não pagar impostos. Foram detectadas depois transferências de dinheiro por vários paraísos fiscais da Europa, o que levou a Justiça a acusar os envolvidos de branqueamento de capitais e fraude fiscal. Nessa situação, também José Veiga, que terá negociado a aquisição do atleta por parte dos leões, vai ser julgado.

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