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Correio da Manhã

Desporto
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FUTEBOL CLUBE DO PORTO JÁ NÃO É O QUE ERA

Quatro derrotas em apenas 13 jogos e 14 golos sofridos não permitem outra conclusão: este Porto já não é o que era. A partir de agora é preciso olhar para a Superliga partindo deste ponto de vista. E esquecer Mourinho.
30 de Outubro de 2004 às 00:00
FUTEBOL CLUBE DO PORTO JÁ NÃO É O QUE ERA
FUTEBOL CLUBE DO PORTO JÁ NÃO É O QUE ERA
Em apenas dois meses, Fernández perdeu duas competições, está em sérias dificuldades na Liga dos Campeões e nem ao ganhar em casa do principal rival convenceu. A origem do mal parece diversa. Um treinador que ainda conhece mal o campeonato e os jogadores de que dispõe. Um plantel renovado. Um ou outro adversário mais preparado. Dois ou três momentos de infelicidade. Mistura-se tudo com opções erradas de Fernández e temos um FC Porto menos poderoso.
À sétima jornada, o campeão está por dentro do campeonato, mas não assusta. Quem arriscar previsões deve fazê-lo, daqui para a frente, com o FC Porto que existe e não com aquele que entusiasmou a Europa. São bem distintos, de resto.
Além de factores outros, creio que Fernández comete um erro de base: entusiasma-se de mais. Como os miúdos a quem presenteiam com uma inesperada bicicleta, muito brilhante, muito bonita, mas que se não for conduzida com cuidado também os atira ao chão. Como as demais.
Este FC Porto parece demasiado atirado para a frente, demasiado empenhado em demonstrar em todos os locais, a cada minuto, que é o campeão europeu. Nem com Mourinho o FC Porto foi uma equipa de ataque tão fácil, capaz de deliciar quem gosta de futebol. Agora, com Fernández, a equipa é descuidada atrás, menos esforçada no meio e apesar de aparecer mais na grande área do adversário, nem por isso igualmente eficaz.
O FC Porto ataca de mais? Sim. Sem que isso signifique capacidade de encostar o adversário próximo da baliza e com um problema grave: o desequilíbrio da equipa, o que resulta em golos. Dos adversários.
O grande FC Porto acabou? Não necessariamente. Mas está diferente, já não é o que era. O de Mourinho descansava com a bola, este corre com ela. O outro asfixiava o adversário, paciente, sádico. Este tem pressa de ganhar. O outro baseava--se na defesa e no rigor do meio-campo. Este nasceu convencido da imponência das opções de ataque e por isso sai de alguns jogos sem perceber como é possível ter os melhores e mesmo assim perder. Sim, o F.C. Porto já não é o que era. E, pior do que isso, ainda não se parece com o que Víctor Fernández gostaria que fosse.
Por tudo isto, o jogo de logo à noite, na Madeira, é fundamental. Depois de Guimarães, e antes do PSG, um mau resultado retiraria um dos bens essenciais a qualquer treinador: o tempo.
Do outro lado vai estar a equipa mais misteriosa da Superliga: o Nacional perde sempre fora da ilha, ganha tudo na Madeira. Fernandez podia desejar melhor.
FIGURA: E SOKOTA?
Na semana passada, Trapattoni esqueceu-se de Sokota num treino e explicou a ausência do croata em duas partidas consecutivas dizendo que dois pontas-de-lança por jogo eram suficientes. Depois do que Sokota fez, do golo de Karadas e da prestação europeia de Nuno Gomes, como vai ‘Trap’ gerir a abundância?
NÚMERO: DOIS GOLOS POR JOGO
A média, notável, pertence ao V. Setúbal. Curiosamente, uma equipa que joga sem ponta-de-lança fixo e com dois trincos. No futebol, as leituras lineares são sempre perigosas.
E OS OUTROS? SLB E SCP, A CONFIRMAÇÃO
O Benfica está a confirmar esta época o ponto forte do ano passado: sente-se bem fora de casa. O Sporting ganhou bem os últimos dois encontros e o mínimo que se lhe pode exigir é que some três pontos em Penafiel.
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