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Correio da Manhã

Desporto
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FUTURO TRAZ ALTERAÇÕES RADICAIS

A UCI (União Ciclista Internacional) está a encontrar sérias dificuldades para dar concretização ao projecto ProTour, da autoria do seu presidente Hein Verbruggen, para vigorar já para o próximo ano.
19 de Outubro de 2004 às 00:00
Para a compreensão dos fundamentos da proposta da UCI e das suas implicações, importa salientar que o quadro competitivo assenta no Circuito ProTour cujo calendário é constituído por três dezenas de corridas, limitada a vinte equipas profissionais de alto nível, enquanto os grupos que ficam de fora são classificados como continentais, nacionais, regionais e de clube.
Para aceder a esta liga milionária é necessário cumprir requisitos de elevado teor económico, tais como uma licença de quatro anos, que supõe um encargo de 100 mil euros, e o pagamento de uma quota anual no montante de 45 mil euros.
No que toca a Portugal, será mantido o quadro competitivo dos últimos anos em cujas corridas todas as suas equipas podem participar, com a excepção da Milaneza-Maia (única inscrita como Profissional)) que não pode disputar provas não inscritas na UCI, mas tem ainda a possibilidade de correr provas ProTour para as quais seja convidada.
Por seu lado a LA-Pecol, que toma a designação de LA-Liberty Seguros, como equipa Continental, não poderá correr em provas do ProTour, mas pode participar em corridas da Classe 1 e em todas do calendário nacional.
As restantes equipas das extintas 2.ª e 3.ª Divisões, passam ao escalão de Continentais, podendo ter um mínimo de oito e um máximo de doze ciclistas, todos com menos de 28 anos, e disputar as provas do calendário nacional.
Face ao que aí vem já em Janeiro julgamos ser já altura de ser feito entre nós aquilo que já está a ser feito na vizinha Espanha, e também noutros países, ou seja estabelecer as condições que vão ser exigidas às chamadas equipas Continentais, classe de transição entre o profissionalismo e o amadorismo, e fixar o número máximo de equipas deste nível para 2005, bem como o número de corredores com contrato laboral em cada equipa, os limites de idade, a composição do ‘staf’ técnico e logístico, e o valor das taxas de filiação, sabendo-se que os contratos anuais deverão ser avaliados em 25% do orçamento mínimo a indicar. Tudo isto terá de ser analisado e debatido entre a Federação, representantes dos ciclistas, organizadores de corridas e directores de equipas. O tempo urge.
NOTAS À MARGEM
LIGA MILIONÁRIA
Já estão aceites na ProTour as seguintes equipas: Liberty Seguros, Illes Baleares-Banesto, Euskaltel-Euskadi e Saunir Duval-Prodir (espanholas); Cofidis, FdJeux.com, Crédit Agricole e La Boulangère (francesas); Liquigas, Fassa Bortolo, Saeco-Lampre, e Domina Vacanze (italianas); Quick Step e Davitamon-Lotto (belgas); Gerolsteiner e T.Mobile (alemãs); Discovery Channel, ex-US Postal (EUA), CSC (dinamarquesa), Rabobank (holandesa) e Phonak (suiça).
OBJECTIVOS
Com o projecto ProTour, a UCI teve em vista atingir três objectivos: 1 - Tornar o Ciclismo mais atractivo. 2 - Estimular o interesse junto dos investidores, assegurando uma maior cobertura televisiva. 3 - Contribuir para o desenvolvimento do ciclismo em todos os Continentes.
ALÉM DO PROTOUR
O ciclismo que fica de fora do ProTour, o conjunto das competições dos calendários nacionais e das restantes equipas, uma e outras classificadas de acordo com os novos critérios definidos pela UCI, continua acessível às equipas portuguesas, embora, a partir de 2005, estas passem a contar para um ‘ranking’ próprio.
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