Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto

GAMITO ESTÁ DE VOLTA

Um pacto de conveniência ditou um final de etapa em clima de solidariedade com a vitória de Vítor Gamito e a camisola amarela a passar para a posse de Rui Lavarinhas
12 de Agosto de 2003 às 00:00
Foi evidente a existência de um ‘pacto de não agressão’ entre os dois homens da frente, que permitiu a Vítor Gamito (Cantanhede), sem menosprezo para a sua excelente prestação, vencer a etapa de ontem, de 136,5 km, entre Fundão e Gouveia, enquanto o seu parceiro de fuga, Rui Lavarinhas (Milaneza), registava uma vantagem suficiente para arrebatar a camisola amarela ao jovem Nuno Ribeiro (LA-Pecol), que fez tudo o que estava ao seu alcance para a defender.
Com seis dias de competição, a Volta conheceu ontem o seu quinto líder e novo guia da montanha, o que traduz bem a luta renhida travada até aqui, e deixa antever boas perspectivas para as próximas etapas, em particular a que termina no alto da Senhora da Graça, depois do retemperador dia de descanso de hoje e das duas etapas, relativamente suaves, que se seguem, podendo a incerteza prolongar--se até ao sempre decisivo contra-relógio individual do último dia, em Viseu.
Ontem ficou claro que a equipa da Maia teve capacidade física e psíquica para reagir àquilo que foi considerado um descalabro perante a dureza da dupla escalada para as Penhas e para a Torre, pois, nos mesmos terrenos agrestes, da Serra da Estrela, lançou na árdua tarefa de desafiar o camisola amarela precisamente o homem que, na véspera, sofrera maior revés, o suíço Fabian Jeker, tendo por companhia Rui Lavarinhas, um dos corredores que Manuel Zeferino tinha em posição de ‘xeque-mate’ ao líder.
Perante esta ofensiva, Américo Silva adoptou para a LA-Pecol uma estratégia muito semelhante, sobretudo depois que Vítor Gamito, a fazer lembrar os seus velhos tempos, se juntou ao trio da frente, altura em que Américo Silva destacou Bruno Castanheira, Orlando Rodrigues, Pedro Andrade e até Cândido Barbosa para o exigente trabalho de reduzir a diferença que os fugitivos conquistaram e que colocava em risco a camisola amarela de Nuno Ribeiro.
Assim se reduziu o número de unidades no pelotão, e assim a LA-Pecol fez descolar Claus Möller, o outro adversário perigoso da Milaneza, que veio a perder 23s para o destronado líder, separado do novo camisola amarela por apenas 17 segundos.
Neste duelo entre a Milaneza e a LA-Pecol, deve destacar-se o trabalho realizado por Fabian Jeker e Orlando Rodrigues, que lutaram até à exaustão, depondo as armas de cabeça erguida e certos de terem cumprido a sua missão.
Uma nota ainda para Cândido Barbosa, que nos dois dias da Serra da Estrela revelou assinaláveis progressos na montanha.
Ver comentários