Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
3

Gil perde mas leva 12 500 € para casa

Número um português afastado em singulares na Catedral do Ténis, ficando confinado à variante de pares. O tecto do Centre Court teve de ser fechado devido à chuva.
21 de Junho de 2011 às 00:30
Frederico Gil perdeu (4-6, 1-6 e 4-6) diante do israelita  Dudi Sela
Frederico Gil perdeu (4-6, 1-6 e 4-6) diante do israelita Dudi Sela FOTO: Kerim Okten/Epa

O monarca francês Luís XV ficou famoso por proferir a célebre frase "Depois de mim, o dilúvio". Frederico Gil não é tão egocêntrico nem efectuou qualquer dança da chuva no All England Club – mas o certo é que, logo após a eliminação do português, os céus se abriram para uma pluviosidade contínua que afectou a programação da jornada inaugural da 125ª edição do mais famoso torneio de ténis do mundo.

Devido à inclemência meteorológica que se abateu sobre Londres, a partir do meio da tarde foi somente possível jogar no vetusto Centre Court graças ao tecto amovível instalado há dois anos. Ironicamente, a partir do momento que o mítico Centre Court passou a assumir características cabriolet a chuva fez uma única aparição esporádica em duas edições (2009 e 2010); desta feita, caiu em força e todo o investimento (mais de 100 milhões de euros!) ficou bem justificado. Foi já em recinto coberto que Francesca Schiavone concluiu vitoriosamente o seu complicado compromisso com Jelena Dokic e que Andy Murray precisou de quatro sets para levar de vencida Daniel Gimeno-Traver (Rafael Nadal já tinha ganho antes a Michael Russel no primeiro encontro do palco principal). Nos restantes campos não se jogou mais.

DUELO LILIPUTEANO

Frederico Gil defrontou Dudi Sela no Court 8, bem mais modesto do que qualquer dos show courts do recinto. E ainda não foi desta que a sua romaria anual à Catedral do Ténis lhe valeu o acesso à segunda ronda de Wimbledon: o número um português, actual 91º do ranking ATP, sucumbiu diante do israelita Dudi Sela (84º, mas já foi 29º) por 6-4, 6-1 e 6-4, no duelo com a média de alturas provavelmente mais baixa da primeira ronda do quadro principal masculino.

Gil, com 1m78, conseguiu quebrar precocemente o serviço ao opositor para chegar aos 2-0 e aos 3-1 no primeiro set. Mas depois Sela, do alto do seu 1m75, equilibrou a contenda e passou a dominar o debate a partir dos 4-4. “Entrei bem”, comentou o sintrense, “mas faltou-me consistência nos momentos importantes e ele jogou melhor. Nota-se que está com confiança pelos resultados que tem tido”. E de facto o israelita provou porque ganhou todos os três últimos torneios que jogou (três títulos Challenger consecutivos antes de efectuar a viagem até Londres), revelando-se sempre mais completo, mais acutilante e mais empreendedor: serviu melhor (quatro ases e 85% de pontos ganhos no primeiro serviço, contra nenhum às do luso e um êxito relativo de 68% no primeiro saque), aventurou-se mais vezes à rede e esteve excelente na sua pancada de esquerda paralela.

12 500 EUROS POR UM DESAIRE

“Senti-o bastante confiante no fundo do court, versátil, com pancadas de trajectória plana e correu bem para a frente para vir acabar os pontos à rede. Vê-se que está confiante. Serviu colocado e profundo. Fez sobretudo a diferença entre o final do primeiro set e no início do segundo”, analisou Frederico Gil. “Até me sentia bastante preparado para jogar em courts de relva depois de ter jogado a final do torneio de exibição de Liverpool, mais do que em edições anteriores. Mas não fiz um jogo bem conseguido”.

Foi a quarta derrota consecutiva de Frederico Gil na primeira ronda de Wimbledon – em 12 presenças em quadros principais de torneios do Grand Slam, o sintrense só este ano, no Open da Austrália e após um épico duelo em cinco sets, logrou vencer um encontro. Fica agora confinado à variante de pares, ao lado do espanhol Ruben Ramirez-Hidalgo; de qualquer forma, a sua participação esporádica no quadro de singulares ainda lhe valeu cerca de 13.000 euros (11.200 libras).

TÉNIS FREDERICO GIL WIMBLEDON
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)