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Correio da Manhã

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Gil vence maratona em Melbourne Park e está na segunda ronda

Finalmente Frederico! Há décima tentativa foi mesmo de vez. Aos 25 anos Frederico Gil vai, pela primeira vez, discutir a segunda ronda de um torneio do Grand Slam depois de, esta segunda-feira, ter derrotado Pablo Cuevas em cinco partidas. Ao todo, o sintrense precisou de 4h24m para levar de vencida o uruguaio 64º classificado da hierarquia mundial, impondo-se pelos parciais de 6-4, 6-7(7), 4-6, 6-3 e 9-7.
17 de Janeiro de 2011 às 15:38
Frederico Gil
Frederico Gil FOTO: Hugo Correia/Reuters

Ficou assim dado o mote perfeito para, durante a madrugada de hoje (hora de Portugal Continental), também Rui Machado tentar a sua sorte no Open da Austrália no seu embate ante o colombiano Santiago Giraldo. Ao CM, o algarvio revelou-se «confiante e preparado» para seguir as pisadas do compatriota Gil rumo à próxima jornada do primeiro Grand Slam da temporada, depois de uma sessão de treino na Rod Laver Arena junto com o seu amigo Marcel Granollers – o catalão que acabou “atropelado” pelo campeão de 2008, Novak Djokovic (6-1, 6-3, 6-1), logo na jornada inaugural. Em caso de vitória de Rui Machado – actual 90º do ATP World Tour –, pela primeira vez na história o ténis português terá dois representantes masculinos na segunda ronda de um Grand Slam.

É caso para dizer que Frederico Gil passou em definitivo uma borracha sobre a sua participação no Open da Austrália de há um ano. Na altura, integrado numa estrutura de treino diferente da actual e frente a David Ferrer, o actual 91º classificado do ranking ATP World Tour somou zero jogos, perdendo outros 14 antes de anunciar a desistência com um ligeiro incómodo no joelho. Desta feita, e mesmo tendo do outro lado da rede um opositor do calibre de Ferrer – ou seja, combativo ao máximo e nunca se dando por vencido –, o português surgiu com a lição bem estudada, novamente integrado na equipa de João Cunha e Silva, acompanhado nos Antípodas do técnico Gonçalo Nicau.

A primeira partida Frederico Gil resolveu com um único break no nono jogo e a segunda esteve a apenas um ponto de cair para o lado do luso na discussão do tie-break – isto depois de Gil ter tido serviço para fechar a 5-4. Reequilibrada a contenda, Pablo Cuevas aproveitou a confiança trazida do segundo set para fechar o terceiro, com Frederico Gil a arrancar a partir daí para um triunfo assente na garra e capacidade de sofrimento perante um adversário possante, mas que acabou por acusar em demasia a factura físico do duelo.

Duas idas aos balneários por parte de Cuevas marcaram o terceiro e quarto parcial, com o uruguaio a terminar o encontro com cãibras nas mãos, já depois de ter visto o número dois nacional assinar a única quebra de serviço do quinto set, no 15º jogo, fechando o resultado final ao terceiro match-point.

Sem aparentar grande desgaste físico, até pela adrenalina natural da vitória, Frederico Gil foi justo nos agradecimentos ao apoio compatriota vindo das bancadas do court 11 de Melbourne Park e mostrou-se “feliz pela vitória, a primeira num torneio do Grand Slam”. Um sentimento partilhado por João Cunha e Silva que, mesmo à distância, se regozijou pelo ultrapassar de “mais uma barreira e alcançar de um objectivo mais de carreira”. Em relação ao seu desempenho, Gil revelou-se “contente por estar a jogar mais solto e agressivo, o que acabou por contribuir de forma decisiva para o triunfo”. Por outras palavras, o tenista “teve de ir à procura do encontro frente a um opositor que prefere ‘partir a quebrar’ e ganhou com muito mérito um duelo bem jogado de parte a parte”, como explicou o técnico principal.

No caminho de Frederico Gil segue-se agora 12º classificado ATP World Tour, Gael Monfils, que, tal como o português precisou de cinco partidas para seguir em frente. Num duelo de antigos líderes da hierarquia mundial de juniores, impôs-se o francês ao holandês Thiemo de Bakker pelos parciais de 6-7(5)2-6, 7-5, 6-2 e 6-1. Frederico Gil espera conseguir recuperar bem fisicamente, de modo a preparar-se para um “adversário muito sólido, rápido e experiente”. No entender de João Cunha e Silva, Monfils apresenta-se “num bom momento de forma, tendo estado também bem nos últimos grandes torneios. Deverá ser um caminho traiçoeiro o que tem pela frente o Frederico, mas acredito que irá preparar da melhor forma esse próximo embate”.

O registo de duelos directos entre Gil e Monfils oferece um triunfo ao gaulês, assinado no Challenger de Marraquexe (Marrocos) em 2008, na altura sobre terra batida e em três partidas (4-6, 6-3, 6-3). Fora esse frente-a-frente, é preciso recuar aos tempos juvenis para se registar uma vitória do português, embora a mesma tenha sido averbada ao lado de Leonardo Tavares, com ambos a levarem a melhor sobre Monfils e Jo-Wilfried Tsonga, na primeira ronda do torneio junior de Roland Garros (6-3 e 6-4).

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