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Correio da Manhã

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Gil Vicente indignado com possível descida à Honra

O presidente do Gil Vicente, António Fiúza, não quer acreditar que o clube que dirige vai ser despromovido à II Liga, na sequência do caso Mateus. “Isto é uma vergonha, uma campanha que estão a fazer contra o Gil, porque isto é tudo uma mentira. Nós estamos cientes da nossa razão, estamos com tranquilidade a aguardar pelo desfecho”, garante o líder gilista.
7 de Junho de 2006 às 00:00
O jogador angolano Mateus está no centro de toda a polémica
O jogador angolano Mateus está no centro de toda a polémica FOTO: Simão Filho/Record
A Comissão Disciplinar (CD) para já rejeitou o acórdão que tinha sido preparado e que era favorável ao Gil (dois membros votaram contra, um a favor, o quarto faltou), na sequência da participação apresentada pelo Belenenses, que é o beneficiado directo podendo manter-se na I Liga. Na sexta-feira haverá nova reunião da CD e, provavelmente será votado o novo acórdão, em princípio penalizando o clube de Barcelos.
A CD entende que o Gil violou o artigo 63.º do Regulamento Disciplinar da Liga ao recorrer aos tribunais civis para inscrever o avançado angolano Mateus. O Gil, através do seu advogado Pedro Macieirinha, pediu de manhã à Liga uma resposta por escrito sobre as notícias que sairam. Ao fim da tarde, a Liga respondeu que ainda não foi tomada nenhuma decisão.
O Gil poderá recorrer para o Conselho de Justiça da Federação, se a decisão lhe for desfavorável de facto. O que irá fazer, apresentando um documento, recebido da FPF na altura da inscrição, em que lhe é sugerido o recurso aos tribunais civis.
António Fiúza recorda que este não foi um caso estritamente desportivo, mas de direito ao trabalho e estranha que a regulamentação desportiva tenha supremacia sobre a legislação do País.
O jogador, que está na Alemanha para o Mundial, foi parco em palavras. “Não sei de nada, vou primeiro inteirar-me das coisas”, disse Mateus, que na última época trocou o Lixa pelo Gil, mas viu inicialmente a sua inscrição recusada porque tinha o estatuto de amador, facto que mereceu posterior recurso para os tribunais civis num acto que agora a Liga vem censurar.
SÓCIOS E ADEPTOS SERENOS
Entre os adeptos do Gil, apesar de alguma apreensão, há serenidade. Dizem mesmo acreditar na palavra do presidente, que sempre garantiu não ter sido o clube a recorrer os tribunais civis, mas sim o atleta.
Por outro lado, questionam “como será possível dar agora razão ao Belenenses, depois de o Setúbal ter visto recusados os fundamentos em protesto apresentado antes” – como frisou o sócio José Moreira, acrescentando ainda que “o Belenenses não tem razão alguma em apresentar um protesto depois de ter perdido os dois jogos com o Gil”. “Ganhar na secretaria é ter mau perder”, diz o colega António Martins, mas defende que é melhor “manter a calma”.
'PASSO NO CAMINHO DA JUSTIÇA'
O presidente do Belenenses, Cabral Ferreira, revelou ontem que o clube ainda não foi notificado pela Comissão Disciplinar da Liga mas reagiu com satisfação às notícias de que o ‘Belém’ pode afinal não descer. Ainda não fomos notificados mas, a ser verdade o que vem na Comunicação Social, é um passo dado na reposição da legalidade e da justiça no futebol português e um indicador muito importante de que a justiça está a ser feita”, disse.
Cabral Ferreira salientou que houve vários clubes prejudicados no processo. “É preciso ter em conta que neste caso também estiveram envolvidos outros clubes. O Setúbal, cujo processo foi arquivado, e mal arquivado, a Académica, que continua os seus trâmites legais, e o Belenenses. Todos os clubes acabaram por ser prejudicados pela falta de ética de um clube ao inscrever jogadores quando não o podia ter feito. Vitórias em campo anti-regulamentares não podem ser consideradas vitórias em campo”, disse. Refira-se que o Belenenses seria o beneficiado em caso de descida do Gil porque foi a melhor classificada entre as equipas que terminaram a Liga nos lugares de despromoção.
O QUE DIZ O ARTIGO 63º
Os clubes que, salvo nos casos directa, expressa e legalmente previstos, submetam aos tribunais a apreciação de questões contidas na regulamentação desportiva serão punidos com pena de baixa de divisão.
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