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Correio da Manhã

Desporto
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GUARDIÃO AOS 46 ANOS

Saul Rodrigues, 46 anos, guarda-redes do Clube Desportivo de Izeda, no concelho de Bragança, é um exemplo raro de longevidade e tenacidade desportiva pela motivação que todos os domingos coloca em campo na defesa do seu clube, onde, para além de jogador, é ainda treinador-adjunto e director.
27 de Abril de 2003 às 00:00
"Não sei explicar a razão porque continuo a ter forças para continuar a entrar em campo na companhia de jovens que podiam, pela idade, ser meus filhos. A vontade e o gostar de jogar futebol, o ter tido sempre, ao longo dos anos, uma vida muito regrada (nada de noitadas, ambientes de fumo, ou bebedeiras), aliada ao facto de nunca ter sofrido lesões graves, pode ajudar a explicar a razão porque continuo a jogar".
Mecânico de profissão, Saul Rodrigues, natural de Rebordãos, começou a jogar futebol federado aos 18 anos em clubes das redondezas da sua aldeia. Na altura em que cumpria o serviço militar, com 20 anos, foi jogar a Izeda onde conheceu aquela que é hoje a sua esposa, casou-se, fixou-se, e a sua dedicação ao Izeda foi tão grande que, durante mais de 25 anos, tudo fez e faz para que o clube se mantenha activo "para que os jovens tenham possibilidade de terem onde ocupar os seus tempos livres e não caírem em más tentações".
O facto de ser o atleta mais idoso a disputar o Campeonato da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Bragança (e quem sabe, se calhar dos mais velhos a competir em provas federadas a nível nacional) dá-lhe o estatuto de ser tratado com muito respeito pelos colegas e adversários. Várias vezes, no final de cada época, lhe perguntam se "é este ano que arrumas as luvas?", ao que por norma responde: "Se o Izeda precisar de mim estarei sempre pronto. Não depende de mim jogar, até porque entendo que se deve dar oportunidade aos mais novos mas, já sei como é nestas coisas do futebol regional, na hora da verdade, os jovens abandonam (o futebol nestes clubes é feito de carolice absoluta, onde só falta pagar para jogar) e o ‘velho’ tem de ocupar o seu posto, porque sabem que durante o ano me cuido para estar em forma".
Ao CM, Saul Rodrigues deixou escapar uma inconfidência: "se não tiver qualquer lesão grave espero jogar ainda mais cinco ou seis anos, porque me sinto com forças para isso. Mas, se não jogar, servirei com a mesma dedicação de sempre o clube e ajudarei a lançar jovens com vista o futuro".
SACALHAR PENDURA AS BOTA
Sacalhar, actualmente com 49 anos, é provavelmente o mais antigo jogador de campo no activo. Hoje, no entanto, será o dia em que este veterano ‘pendura as botas’ e diz adeus a uma vida carregada de emoções, golos, derrotas e vitórias e que teve início há 35 anos. Será na sua terra natal, o Ciborro (Montemor-o-Novo), que Filipe Manuel fará a despedida do terreno de jogo, quando a sua equipa, o Valenças, defrontar o Oriola, na última jornada da Divisão de Honra de Évora. Completa-se assim o ciclo de uma vida dedicada ao futebol em que este médio ofensivo, dotado de um pé esquerdo anormalmente habilidoso, usufruiu sem nunca ter tido nenhuma lesão grave que o impedisse de representar 10 clubes.
Esta história de longevidade começou na temporada de 67/68, altura em que Filipe Manuel é inscrito no U. Montemor. Mais tarde viria aquela que considerou ser a sua ‘época dourada’, entre 77 e 81, ao serviço do Lusitano de Évora, como profissional. Agora, chegou a hora de ‘arrumar as chuteiras’ e dar lugar aos novos, entre os quais o seu filho, um dos colegas da equipa. “Para mim é um grande orgulho e só espero que ele tenha a mesma sorte do que eu, já que nunca sofri nenhuma lesão grave”. Filipe Manuel, o Sacalhar como é mais conhecido, prepara-se agora por enveredar pela carreira de treinador. Faz 50 anos no próximo dia 4 de Julho.
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