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Correio da Manhã

Desporto
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HABITUADO À POLÉMICA

Na mira dos dirigentes do Benfica, sobretudo por duas decisões polémicas na segunda parte, Olegário Benquerença manteve-se ontem longe dos holofotes e as críticas violentas lançadas por José Veiga e Luís Filipe Vieira, logo no final da partida, esbarraram, como é hábito entre os árbitros portugueses, num muro de silêncio.
19 de Outubro de 2004 às 00:00
Em dia de aniversário, celebrado com amigos e familiares, Olegário Benquerença escolheu não atender o telefone para comentar a noite de domingo e não terá ido sequer ao escritório de seguros de que é sócio, na Batalha. “Não está, nem vai passar hoje”, disseram ao CM no local.
A casa onde reside em Mourã, na freguesia da Barreira, Leiria, também não guardava resposta às acusações benfiquistas. Benquerença não estava e o único comentário ouvido, através do intercomunicador, veio da mãe. “Ele já está habituado”, afirmou D. Almerinda, referindo-se a toda a polémica que marcou o clássico, prometendo assinalar o aniversário do filho com uma prenda simples, mas sentida: “Um beijo”.
Entretanto, segundo a SIC, Benquerença vai agora processar o administrador da SAD ‘encarnada’, José Veiga, devido às afirmações do dirigente após o jogo.
Aos 35 anos, o juiz efectua a 15.ª época na arbitragem. Subiu à 1.ª categoria em 1995, descendo no final da época para voltar a ser promovido em 1997. A ascensão a internacional veio em 2001. O ano passado classificou-se no 11.º lugar no ‘ranking’ da arbitragem. Com fama de homem sério e não influenciável, o leiriense é tido como simpatizante do Sporting. Apesar de já ter mais de 70 jogos dirigidos na divisão maior, o Benfica-FC Porto de domingo é apenas o segundo clássico da carreira, sucedendo ao FC Porto-Sporting (4-1) do época passada.
LUÍS GILHERME DISPONÍVEL PARA MUDAR
Luís Guilherme, presidente da comissão de arbitragem da Liga, defendeu ontem que os lances mais contestados do clássico eram de “difícil julgamento” e disse estar disponível para a mudança. “Há muita coisa no futebol português que tem de melhorar, passando pelas declarações dos dirigentes, que criam climas complicados de controlar. Estamos disponíveis para repensar todo o sistema de arbitragem em Portugal”.
UM CLÁSSICO ESTRAGADO
GILBERTO MADAÍL: ESPERAVA MAIS APÓS O EURO'2004
“Depois deste Benfica-FC Porto não sei como se motivam as pessoas para ir aos estádios. O Benfica tem direito a fazer o que entender, tal como o FC Porto. Agora há situações em que o futebol português, do ponto de vista do dirigismo, técnicos e jogadores, devia ser obrigado a reflectir. Esperava uma melhoria depois do Euro’2004. Os incidentes de ontem não se podem comentar e só merecem a minha tristeza.”
CUNHA LEAL: É BOM QUE NÃO SE PASSAE DOS LIMITES
“Não vou comentar as declarações dos dirigentes, porque somos nós, Liga Portuguesa de Futebol Profissional, que organizamos a competição. Mas é normal as coisas passarem-se assim no futebol, as declarações dos responsáveis fazem parte disto. No entanto penso que existem parâmetros. Todos nós sabemos que o futebol é polémico, mas é bom que não se ultrapassem os limites de uma saudável polémica”.
VÍTOR REIS: DIRIGENTES ESTÃO A MATARO FUTEBOL
“Em relação à actuação do árbitro não faço comentários, por questões éticas. Quanto aos acontecimentos que envolveram o jogo, lamento que os dirigentes estejam a matar o futebol. Estes dirigentes são os coveiros do futebol português. Lamentamos que se entre pelo insulto pessoal e soez. A APAF tinha apelado à contenção verbal antes do jogo mas infelizmente o nosso pedido caiu em saco roto”.
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