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Correio da Manhã

Desporto
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Hélder Rodrigues bisa

Hélder Rodrigues, de 27 anos, viveu ontem um dia histórico na Mauritânia ao vencer a etapa disputada à volta de Nema subindo ao sexto lugar da geral. Foi o segundo triunfo neste Dacar do ‘motard’ de Sintra, que já vencera a segunda tirada, ainda em Portugal.
17 de Janeiro de 2007 às 00:00
Hélder Rodrigues: 'Não quero correr riscos até Dacar'
Hélder Rodrigues: 'Não quero correr riscos até Dacar' FOTO: aifa
Dedicado ao motociclismo desde os 15 anos, Rodrigues é hoje um piloto profissional capaz de se bater com os melhores. “O meu dia-a-dia são as motos. Os treinos, a preparação física e a mecânica. Este ano preparei-me intensamente para este Dacar”, contou ao CM, num dia em que viu o seu esforço ser recompensado.
“Ao fim de 60 km tinha ganho dois minutos ao Isidre Pujol e achei que poderia ganhar a etapa. No reabastecimento, vi que estava entre os mais rápidos e mantive o mesmo ritmo”, disse. Num “percurso muito técnico”, como admitiu Hélder Rodrigues, a diferença de performances entre a sua Yamaha 450 e as KTM não foi determinante: “A minha moto não ultrapassa os 140 km/h, enquanto as KTM chegam aos 180 km/h, o que faz muita diferença nas etapas com grandes rectas.”
O piloto português começou a sua carreira no motocrosse, com 15 anos, e passou para o enduro com apenas 17, tendo-se sagrado vice-campeão do mundo júnior. “Era muito novo, os pilotos normalmente só chegam ao enduro mais maduros, pelo que aos 27 anos tem muita experiência”, defende José Rita, presidente da AG da Federação Nacional de Motociclismo.
Rodrigues, que em 2006 foi sétimo no Mundial de Enduro, tem agora uma vantagem mínima sobre o espanhol Isidre Pujol. “Ele conhece muito bem o terreno e eu só tenho oito segundos de vantagem. Vamos ver o que vai acontecer. O meu objectivo não é a geral, mas sim a vitória na classe das motos de 450 cc. Estou à frente e não quero correr muitos riscos até chegar a Dacar”.
Nos carros, em dia de aniversário, Carlos Sousa sentiu problemas na transmissão e perdeu mais de uma hora, mas manteve o sétimo posto da geral. Al Attiyah venceu a etapa e Peterhansel mantém a liderança.
MIGUEL RAMALHO ESTÁ EM TODAS
Mal o rali termine no domingo, Miguel Ramalho parte de imediato com destino à Suécia, onde vai disputar o Rali do Árctico. “São mais de 20 horas de voo, de Dacar para Helsínquia, via Paris, e depois para lá do circulo polar”, referiu-nos o navegador de Miguel Barbosa, que para além de ocupar o banco do lado direito da Nissan Pick Up também é o navegador de Armindo Araújo, o campeão nacional de ralis que este ano vai disputar o Mundial de Ralis do Grupo Produção, com a equipa Mitsubishi. “Vou passar das temperaturas de 30 graus que temos aqui no Dacar para temperaturas inferiores a 20 graus negativos”, acrescentou Miguel Ramalho. “Na segunda-feira chego à Suécia. Vão buscar-me ao aeroporto e depois temos de fazer os treinos para o rali que se disputa no domingo. Não vai haver muito tempo para descansar. O Rali do Árctico é encarado pela Mitsubishi como uma prova de preparação para o rali da Suécia, que se disputa logo a seguir, sendo a primeira prova do Mundial. “A equipa segue directamente de um rali para outro, mas eu ainda irei primeiro a casa.”
BERNARDO VILAR ABANDONOU
O piloto português Bernardo Vilar, ao volante de um Nissan Patrol GR, abandonou ontem. Vilar tinha como objectivo chegar entre os 20 primeiros a Dacar, mas problemas mecânicos obrigaram o piloto a pôr fim à sua aventura
"PASSOU QUE NEM UM TIRO"
“Quando me ultrapassou, o Hélder levantou o braço para agradecer. Mas eu nem facilitei nada. Nem o tinha visto. Ele passou por mim que nem um tiro”, disse Casteu, o terceiro da geral, no final da etapa
EU QUERIA GANHAR ESTA ESPECIAL (Carlos Sousa, piloto português)
A especial de hoje era fantástica, em alguns pontos até pensei na que disputámos na zona da Comporta durante a primeira etapa, embora esta fosse muito mais rápida. À partida, sentia-me muito bem e já estava a aproximar-me do pó do Al Attiyah.
Estávamos muito rápidos e por duas vezes o Andrea disse-me que não valia a pena ir tão depressa. Foi a primeira vez que me disseram para andar mais devagar, mas eu queria ganhar esta especial.
Infelizmente não foi isso que aconteceu. Só posso ter pena porque é a primeira vez que tenho um problema de diferencial no Dacar e o importante é saber porque é que ele cedeu para evitar que se repita, já que a palavra-chave nestas equipas é “andem a fundo que o material aguenta”. Desta vez não aguentou.
Parámos para retirar os semi-eixos e o veio de transmissão para libertar o eixo traseiro e prosseguir só com tracção à frente. Só que haviam por ali um arbustos com muito picos e ao fim de um bocadinho já andávamos os dois aos ‘ai-ais’. Tínhamos picos espetados nas pernas. Tivemos de voltar ao carro para encontrar outro local para podermos trabalhar, mas da mesma forma como entrámos saímos, para tirar mais picos.
Numa especial com 360 km, fizemos 320 km apenas com tracção à frente. Foi uma pena. Agora basta esperar pelas etapas do Mali onde pode ser que se consiga fazer alguma coisa engraçada.
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