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Correio da Manhã

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Hulk: Ao nível de CR7, afirma Costa

Quando Hulk investe, as acções do FCP dão um salto: é um futebolista electrizante

6 de Agosto de 2011 às 00:00
Hulk:  Ao nível de CR7, afirma Costa
Hulk: Ao nível de CR7, afirma Costa FOTO: Amândia Queirós/Record

 Que Givanildo ‘Hulk’ é um fenómeno, estamos (quase todos) de acordo - e não é só por causa dos cem milhões da cláusula de rescisão. Descoberto há três anos pelos olheiros portistas num obscuro clube japonês, Hulk cresceu e refinou no Dragão a ponto de ser hoje um dos grandes craques brasileiros. Tem técnica, ginga e a força de um touro… como se a esquerda-luva de Rivaldo, o tiro-pedrada de Rivelino e a contundência física de Ronaldo Nazário se tivessem fundido num só corpo. Quando Hulk investe, as acções do FCP dão um salto. É um futebolista electrizante. Na época passada,  carregou o FC Porto às costas na fase difícil do campeonato (melhor marcador com 23 golos), foi decisivo em vários jogos da Liga Europa e da Taça de Portugal e ainda ajudou o parceiro Radamel Falcao (38 golos) a reaparecer em grande na fase decisiva da época. Hulk terminou com 36 golos e o canal americano ESPN elegeu-o ‘melhor futebolista brasileiro a jogar no estrangeiro’, à frente de Thiago Silva (AC Milan) e Daniel Alves (Barcelona).

Pelo que se viu na recente Copa América, Hulk, 25 anos, tinha lugar de caras nos 22 da ‘canarinha’. Foi injustiçado pelo seleccionador Mano Meneses e perdeu uma oportunidade de convencer a exigente Crítica brasileira que, de um modo geral, continua a olhar de soslaio os compatriotas que brilham em campeonatos médios e menores. A continuidade no Dragão significa uma aposta forte de Hulk na [próxima] Liga dos Campeões, ele que teve presença discreta nas campanhas de 2009 e 2010. Quer provar que vale o seu peso em ouro e forçar porta de entrada no ‘escrete’, quando faltam três anos para o Mundial brasileiro. ‘Não o trocava por Cristiano Ronaldo’, disse Pinto da Costa. Veremos o que faz o ‘Incrível’ no primeiro grande teste da época, frente à defesa do Barcelona.   

PONTOS FORTES  

TIRO-PEDRADA. Provavelmente, o pontapé mais forte e temido da Liga portuguesa. Nem sempre devidamente calibrado, é verdade, mas quando vai à baliza…  

POTÊNCIA. Tem a força de um ‘panzer’. Quando embala, é praticamente impossível de ser travado por meios legais  

DINÂMICA. Tem um empreendedorismo contagiante. Por norma é o portista que mais arrisca e desequilibra

PONTOS FRACOS  

INDISCIPLINA. Já não é o ‘moço’ imaturo e fogoso do triste episódio do túnel da Luz; mas por vezes ainda perde a cabeça  

BRASIL. Difícil manter o mesmo rendimento e motivação se continuar a ser ignorado pelo seleccionador brasileiro. Jardel acusou essa desilusão. 

CHAMPIONS. Até agora não provou nada na Liga dos Campeões. Duas participações, 18 jogos e apenas 3 golos. Está na hora de mostrar serviço.

 

EQUIPA

O melhor plantel da era PC

NO momento em que escrevemos esta peça o FCP mantinha Falcao, Moutinho, Hulk, Varela, Rolando, Álvaro Pereira e Guarín nos quadros. Se por hipótese o campeão não perder nenhuma das suas pérolas (ou se perder apenas uma), talvez não seja descabido falar no melhor plantel da era P.C e da própria história portista, já que ao brilhante onze-tipo da época passada [acrescentem-se ao sete citados: Helton, Sapunaru, Otamendi e Fernando] juntam-se três reforços brasileiros de grande potencial – Danilo e  Alex Sandro, ex-Santos, e o goleador Kléber, ex-Marítimo – e um jovem argentino com pinta de fenómeno – Iturbe. Se pensarmos que além destes Vítor Pereira ainda conta com James (prodígio em formação), Belluschi, Fucile, Ruben Micael e Walter, entre outros, é fácil concluir que o FCP, sobretudo do meio campo para a frente, tem um plantel excepcional, quiçá o mais completo e versátil da era Pinto da Costa. Imbatido há 39 jornadas, o FCP parte favorito ao título nacional. O único ponto de interrogação não está no relvado - está no banco. Cabe a Vítor Pereira provar que não há dois (Mourinho e Villas Boas) sem três: ele mesmo.

TREINADOR

VÍTOR PEREIRA

A ver vamos se

‘Afirma Pereira’

 

 

VÍTOR PEREIRA ganhou a chave do ‘Ferrari’ azul-e-branco sem ter conduzido qualquer bólido em 43 anos de existência, mas apenas ‘utilitários’ de segunda linha: Sanjoanense, Espinho e Santa Clara. Um ano na posição de co-piloto de André Villas Boas bastou-lhe para merecer a confiança do estado-maior portista na altura da grande decisão. Na sequência da inesperada deserção de André, o país futebolístico ficou a saber [versão oficial portista] que a contribuição de Pereira para a extraordinária campanha de 2010-11 tinha sido bem mais importante e profunda que a expectável num adjunto; e que Pinto da Costa decidiu promovê-lo assim que teve conhecimento de uma escapada londrina de Villas Boas. Um romance existencial decalcado daqueleoutro ‘Afirma Pereira’ que valeu importantes prémios literários ao escritor António Tabucchi. Homem de trato e discurso simpático [veremos como reagirá às primeiras contrariedades], até agora Vítor Pereira tem revelado bom senso na gestão do plantel e dos princípios herdados de Villas Boas. Basicamente, temos visto o mesmo FCP da época passada: organização táctica, posse e circulação de bola, versatilidade e contundência ofensiva. Mas não deixa este estreante de ser a aposta mais arriscada de Pinto da Costa em três décadas de métier. Estamos a falar da primeira equipa técnica portista sem qualquer experiência primo-divisionária – no currículo dos adjuntos Rui Quinta, Filipe Almeida e José Semedo também só constam experiências em divisões secundárias – e, mesmo espaldado pela famosa ‘estrutura’, tem de se admitir que a falta de ‘know how’ de Pereira (nem todos os adjuntos dão bons líderes) pode vir ao de cima num ano em que o FC Porto tem equipa para apostar forte na Liga dos Campeões. 

 

OPINIÃO  - A última tentação de Pinto da Costa

 

No ano em que, presumivelmente, o FC Porto vai ultrapassar o Benfica em número de títulos oficiais, Pinto da Costa aposta no peso e na eficácia da estrutura portista para contrabalançar a inexperiência do treinador e ajudá-lo na rápida formatação ao princípios da casa, como aconteceu com Artur Jorge, José Mourinho e André Villas Boas. Se o FCP for bem sucedido – ganhar o campeonato, por exemplo – o presidente poderá dizer que no FCP qualquer treinador vindo da Académica ou da II.ª Divisão corre riscos de ser campeão. A afirmação do desconhecido Pereira será sempre uma ferroada em Villas Boas e uma forte bofetada na concorrência. Mas pode correr mal.      

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