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Investigação ao Boavista já tem debate instrutório

Valentim e João Loureiro vão estar no próximo dia 6, no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, no debate instrutório do primeiro processo nascido do ‘Apito Dourado’ e que diz respeito à Liga.
29 de Janeiro de 2008 às 00:30
A diligência será presidida por uma juíza que chegou a pedir escusa (por ser enteada de Pôncio Monteiro, dirigente portista), mas a decisão instrutória (saber se o caso chega ou não a tribunal) só deverá ser conhecida no mês seguinte.
A acusação relativa ao jogo Boavista-Estrela da Amadora foi deduzida em Março do ano passado e foi o primeiro despacho acusatório proferido pela equipa de Maria José Morgado.
Valentim e João Loureiro foram acusados de corrupção activa e o árbitro Jacinto Paixão do mesmo crime, mas na forma passiva.
Os factos remontam a Abril de 2004 e envolvem as circunstâncias à volta de um jogo entre o Boavista e o Estrela (3 de Abril de 2004), em que os axadrezados perderam o encontro por um golo de diferença.
No entanto, os investigadores interceptaram conversas telefónicas entre o presidente da Liga e um vogal da Comissão de Arbitragem, Júlio Mouco, em que Valentim, alegadamente, pedia que fossem nomeados determinados árbitros para os jogos do Boavista.
Os investigadores escutaram também outro telefonema com Jacinto Paixão, onde o árbitro ter-se-á lamentado a Valentim Loureiro por não ter conseguido que Boavista ganhasse o jogo. “Aquilo não se podia fazer mais”, disse Jacinto Paixão que, na sequência do ‘Apito Dourado’, abandonou a arbitragem.
O Ministério Público sustenta que o benefício de Paixão era conseguir ser bem classificado, através, apenas, da interferência de Valentim.
Na instrução, requerida logo após ser conhecido o despacho do MP, João Loureiro alegou ainda que não houve qualquer pressão à equipa de arbitragem, conforme, na sua opinião, o demonstra o resultado desfavorável da sua equipa. Outro dos argumentos invocados foi que a linguagem usada no Porto e em Lisboa era diferente. Em causa estava o facto de outros processos idênticos terem sido arquivados pelo DIAP da cidade nortenha, enquanto as investigações que tinham sido remetidas para a magistrada Maria José Morgado deram origem a acusações.
Refira-se, ainda, que também são arguidos no mesmo processo o ex-árbitro Pinto Correia e o auxiliar José Jesus Alves.
JULGAMENTO DEVE MESMO COMEÇAR
O julgamento de Gondomar, que senta no banco dos réus 24 arguidos, acusados da prática de dezenas de crimes de corrupção, deve mesmo começar no próximo dia 11 de Fevereiro. O juiz António Carneiro da Silva ainda não se pronunciou sobre um recurso que estava na Relação do Porto, mas mantém a realização de todos os preparativos à volta do julgamento. No Tribunal de Gondomar, já foi inclusive criada uma sala para acolher os dezenas de jornalistas que deverão acompanhar as primeiras sessões de julgamento, tendo também sido notificados advogados estagiários para o caso dos advogados dos arguidos não comparecerem à primeira sessão.
O juiz quer assim evitar um possível adiamento, o que já foi requerido, e recusado, por alguns dos advogados.
PORMENORES
QUATRO SESSÕES
O julgamento de Gondomar vai ter quatro sessões diárias. Os advogados pediram que assim não fosse, já que muitos são obrigados a não aceitar outros casos para além do ‘Apito’.
INSTRUÇÃO
Os processos que envolvem o FC Porto ainda estão em instrução no Tribunal de Instrução Criminal do Porto. Ainda não há data para serem concluídos.
PARADO EM LISBOA
A maior certidão relativa ao ‘Apito Dourado’ tem a ver com a arbitragem. O caso está parado em Lisboa, devido a um requerimento de Pinto de Sousa.
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