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Correio da Manhã

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"Jefferson poderá ser excelente no Sporting"

Marco Silva, o técnico mais jovem da Liga (35 anos), levou o Estoril a um inédito 5.º lugar. Espera continuar no clube da Linha, reconhece que será difícil igualar o registo e fala aberta e orgulhosamente dos jogadores que o acompanharam nesta temporada de sucesso  
24 de Maio de 2013 às 16:08
'Jefferson poderá ser excelente no Sporting'
'Jefferson poderá ser excelente no Sporting' FOTO: João Miguel Rodrigues

Correio Sport - Foi um 5º lugar inesperado?

Marco Silva - Claramente fora dos nossos planos. A manutenção era o principal objetivo, num momento importante para um clube que não estava na Liga há oito anos. Com o desenrolar do campeonato, fomos percebendo qual era o nosso rendimento e o das outras equipas e quando garantimos os 30 pontos assumimos o objetivo europeu.

- Qual foi o momento em que percebeu que podiam ambicionar algo mais?

- A vitória em casa com a Académica, em que ficámos muito perto da manutenção, e depois ganhámos em Vila do Conde e eu disse aos jogadores que já não podíamos olhar para trás, só para a frente e para a frente era para o 5º lugar. Os jogadores foram inexcedíveis.

- E como evitou que os jogadores se deslumbrassem?

- Fomos bombardeados desde janeiro com o interesse de clubes e o mérito foi destes jogadores, que são equilibrados emocionalmente. Queríamos muito fazer história neste clube, algo inédito, e conseguimos.

- Vai haver uma revolução na próxima época?

- Vamos ver o que vai dar o defeso. Percebo que, por mérito coletivo, os jogadores sejam cobiçados. Pessoalmente, fico muito satisfeito e orgulhoso por ter contribuído, nem que seja com uma pequena parte, para que valorizem as carreiras. Como treinador do Estoril, sei que vou ter muito trabalho.

- Steven Vitória vai sair. Tem capacidade para jogar num grande clube?

- Penso que sim. Tem uma liderança enorme, cresceu imenso e está numa fase de maturação, com 26/27 anos. Joga como um central de grande nível.

- Vai para o Benfica?

- Não sei.

- E o Jefferson é bom reforço para o Sporting?

- Poderá ser um excelente reforço, numa estrutura forte. Ofensivamente é do melhor que vi por cá. Rápido, resistente, bom pé esquerdo, cruza muito bem e é ótimo nas bolas paradas. Há alguns aspetos defensivos que tem de continuar a melhorar. Quando conseguir conciliar as duas coisas, vai ser um lateral de grandíssimo nível.

- Como se define como treinador?

- Gosto de ter uma relação aberta com os atletas. Faço perceber que há regras, mas dou liberdade. O mais importante é fazer passar a mensagem e perceber que os jogadores a abraçam. É bom que entendam que vale a pena lutar por algo. Não ando de chicote! Tenho uma relação de cumplicidade e até de amizade.

- A que pode aspirar o Estoril depois desta temporada?

- Não é fácil. Se o plantel da próxima época fosse este, dizia já que tínhamos de lutar outra vez pelo 5º lugar. Como sei que não vai ser possível, acho que vamos ter de falar de manutenção, manutenção e manutenção.

- E estar na Liga Europa não vai complicar o rendimento interno?

- Sim, pode. Mas temos de estar orgulhosos do que alcançámos. A nossa preparação tem de ser feita a pensar na Liga e não na Liga Europa. Vamos ter de tentar ter duas opções fortes para cada posição, porque se chegarmos à fase de grupos da Liga Europa, o desgaste vai ser muito grande.

- Fala com a convicção de quem vai ficar...

- Falo, porque tenho mais um ano de contrato e não fui contactado para sair.

- Falou-se do interesse do Sporting...

- Só sei o que veio nos jornais.

- Era a altura certa para treinar um clube grande?

- Nunca sabemos isso. Eu não ligo à idade, embora tenha a certeza de que - exigente como sou comigo mesmo - daqui a 4 ou 5 anos terei de ser melhor treinador. Sou ambicioso, mas não procuro nada. Limito-me a trabalhar o melhor que sei e quando tiver de acontecer, cá estarei para conversar.

- Ao longo da época, nunca falou de arbitragens. De uma forma geral, como as avalia?

- Acho que tem havido uma evolução e não falo só em questões técnicas, mas sobretudo em termos de personalidade, acho que os nossos árbitros estão mais fortes, sem se deixarem influenciar pelo ambiente ou pelo que se diz fora de campo. Claro que erram, como todos nós. Na Liga dos Campeões, ao mais alto nível, houve erros incríveis. Mas temos bons árbitros, uns melhores do que outros.

- O FC Porto foi campeão. É a melhor equipa portuguesa?

- Não consigo definir qual das duas é melhor e a diferença pontual no final do campeonato mostra isso mesmo. São as duas, de muito longe, melhores do que as restantes, isso é inequívoco.

- Sente-se responsável pelo Benfica ter perdido o título?

- De maneira nenhuma. Fomos à Luz fazer o nosso papel e em busca de três pontos que precisávamos para o nosso objetivo. O Benfica saiu daquele jogo líder e com dois pontos de vantagem sobre o FC Porto.

- Com o plantel deste ano, o Sporting tinha obrigação de ter ficado muito mais acima?

- Tinha obrigação de ficar nos três primeiros. Há dois Sporting: um até dezembro e outro pós, quase dois plantéis diferentes, mas mesmo o primeiro tinha de lutar pelo pódio.

- Quem foi o melhor jogador do campeonato?

- O Matic. Depois, o Jackson e o João Moutinho. Esse é o top 3 do Benfica e do FC Porto, porque os melhores foram os do Estoril.

- Matic foi uma surpresa?

- Sim, porque não o tínhamos visto jogar com regularidade. Agora que jogou, fê-lo a um nível altíssimo. O Jackson porque foi o primeiro ano em Portugal e marcou 26 golos e o João Moutinho porque é um jogador que aprecio muito.

- Acredita que a seleção nacional estará no Mundial de 2014 no Brasil?

- Acredito. Já esteve menos difícil do que está agora, mas temos de acreditar nos jogadores e na equipa técnica. É preferível avaliarmos o trabalho quando ele estiver terminado do que agora. Temos um bom grupo de jogadores.

PERFIL

MARCO ALEXANDRE SARAIVA SILVA nasceu em Lisboa, a 12 de julho de 1977 (35 anos). Como jogador passou por Belenenses, Campomaiorense, Trofense, Rio Ave, Salgueiros e Estoril, entre outros. Há duas épocas assumiu o cargo de treinador no clube canarinho, vencendo a II Liga. Na estreia no principal escalão, conduziu o Estoril a um inédito 5.º lugar.

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