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Correio da Manhã

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João Loureiro é arguido após ser ouvido na PJ

João Loureiro esteve ontem na Polícia Judiciária do Porto, onde foi inquirido pelos investigadores do caso ‘Apito Dourado’ e saiu também como arguido, tal como o árbitro Rui Mendes, do Marco de Canavezes, cujas denúncias fizeram despoletar todo o processo. Também José Manuel Ferreira, dirigente das camadas jovens do Leixões foi constituido arguido.
19 de Março de 2005 às 00:00
O presidente da SAD do Boavista chegou pouco após as 14h00 e saiu cerca de uma hora depois. A notificação deveria ser cumprida de manhã mas a presença de outros declarantes para a mesma hora levou a PJ a adiar o interrogatório para a tarde.
“Perguntem a quem vos notificou para estarem aqui à minha espera se sou testemunha ou arguido”, atirou aos jornalistas, preferindo a evasiva. Mas João Loureiro foi mesmo constituído arguido. Loureiro afirmou-se tranquilo, reiterando total confiança na Justiça. “Estou mais preocupado com o jogo de amanhã, em Penafiel”, rematou.
O envolvimento do presidente do Boavista na investigação de corrupção na arbitragem foi despoletada no seguimento de escutas telefónicas interceptadas pela PJ, com conteúdos comprometedores. Em Dezembro foi noticiado que João Loureiro teria tentado garantir uma arbitragem favorável para o jogo que disputou em casa com o Estrela da Amadora, à 29ª jornada da época passada. Loureiro teria solicitado a Júlio Mouco, membro da Comissão de Arbitragem da Liga, o escalamento de dois árbitros assistentes. Este pedido terá sido satisfeito, tratando-se de José Chilrito e José Espada. O árbitro da partida foi Jacinto Paixão, e a PJ suspeita que Loureiro tenha pedido a um observador para abordar o árbitro de Évora, a fim de interceder em favor do Boavista. Este pedido terá sido feito também pelo telemóvel de João Loureiro, e no mesmo telefonema agendou-se um encontro entre ambos onde o observador daria conta da receptividade de Paixão.
A verdade é que o Boavista perdeu o jogo (1-2), não se tendo concretizado a eventual tentativa de favorecimento. Uma situação que teria levado mais tarde Jacinto Paixão a telefonar a Valentim Loureiro, presidente da Liga e pai de João Loureiro, explicando as razões por que as coisas não correram conforme o previsto.
ADRIANO PINTO FOI ANTEONTEM OUVIDO
Tem sido grande, nos últimos dias, o afã nas instalações da Polícia Judiciária do Porto. De manhã e de tarde multiplicam-se as presenças de agentes desportivos para depor perante os inspectores do ‘Apito Dourado’.
Entre os vários rostos que foram reconhecidos encontram-se dirigentes do Penafiel, entre os quais António Oliveira, o árbitro Rui Mendes, o presidente da União Desportiva Sousense – da Divisão de Honra da AF do Porto –, o responsável pelas camadas jovens do Leixões.
Na quinta-feira, foi a vez de Adriano Pinto, presidente da Associação de Futebol do Porto, presumindo-se que as razões da sua notificação possam também estar relacionadas com o caso “Sousense” (ver caixa).
A Polícia Judiciária já ouviu mais de 600 agentes desportivos, sendo que mais de uma centena foram provisoriamente constituídos arguidos. A Acusação só deverá ser deduzida pelo Ministério Público em meados de Abril – altura em que se perfaz um ano das primeiras detenções – e a lista de arguidos, segundo fontes indirectamente ligadas ao processo, será substancialmente reduzida.
E o corrupio não vai ficar por aqui, a próxima semana será também bastante atarefada para os inspectores, com dezenas de notificações já emitidas.
SUSPEITAS DE FAVORECIMENTO À UNIÃO SOUSENSE
A presença de Américo Neves, presidente da União Desportiva Sousense, clube da Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto na PJ poderá vir a esclarecer o eventual envolvimento do presidente do Conselho de Arbitragem daquela associação, Carlos Carvalho, num caso de favorecimento desportivo ao clube que valeram a Américo Neves ter passado à condição de arguido.
Através de intercepções telefónicas, a Polícia referenciou uma situação em que José Luís Oliveira, vice-presidente da Câmara de Gondomar, contactava aquele dirigente para que o clube da Foz do Sousa fosse beneficiado. José Luís Oliveira é natural da terra, onde reside e é possuidor de várias propriedades, e Carlos Carvalho é um seu amigo de longa data, igualmente em Gondomar, onde foi ourives antes de abraçar o ramo da restauração. Carlos Manuel Carvalho foi também árbitro de futebol.
Estes contactos suspeitos foram alvo do primeiro interrogatório da juíza do TIC, Ana Cláudia Nogueira, a José Luís Oliveira, antes de lhe ter sido determinada a prisão preventiva.
Por outro lado, a residência de Carlos Carvalho, no centro de Gondomar, foi nessa altura alvo de uma busca policial, da qual não terão resultado grandes indícios de ilegalidades, uma vez que o presidente da arbitragem do Porto não foi sequer pessoalmente incomodado.
APONTAMENTOS
INDIGNAÇÃO
João Loureiro reagiu com indignação quando em Dezembro leu as notícias em diversos jornais de que seria ouvido pela PJ. Afirmou que caso o teor das notícias viesse a confirmar-se, tal revelaria violações ao segredo de justiça e avançaria com processos judiciais. As notícias confirmaram-se pelo que a reacção não deve tardar.
RUI MENDES
Rui Mendes esteve ontem na PJ do Porto e também saiu como arguido. O árbitro do Marco de Canaveses foi um dos homens que mais contribuiu para o desencadear do processo Apito Dourado, como o CM afirmava já na edição de 24 de Abril de 2004, com uma carta que enviou em 2002 ao major Valentim Loureiro.
LEIXÕES
A presença, ontem na PJ, de José Manuel Ferreira, responsável pelas camadas jovens do Leixões estará relacionada com o pedido do empresário António Araújo para que o árbitro Hernâni Duarte – irmão de Augusto Duarte –“protegesse” a equipa leixonense, onde joga o seu filho, numa partida que ia disputar sob sua direcção.
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