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Correio da Manhã

Desporto

João Pinto ouvido pela PJ

João Vieira Pinto (JVP) foi ontem ouvido pela Polícia Judiciária no âmbito do processo em que José Veiga está indiciado pelos crimes de burla agravada e abuso de confiança.
4 de Janeiro de 2007 às 00:00
João Pinto passou a manhã de ontem nas instalações da Polícia Judiciária em Coimbra
João Pinto passou a manhã de ontem nas instalações da Polícia Judiciária em Coimbra FOTO: José Moreira, Record
O actual jogador do Sporting de Braga foi ouvido durante cerca de duas horas e meia e pode ter sido constituído arguido. Quem avançou essa possibilidade ao CM foi João Correia, advogado do ex-empresário FIFA. “Já ouvi falar nessa hipótese”, disse, horas depois de João Pinto ter sido inquirido, em Coimbra, por dois inspectores da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) da PJ de Lisboa.
JVP foi ouvido durante cerca de duas horas e meia, tendo estado acompanhado pelo seu advogado, Castanheira das Neves.
Segundo fontes judiciais, a passagem de testemunha a arguido explica-se com a possibilidade de, ontem, João Pinto poder ter alterado o depoimento que prestou há pouco mais de ano e meio no âmbito do mesmo processo. Nessa ocasião, JVP terá afirmado à PJ que não recebeu a totalidade dos 4,2 milhões de euros que constam de uma factura da empresa inglesa Goodstone, entregue por Veiga ao Sporting, montante relativo aos seus direitos desportivos. Segundo as mesmas fontes, teria sido por causa dessa declaração que José Veiga foi detido e indiciado pelos crimes de burla agravada e abuso de confiança. O ex-director-geral do Benfica, no entanto, sempre assumiu que não ficou com os 4,2 milhões de euros.
Depois de Veiga ter prestado declarações no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, aliás, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, afirmou que a última tranche dessa verba (um milhão de euros) foi reclamada por JVP, alegando que a Goodstone tinha sido extinta. Depois de descontado o IRS, o Sporting entregou-lhe cerca de 780 mil euros.
Ontem, João Pinto deve também ter sido confrontado com um aditamento ao contrato que assinou com o Sporting em 2000 – que previa o pagamento de 4,2 milhões de euros a título de prémio de assinatura – que mais tarde foi declarado sem efeito por causa da entrada no negócio da Goodstone.
As mesmas fontes adiantaram também que José Veiga e várias actuais e ex-dirigentes do Sporting, como Luís Duque e Filipe Soares Franco, podem voltar a ser ouvidos pela PJ: “Vai haver mais diligências. A investigação anda não terminou.”
A Judiciária espera concluir o inquérito dentro de três/quatro meses, se ao longo desse período receber os vários documentos bancários que solicitou a instituição estrangeiras. De acordo com Filipe Soares Franco, o Sporting depositou parte dos 4,2 milhões de contos em contas da Goodstone sediadas no Luxemburgo (Banco Dexia) e Londres (Barclays Bank).
O CM tentou contactar João Pinto e o advogado, Castanheira das Neves, mas ambos não atenderam os habituais telemóveis.
VEIGA QUER DEPOIMENTO
José Veiga quer conhecer o teor do depoimento que João Pinto prestou ontem à Polícia Judiciária, em Coimbra. “Vamos pedir ao magistrado titular do processo que nos ceda uma certidão das declarações do senhor João Pinto”, disse o advogado João Correia ao CM.
O defensor do ex-empresário FIFA adiantou também que já não é a primeira vez que solicita tal documentação: “Em Dezembro pedimos uma certidão das primeiras declarações que o jogador prestou no processo, mas esse pedido foi recusado.”
Fonte judicial assegurou que João Correia deve voltar a receber um “rotundo não”, dado que o processo está em segredo de justiça: “Só na fase de instrução é que será possível a José Veiga ter acesso oficial às declarações de João Pinto.”
CRIMES EM QUESTÃO
BURLA
Segundo o ‘site’ Sportugal, são vários os cenários que se colocam ao Ministério Público em relação a João Pinto que pode ser indiciado por vários crimes como burla qualificada.
FRAUDE
A fraude fiscal e o crime de abuso de confiança também parecem estar presentes na transferência de João Veira Pinto para o Sporting, quando decorria a época de 2000.
CAPITAIS
O Sportugal diz também que é um caso de braqueamento de capitais, pois estiveram envolvidas verbas avultadas para o estrangeiro, ocultando o seu destino e os reais motivos da operação.
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