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Correio da Manhã

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Jogadores foram aliciados para perder

Dois anos depois de os factos terem ocorrido, a Polícia Judiciária do Porto termina a investigação. O processo já está no DIAP para acusação pública, devendo a mesma recair apenas em Beto Andrade, um ex-jogador e agora empresário com ligações a Jorge Baidek.
1 de Maio de 2008 às 00:30
Jogadores foram aliciados para perder
Jogadores foram aliciados para perder FOTO: Record

Em causa está uma tentativa de aliciamento a jogadores do Penafiel ocorrida em Junho de 2006, antes do encontro entre os penafidelenses e a Naval 1.º de Maio, a contar para a 34.ª e última jornada da Liga 2005/06.

Segundo o que o CM apurou, Beto Andrade encontrou-se com Juninho Petrolina e Nuno Diogo, ambos jogadores do Penafiel, para que estes ajudassem a Naval a não descer de divisão. Deveriam fazer tudo para perder o jogo e receberiam em troca 30 mil euros, que seriam pagos também ao guarda-redes Nuno Santos.

Os jogadores garantem que recusaram a proposta e Beto Andrade, ouvido na PJ, assegurou que nunca aliciara os atletas. Confirmou, contudo, o encontro com os jogadores, dizendo depois que agira a mando de Jorge Baidek, outro empresário que pretenderia que aqueles atletas utilizassem os seus serviços.

A versão foi mais tarde desmentida pelo agente que já trabalhou com José Veiga. Baidek afirmou nunca ter pedido a Andrade que falasse com os jogadores, embora as chamadas telefónicas desse dia confirmem conversas entre os dois empresários antes e depois do encontro.

Ainda segundo o CM apurou, outro jogador que terá sido aliciado no mesmo encontro foi Wellington Oliveira. O central foi abordado por Sidney, médio do Braga e que jogou também no Penafiel, que lhe deu conta de que Beto estava disposto a dar 30 mil euros a quem ajudasse a Naval a ganhar o encontro. Wellington terá recusado a proposta.

Ainvestigação da PJ não conseguiu determinar se houve qualquer interferência da Naval 1.º de Maio neste processo. Acreditam os investigadores que Beto Andrade agiu a mando de alguém mas não sabem de quem se trata.

Refira-se, ainda, que a Naval, presidida por AprígioSantos, ganhou esse jogo por 1-0, mas os investigadores também não encontraram qualquer lance passível de sustentar a corrupção. O golo foi conseguido num contra-ataque, de forma aparentemente limpa.

A queixa que motivou a investigação da Judiciária foi feita pelo Vitória de Guimarães, que nesse ano desceu à Liga de Honra, onde se manteve durante uma época.

INTERNACIONAIS DEPÕEM NO 'APITO'

"Tenho a certeza de que com este julgamento as situações vão ficar claras e espero que se retire as devidas conclusões em relação às pessoas em causa", disse ontem o árbitro internacional Pedro Proença, depois de depor no julgamento do processo ‘Apito Dourado’, como testemunha de defesa do arguido Valente Mendes, juiz acusado de três crimes de corrupção desportiva passiva.

Perante o Tribunal de Gondomar, Proença afirmou que Valente Mendes "tem tudo de bom", que ficou "perplexo" quando o viu envolvido neste processo e que "não lhe conhece sinais de riqueza". No mesmo sentido foram as palavras de Duarte Gomes, outro árbitro internacional. "Não tenho dúvidas sobre a idoneidade de Valente Mendes". Acrescentou que a "arbitragem não é o oásis que se julga". Sobre o ‘Apito’, Duarte Gomes disse que "estava na altura de separar o trigo do joio" e que "se tire do futebol quem estava com outras ideias". Ricardo Santos e Hugo Miguel, árbitros da 1.ª categoria, também testemunharam a favor de Valente Mendes.

COUCEIRO CONFIRMOU RUMORES

José Couceiro, ouvido pela Polícia Judiciária, confirmou que teve conhecimento de rumores sobre possíveis tentativas de pagamento a jogadores doPenafiel para que estes perdessem, de forma propositada, o jogo com a Naval 1.º de Maio. Couceiro era em 2005/06 treinador principal doBelenenses, equipa que acabaria no 14.º lugar do campeonato, que nessa temporada significava a despromoção à Honra. O que acabou por não acontecer apenas devido aocaso Mateus, que relegou oGilVicente para o escalão secundário. A Naval acabou o campeonato com os mesmos pontos doBelenenses (39) mas, por critérios de desempate, ficou na Liga.

OFERTAS A ÁRBITROS DA 1.ª CATEGORIA

Os quatro árbitros da 1.ª categoria que ontem testemunharam em Gondomar admitiram que já receberam ofertas de vários clubes mas todos as consideraram uma prática "normal de cortesia e de bom acolhimento". Falaram sobretudo de camisolas, bolas, placas de jogo, jantares, almoços, mas também relógios, canetas de marca e peças de ouro.

Ricardo Santos assumiu que recebeu um fio de ouro, oferta do Gondomar SC, na época 2002/03, quando ainda arbitrava em divisões inferiores. Também Hugo Miguel, que chegou a ser constituído arguido no início do ‘Apito’, disse que recebeu do Gondomar um "artefacto de ouro", em 1998.

NOTAS

JORGE BAYDEK TEM NOME NA PRAÇA

Jorge Baidek, ex-empresário da Superfute, deJoséVeiga, esteve ligado, por exemplo, às transferências de Maciel e Pitbull para oFCPorto.

BETO PASSOU NAS DIVISÕES ANTERIORES

O empresário brasileiro BetoAndrade passou como jogador por clubes das divisões inferiores, casos do Moreirense, Vizela e Ronfe.

JULGAMENTO CONTINUA NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA

O julgamento de Gondomar pára hoje devido ao feriado. Recomeça na segunda-feira, com a audição das testemunhas arroladas pelos Dragões Sandinenses

ANA SALGADO NÃO TINHA ADVOGADO NO TIC DO PORTO

Ana Salgado foi anteontem ouvida no TIC do Porto. Ao contrário do que noticiámos, não estava acompanhada por Miguel Moreira dos Santos, que defende Pinto da Costa

PEDRO PROENÇA ACABOU POR NÃO SE CONSTITUIR ASSISTENTE NO PROCESSO

Pedro Proença, o árbitro internacional que, quando o Apito Dourado espoletou, foi crítico relativamente aos dirigentes desportivos - ameaçando que se iria constituir assistente - acabou como testemunha de defesa.

ADVOGADA QUER ESCLARECER TROCA DE UTILIZADORES DE TELEMÓVEL ESCUTADO

Fátima Castro, advogada de Licínio Santos, requereu ontem que fosse ouvido o utilizador do telemóvel pretensamente atribuído àquele árbitro. O objectivo é demonstrar ter havido uma troca de nomes.

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