Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
7

Jornada infeliz

À 10.ª jornada da Liga, os árbitros saltaram para o centro das atenções devido a alguns erros grosseiros, nomeadamente nos jogos dos três grandes. O caso mais grave foi o do golo não validado à U. Leiria em Alvalade apesar de a bola ter passado claramente a linha de golo.
8 de Novembro de 2005 às 00:00
Na Luz, o segundo golo do Rio Ave é precedido de um fora-de-jogo evidente de Gaúcho (já os vilacondenses dizem que não houve faltas nos livres que deram os dois golos ao Benfica). E o FC Porto viu um penálti ser-lhe perdoado, embora também se possa queixar de um golo mal anulado a Hugo Almeida. Mas estes foram apenas os casos mais flagrantes, porque a jornada ficou marcada por outras situações polémicas.
Luís Guilherme, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, reconheceu ontem que a arbitragem teve um fim-de-semana negro: “Foi claramente uma jornada infeliz para a arbitragem. Existiram erros e alguns deles com influência no resultado. Não estamos satisfeitos e vamos analisar o que aconteceu e tentar encontrar forma para que não se repita”, afirmou o dirigente à Rádio Renascença.
Para Luís Guilherme, o golo não validado à U. Leiria em Alvalade teve origem numa desconcentração do árbitro assistente António Neiva: “Esse foi um erro importante, com alguma gravidade. Pensamos que pode ter acontecido devido a alguma falta de concentração do árbitro assistente”. Apesar de reconhecer os erros, Guilherme insurgiu-se contra as críticas de José Veiga. O director-geral do Benfica salientou que os árbitros nunca são punidos, ao contrário do que sucede com os restantes agentes, e disse que alguns tinham de ir “para a jarra”. Guilherme não gostou: “O senhor José Veiga que se preocupe em gerir a equipa do Benfica, porque a gestão da arbitragem sou eu que a faço”.
Ao final da tarde, Veiga reagiu: “Desejo que ele faça bem o seu trabalho e que tenha mais cuidado nas nomeações porque está lá para isso”, disse à Renascença o homem forte do futebol do Benfica, sublinhando: “Têm-se passado coisas estranhíssimas, mas quero separar o trigo do joio porque temos árbitros de muita competência”.
APONTAMENTOS
PINTO DA COSTA
O presidente do FC Porto criticou a arbitragem de Paulo Pereira no Benfica-Rio Ave. “Os livres que deram os golos do Benfica não existiram. O Benfica tem sorte com esse árbitro. O ano passado marcou aquele penálti do Karadas contra o Estoril.”
O HOMEM DA JARRA
José Veiga disse que alguns árbitros tinham de “ir para a jarra”, expressão em voga há 13 anos, era Fernando Marques presidente do Conselho de Arbitragem. “O árbitro portava-se mal e eu punha a sua ficha na jarra e ele não arbitrava. Recuperei muitos assim”, disse Marques.
AS CRÍTICAS
"É verdade que a bola entrou na nossa baliza, mas também é verdade que o lance é precedido de fora-de-jogo. Nos últimos jogos, o Sporting não se sente beneficiado em nada, mas antes prejudicado por penáltis não assinalados em Barcelos e no Bessa", Paulo Bento (Sporting)
"O Paulo Bento se calhar viu outro jogo. Não há nenhum fora-de-jogo porque o Rogério coloca todos em situação regular", João Bartolomeu (U. Leiria)
"O assistente estava a dormir no segundo golo do Rio Ave. O avançado estava, no mínimo, meio metro fora-de-jogo. São coisas incríveis que se passam na arbitragem em Portugal", Ronald Koeman (Benfica)
"É a segunda jornada consecutiva em que somos penalizados por um golo obtido em situação irregular. Ainda não vi nenhum árbitro ser castigado mas chegou a altura de alguns irem para a jarra", José Veiga (Benfica)
"No primeiro golo do Benfica não há falta, o Karagounis escorregou. E no segundo também não há falta. Parece que os pequenos nunca podem dar um passo em frente", António Sousa (Rio Ave)
"Ficou por marcar uma grande penalidade quando o jogador do FC Porto meteu a mão à bola. Não sei por que é que os penáltis a nosso favor nunca são marcados", José Mota (Paços de Ferreira)
Ver comentários