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Correio da Manhã

Desporto
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José Mourinho na final da Liga dos Campeões

Ponto prévio: a vantagem de dois golos (3-1) trazida da primeira mão concedia alguma tranquilidade ao Inter de Milão na visita a Camp Nou. Sossego que Frank de Bleeckere, árbitro belga nomeado para dirigir o encontro fez questão de neutralizar, quando, à passagem da meia hora, reduziu o tetracampeão italiano a dez jogadores, por alegada agressão de Thiago Motta a Busquets.
28 de Abril de 2010 às 21:41
Duelo de gigantes marcado por expulsão de Motta
Duelo de gigantes marcado por expulsão de Motta FOTO: epa

Expulsão forçada, tanto mais quando não parece existir qualquer intenção por parte do antigo jogador do  Barcelona. Luís Figo quase entrou no relvado para protestar. 

A partir daqui, tudo foi diferente. Para pior. A começar no espectáculo. Com a lição bem estudada e dez jogadores que, esses sim, “deixaram a pele em campo”, o Inter  abdicou do seu meio-campo ofensivo para se dedicar à ocupação da retaguarda. Eto’o virou lateral esquerdo, ofuscando um sensaborão Daniel Alves enquanto Cambiasso, Sneijder e Zanetti aniquilavam o tridente  composto por Xavi, Messi e Pedro. Ibrahimovic foi como se lá nem tivesse estado. 

Encostado às cordas, mas com uma ‘urbanização’ defensiva de se lhe tirar o chapéu, os homens de Milão  entregaram o apuramento à sorte divina e a ... Júlio César que já os havia protegido no jogo de há oito dias. Exemplo disso mesmo foi a estrondosa defesa do guardião canarinho a remate de Lionel Messi, quando o argentino já se preparava para festejar.

Ao intervalo, o nulo aceitava-se pela escassez de oportunidades dos ‘blaugrana’, cenário que se manteve para o segundo tempo, à excepção de um falhanço de Boján (82’) já dentro da pequena área.

Só Piqué viria a descobrir o caminho do golo a seis dos 90’.  Acreditava-se novamente na ‘remontada’ mas findos os quatro minutos de compensação, foi José Mourinho, outrora adjunto dos catalães, a celebrar no estádio que o viu crescer como adjunto de Robson e Van Gaal, adversário no derradeiro jogo do Bernabéu, a 22 de Maio, naquela que será a segunda  final da carreira como treinador [a 1ª foi em 2004 com o FC Porto, 3-0, ao Mónaco].

JOSÉ MOURINHO: "É A MELHOR DERROTA DA MINHA CARREIRA"

“Fomos uma equipa de heróis. Deixámos o sangue, os outros diziam que iam deixar a pele, nós deixámos o sangue. Agradeço a todos, os que jogaram e os que não jogaram. Agradeço a todos os adeptos, aqueles que estiveram aqui e os que viram em casa. Os do Barcelona festejaram primeiro. Aconteceram coisas absolutamente incríveis. No fim, a festa é nossa. Peço agora um esforço aos adeptos, vão esperar esta maravilhosa equipa ao aeroporto, venham a Roma onde jogamos uma outra final, no domingo, com a Lazio, e depois na Taça de Itália, com a Roma.»

“Frente ao Barcelona, com onze é difícil, com dez é feito histórico. É a derrota mais bela da minha vida, mas acho que esta equipa merecia o 0-0. Júlio César não fez um jogo extraordinário, parecia que estávamos em igualdade numérica. É uma alegria incrível. Já venci uma Liga dos Campeões, mas esta noite foi ainda mais bela. Quando a ganhei com o F.C. Porto foi batendo o Mónaco por 3-0: a meia hora do fim sabia que tinha ganho. É pena que eu não possa jogar também, porque se entrasse em campo também tinha dado o sangue, mesmo que fosse pouco.”

“É o melhor momento de toda a minha carreira, o melhor de todos. Para os jogadores, para oa adeptos, para mim, o melhor. Há 38 anos que o Inter não jogava uma final destas e esta equipa não é feita de jogadores que possam esperar mais 15 anos para jogar uma final, por isso estou satisfeito. É a melhor derrota da minha carreira, o jogo foi extraordinário. Estive muito próximo dos adeptos do Chelsea, mas estou ainda mais perto dos adeptos do Inter. Aliás, gosto muito do Inter e dos seus adeptos, mas não do futebol italiano. Respeito-o, mas não gosto dele.” 

Sobre a expulsão de Thiago Motta e a troca de palavras com Guardiola: “Não o ofendi, claro. Mas fica entre nós o que lhe disse. O que sei é que vi o Busquets no chão a piscar-lhe o olho, tenho a certeza. A melhor equipa do Mundo não precisa disso.”

Zanetti

Esta equipa é admirável, foi um jogo heróico. O ambiente era muito complicado e tudo ficou mais difícil com a expulsão de Motta. Mesmo assim, conseguimos. O mais importante foi o espírito de grupo. Agora, vamos pensar nos jogos que tempos pela frente antes da final. Temos tempo para pensar no Bayern”

ADEPTOS DO REAL FESTEJAM DERROTA DO BARCELONA

Os adeptos do Real Madrid saíram à rua para festejar a eliminação do rival Barcelona na Liga dos Campeões aos pés do Inter de Milão.

Os merengues juntaram-se na Praça Cibeles, local da capital onde costumam festejar os títulos do Real Madrid.

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