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Correio da Manhã

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José Veiga pediu favor

José Veiga também faz parte das escutas operadas no âmbito do processo ‘Apito Dourado’, do qual, aliás, o actual director do Benfica é arguido. O jornal ‘Público’ revelou ontem partes de uma escuta que tem como protagonistas José Veiga e Valentim Loureiro.
13 de Setembro de 2006 às 00:00
Veiga foi interceptado em pelo menos duas conversas telefónicas com o ainda presidente da Liga, em Março de 2004, quando era o principal accionista da SAD do Estoril-Praia. Na primeira chamada, o agora dirigente ‘encarnado’ pediu ao presidente da Liga para interceder junto da Comissão Disciplinar no sentido do estádio do Marco ser interditado, na sequência de incidentes protagonizados por Avelino Ferreira Torres, então presidente da Câmara de Marco de Canaveses, que pontapeou o ‘placard’ das substituições e insultou o árbitro do encontro. Loureiro ainda tentou que o então dirigente do Estoril falasse directamente com Gomes da Silva – na altura presidente da Comissão Disciplinar da Liga – ou que utilizasse a sua influência através dos jornais.
O Major “acabou por ceder, dirigiu ele próprio o pedido a Gomes da Silva e dias depois José Veiga conheceu a decisão da Liga”, escreve o diário. O estádio do Marco foi posteriormente interditado por dois jogos. O Marco acabou por receber o Estoril no Bessa, tendo perdido por 3-2.
De acordo com o jornal, quando Veiga soube da interdição, agradeceu ao Major. “Vou-lhe dar uma beijoca”, terá dito Veiga, ao que o presidente da Liga respondeu, “se não fosse eu…”.
No encontro em questão, o árbitro João Ferreira (o mesmo a quem o líder do Benfica, Luís Filipe Vieira, terá pedido a Valentim Loureiro para as meias-finais da Taça de Portugal em 2004) perdoou um segundo cartão amarelo a um jogador do clube da Linha e foi bastante contestado pelos dirigentes do Marco.
Ferreira Torres, em declarações ao CM, abordou este caso de forma irónica. “Se estão habituados a resolver os problemas aos beijos é problema deles, eu sou muito homem.”
Na sequência destas e de outras escutas, José Veiga foi interrogado e constituído arguido no processo ‘Apito Dourado’, tendo sido extraídas pelo menos duas certidões para o Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, escreve o ‘Público’.
Tanto José Veiga com o Valentim Loureiro escusaram-se a comentar as notícias.
PAIXÃO 'DESABAFOU' AO MAJOR
Jacinto Paixão, que ontem voltou a ser citado pela Imprensa no caso ‘Apito Dourado’ devido a um alegado pedido de desculpas a Valentim Loureiro no final do jogo que o Boavista perdeu frente ao Estrela da Amadora, na época 2003/2004, não negou a conversa com o Major esclarecendo ao CM que foi apenas “um desabafo”.
“O que vem agora escrito, que ainda não li, foi um desabafo sem nenhum mal”, disse.
O ex-árbitro alentejano, residente em Reguengos de Monsaraz, realça o facto de neste encontro o Boavista ter saído derrotado, o que na sua “opinião é o suficiente para deitar por terra a teoria do favorecimento a esse clube”.
Sobre a acusação de um dos árbitros assistentes deste encontro, citado pela revista ‘Focus’, de que Jacinto Paixão teria criado situações favoráveis para que o Boavista marcasse um golo, o antigo juiz mostra-se tranquilo.
“Tenho a consciência tranquila. Outros não poderão dizer o mesmo. Esse senhor [José Espada] é melhor estar calado. O meu advogado já está a tratar do assunto dele e de outros. Na altura certa contarei tudo aquilo que sei sobre a arbitragem”, avisou o ex-árbitro eborense.
JUIZ GOMES DA SILVA
CASO DA CAMISOLA
Na sequência das escutas foram retiradas outras conversas com o juiz desembargador Gomes da Silva, então presidente da Comissão Disciplinar da Liga, que viu ainda ser arquivado o caso que envolvia o FC Porto, relativo ao célebre rasgão de José Mourinho à camisola de Rui Jorge após um jogo entre os ‘dragões’ e o Sporting.
BOTA DE DECO
Outro dos casos arquivados e relacionados com Gomes da Silva foram as eventuais pressões que o magistrado terá recebido para castigar Deco de uma forma mais branda. O ‘mágico’ atirou a bota ao árbitro Paulo Paraty num jogo entre o FC Porto e o Boavista, sendo castigado com três jogos de suspensão.
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