O árbitro Pedro Sanhudo quer que os outros processos em que é acusado de corrupção sejam apensos ao julgamento que decorre em Gondomar. Se o Tribunal da Relação do Porto der provimento ao recurso – os processos em causa também estão em fase de julgamento –, então param as sessões e há o risco de todos os depoimentos terem de ser repetidos, segundo as fontes judiciais contactadas pelo CM.
Os processos relativos a Sanhudo foram todos levantados no 2.º juízo do Tribunal de Gondomar. Entretanto, começaram a ser extraídas certidões para as comarcas das cidades onde se realizaram os jogos em que o árbitro está envolvido. Para Santo Tirso e Paredes, no caso das partidas em que já foi pronunciado.
A fundamentação seria a de que Pedro Sanhudo deveria ser julgado onde teve lugar o presumível crime. Sanhudo diz que não percebe tal decisão: “A acusação baseava-se num escuta telefónica que aconteceu em lugar incerto e não nos jogos em si”.
O que é certo é que os Tribunais de Paredes e Santo Tirso assumiram a sua incompetência para os julgar pelo que os devolveram a Gondomar.
Mas o árbitro do Porto voltou a não ficar satisfeito quando viu os processos entregues ao 1.º juízo e não ao 2.º, que lhes deu início e que é responsável pelo julgamento que entretanto começou. Aliás, Pedro Sanhudo tem já agendada a primeira sessão relativa ao jogo que envolve o Paredes.
O árbitro remeteu um requerimento ao juiz António Carneiro da Silva para apensar os jogos em causa àqueles em que é acusado no julgamento que já vai na 14.ª sessão. Carneiro da Silva não viu razões para tal e indeferiu o pedido do árbitro.
Mas o argumento das partidas não estarem relacionadas com o Gondomar não convence Sanhudo: “Estou acusado, neste julgamento, no jogo Bougadense-Sousense. Pela mesma lógica, deveria ir para a comarca onde pertence Bougado, ou seja, para Trofa. Se a outros arguidos não foram extraídas certidões, não há razões para o fazerem comigo.”
Sanhudo voltou então a recorrer e, desta vez, para o Tribunal da Relação do Porto. Caso a Relação dê razão ao árbitro e os processos sejam apensos ao mesmo que está agora em julgamento, então o ‘Apito’ pode parar. Como consequência e face aos novos elementos, todos os depoimentos teriam de ser repetidos.
José Dantas, advogado de Braga, diz que não conhece o processo ao pormenor, mas admite a paragem do julgamento: “Essa hipótese, nesses moldes, é perfeitamente possível”. Ainda assim, Dantas frisa que há a “maior probabilidade” de o Tribunal da Relação corroborar a decisão do juiz Carneiro da Silva.
CRISTAL OFERECIDO NA LUZ
O árbitro da 1.ª categoria Rui Silva admitiu ter recebido um fio em ouro com uma cruz, por parte do Gondomar, em 2003/04. Mas quando o clube quis repetir a oferta, Silva disse que a rejeitou. “É uma questão de critério. Se fossem queijos ou garrafas de vinho, aceitava. Mas não ando com dois fios ao pescoço”, referiu o árbitro que, no entanto, voltava a receber o relógio “oferecido pelos Dragões Sandinenses”, apesar de não saber o valor do mesmo: “É uma decisão do momento. Duas vezes ouro achei despropositado.” Questionado sobre as prendas mais valiosas que recebeu, Rui Silva afirmou: “Ouro em Gondomar e a peça em cristal que recebi no Estádio da Luz no meu jogo de estreia [Benfica-Naval (3-0), 15 de Setembro de 2007] com clubes ditos grandes”.
CAROLINA SALGADO HOJE EM GONDOMAR
Carolina Salgado vai depor hoje no Tribunal de Gondomar, depois de ter falhado a primeira chamada, a 27 de Fevereiro, quando o processo relativo ao FC Porto-Estrela da Amadora, de 2003/04, a obrigou a deslocar-se ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto. Hoje, e já recuperada dos “motivos de saúde” que a afastaram da primeira sessão do julgamento em que Pinto da Costa a acusa de difamação, Carolina deverá estar mesmo presente em Gondomar.
A ex-companheira de Pinto da Costa já depôs no âmbito do mesmo processo em fase de instrução e, então, não teve dúvidas em afirmar que Pinto de Sousa se revelava “bastante subjugado” a Valentim Loureiro. Acrescentou também que, em conversa na sala VIP do Estádio do Bessa, ouviu o major a mostrar a sua indignação pelo facto de o árbitro que havia apitado o Gondomar nesse determinado dia “não ter beneficiado ou ajudado de maneira a que o Gondomar ganhasse o jogo”.
CHAMADA DE AMIGO
No intervalo do Gondomar-Lixa (5-4), e após ter discutido com José Luís Oliveira, o árbitro José Palma recebeu uma chamada de um conselheiro do Conselho de Arbitragem da Federação. Palma disse ter sido uma “chamada de amigo”. “Apenas quis acalmar-me por o jogo estar a ser difícil”, observou.
PIMENTA TELEFONOU
Pimenta Machado telefonou para o Tribunal de Gondomar e voluntariou-se para ser ouvido em qualquer altura. Deverá depor no início de Abril.
PERITOS COM DATA
Os peritos de arbitragem já têm dias marcados para serem ouvidos em Gondomar. Vítor Pereira, 26 de Março; Jorge Coroado, dia 27; e Adelino Antunes, a 31 do mesmo mês.
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