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Correio da Manhã

Desporto
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Leão chega atrasado ao primeiro encontro

Sentado na bancada da Choupana, Paulo Bento viu o Sporting encaixar um golo de uma forma que começa a ser habitual: após pontapé de canto.

16 de Agosto de 2009 às 00:30
Liedson travou intenso despique com Clebão no empate dos leões
Liedson travou intenso despique com Clebão no empate dos leões FOTO: Duarte Sá

Na área estavam sete jogadores do Sporting e apenas quatro do Nacional. Mas mesmo assim Luis Alberto conseguiu ganhar e tocar para João Aurélio. Golo, o primeiro da Liga 2009/10.

Até esse instante, aos 26 minutos, tudo estava equilibrado. Liedson conseguira uma oportunidade ao ganhar espaço na área, mas Bracalli defendera. Com Miguel Veloso sobre a esquerda, João Moutinho a ‘10’, Rochemback mais fixo e Djaló sobre a direita, o Sporting pareceu surpreender o Nacional. Manuel Machado sentiu dificuldades inesperadas para formar um onze, e isso percebeu-se. Abel, Moutinho e Djaló combinavam bem e conseguiam cruzamentos. O tempo encarregou-se de apagar este desequilíbrio e quando chegou o golo madeirense o empate estava bem. Outra vez ineficaz a defender, o Sporting não reagiu ao golo. Paulo Bento decidiu mexer ao intervalo. Pereirinha foi para lateral-direito, Vukcevic encostou-se à esquerda. Abel e Rochemback foram sacrificados. A equipa permaneceu ausente e foi o Nacional quem esteve perto do 2-0. João Aurélio aproveitou um erro de Polga e André Marques para se isolar. Valeu Carriço, sobre a linha, para evitar o golo.

Quase em simultâneo, o Nacional decidiu prescindir de Ruben Micael e Paulo Bento apostou em Matías Fernández. Mudaram os ‘cérebros’, alterou-se o jogo.

Com menos bola, os madeirenses começaram a ficar atrás e permitiram que o Sporting crescesse. O candidato finalmente chegava à Liga. Tanto que o golo do empate, apesar de acidental, fez sentido. Também de canto, também com João Aurélio na jogada, desta vez a acertar na baliza errada.

Até ao final só deu Sporting e os leões acabaram por construir mais oportunidades. Se antes do jogo muito se falava do ponto de partida do Sporting, depois do resultado da Choupana já não há dúvidas. O leão entra mesmo a perder pontos, este domingo ver-se-á se também arrancará atrás dos rivais.

ANÁLISE

POSITIVO: BOA ORGANIZAÇÃO

O Nacional da Madeira perdeu jogadores importantes em relação à equipa da temporada passada, mas manteve a boa organização, o que lhe permitiu resistir.

NEGATIVO: MUITAS HESITAÇÕES

O Sporting passou o jogo a trocar o meio-campo, o que demonstra hesitação. Melhorou muito com Matías Fernández. Mas ainda se nota ali que falta trabalhar bastante.

ARBITRAGEM: CARTÕES A MAIS 

O árbitro Pedro Proença controlou o jogo sem problemas do ponto de vista técnico. No capítulo disciplinar, pecou por ter mostrado cartões amarelos a mais. Não havia necessidade.

NACIONALISTA JOÃO AURÉLIO DE ÁREA A ÁREA

João Aurélio esteve sempre com a baliza na mira. Levou a ideia tão a peito que marcou pelo Nacional, mas também fez o golo do Sporting, com um desvio infeliz para a sua baliza. Podia ainda ter feito outro a Patrício, mas adiantou demais a bola. No meio campo, Salino foi uma força da natureza e foi precioso nas compensações defensivas, para além de carregar a equipa para a frente, bem apoiado pelo compatriota Luis Alberto, sempre muito laborioso. Clebão, mais em força do que em jeito, limpou bem a sua zona, bem apoiado pelo outro central, Tomasevic. Bracalli deu muita segurança na baliza.

SPORTING: CARRIÇO MANTEVE O BARCO À TONA

Carriço – Fundamental em várias intervenções que poderiam ter causado muito mais perigo para a defesa leonina. Tirou uma bola de golo sobre a linha, teve mais dois cortes exemplares e deu o exemplo nas saídas para o ataque. Numa noite de desacerto de Polga, foi Carriço quem disfarçou as muitas fragilidades do companheiro de sector.

Rui Patrício – Sem culpa no golo de Aurélio, ‘evitou’ outro do mesmo jogador a meias com Carriço.

Abel – Mais ofensivo e sobretudo mais acertado do que o habitual, carrilou futebol pelo seu lado. Dificuldades com Amuneke.

Polga – Mal. Falhou no golo de Aurélio e ia dando origem a outro, após descoordenação com André Marques.

André Marques – Demasiado discreto. Pedia-se-lhe mais ousadia no ataque. Tem de se soltar.

Rochemback– Regressou à equipa, nem esteve mal, mas o seu futebol é curto para o que o Sporting precisa. Substituído.

João Moutinho – Está fora de forma. Não arriscou nada de diferente, nada de improviso, fez o previsível. Viu um amarelo e arriscou a expulsão. Só esforço não chega.

Miguel Veloso – Muita entrega, pouca lucidez. A coexistência com Rochemback não beneficiou a equipa.

Yannick – Levou a bola para a frente, mas faltou-lhe o último passe. Uma pecha que não vem de ontem. Falhou boa oportunidade no fim.

Liedson – Bem mais activo e perigoso do que nos jogos anteriores, teve rotação perigosa para belo remate de pé esquerdo.

Postiga – Bastante fraco. Não rematou e embrulhou-se muito com a bola.

Pereirinha – Pior do que Abel.

Vukcevic – Marcou o canto do auto-golo, outro com perigo e agitou.

Matías Fernández – Após entrar em campo a render ‘Roca’, levou ordem, ideias e dinamismo aos leões.

"NÃO FIZEMOS O QUE DEVÍAMOS"

João Moutinho era o espelho da desilusão no final da partida de ontem no Estádio da Madeira. Os leões não foram além de um empate (1-1) diante o Nacional, situação que o capitão leonino lamenta. "Não entrámos bem na partida. Não fizemos o que devíamos e tivemos de correr atrás do resultado", reconheceu o camisola 28, admitindo, no entanto, que a equipa desperdiçou ocasiões suficientes para sair com os três pontos da jornada inaugural da Liga. "Tivemos as melhores situações de golo, mas não conseguimos alcançar a vitória", frisou Moutinho, para quem o pensamento deve já estar dirigido para o encontro de terça-feira com a Fiorentina, em Alvalade, do play-off de apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões.

Também Carlos Pereira, técnico que ontem assumiu o comando da equipa na ausência de Paulo Bento (suspenso), considerou que a sua equipa foi infeliz por não ter vencido o jogo, mas congratulou-se com o ponto alcançado na Choupana.

"No cômputo geral, pelas oportunidades que tivemos e caudal ofensivo que apresentámos, justificávamos a vitória", sublinhou o técnico, admitindo, porém, que "pontuar" na Madeira, frente ao Nacional, "é sempre bom".

Do lado dos insulares, Manuel Machado reconheceu justiça ao resultado, pese embora ter estado em vantagem. "É um bom resultado. Marcámos primeiro mas o forcing final realizado pelo Sporting, que garantiu a divisão de pontos, acabou por ser justo", disse.

NOTAS

NA BANCADA: PAULO BENTO

Paulo Bento assistiu à partida de ontem na Tribuna VIP do Estádio da Madeira na companhia do adjunto Ricardo Peres, na sequência do castigo de dois jogos imposto pela CD da FPF.

TRISTEZA: YANNICK QUERIA MAIS

"Não conseguimos o resultado pretendido. Temos de continuar a trabalhar", comentou Yannick, após o empate do Sporting. Polga disse que o árbitro permitiu antijogo ao Nacional.

ZENIT: QUEIXA À UEFA

O Zenit, adversário do Nacional na Liga Europa, vai recorrer à FIFA para forçar os madeirenses a transmitir o jogo, alegando que a não transmissão televisiva pode ser prejudicial.

FICHA DO JOGO

LIGA – 1.ª Jornada – 15/08/09

Estádio da Madeira – Assistência: 5500

Golos: 1-0 João Aurélio (27’) 1-1 João Aurélio (75’ p.b)

NACIONAL: Rafael Bracalli, Patacas, Clebão, Tomasevic, Nuno Pinto (Wellington, 50’), Cléber, Luis Alberto, Leandro Salino, Ruben Micael (Pecnik, 60’), João Aurélio (Anselmo, 82’) e Amuneke. Treinador: Manuel Machado.

SPORTING: Rui Patrício, Abel (Pereirinha, 45’), Carriço, Polga, André Marques (Matías, 60’), Miguel Veloso, Rochemback (Vukcevic, 45’), João Moutinho, Yannick Djaló, Hélder Postiga e Liedson. Treinador: Paulo Bento. 

Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)

Disciplina: Cartões amarelos - João Moutinho (25’), Ruben Micael (42’), Polga (64’)

Classificação do jogo: 5

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