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Correio da Manhã

Desporto
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Leão precisa de terapia de choque

De mal a pior. O Sporting continua mergulhado numa profunda crise, não apenas de resultados mas sobretudo de uma ideia de jogo, de um caminho onde não se vê uma luz ao fundo do túnel. Talvez por isso, encontrar caminhos para baliza da Académica foi tormentoso.
30 de Outubro de 2012 às 01:00
Rinaudo luta pela bola com Cleyton, da Académica, num duelo a meio campo.
Rinaudo luta pela bola com Cleyton, da Académica, num duelo a meio campo. FOTO: Miguel Barreira

Assim, tornou-se penoso ver os jogadores do Sporting a arrastarem-se, quase cada um por si, a não poderem lutar contra os adversários, quando a equipa leonina deixa a sensação de que está a lutar mas sem acreditar nela própria.

Contaram-se pelos dedos de uma mão, e ainda sobraram, os bons momentos ofensivos do leão em 90’. Dois remates de Viola no primeiro tempo e uma grande oportunidade de Wolfswinkel na segunda parte, após grande passe de Izmailov (o russo entrou e foi o único com uma boa ideia).

Os momentos referidos foram excepção à regra da falta de qualidade no futebol dos leões, sempre atabalhoado, sem capacidade para verticalizar o jogo, com a bola a queimar nos pés de futebolistas incapazes de assumirem a responsabilidade de jogarem num clube com a grandeza do Sporting.

Contas feitas, a Académica nem teve de caprichar para anular o adversário, pois o Sporting anulou-se a ele próprio e, não fosse Rui Patrício a fazer uma soberba defesa a chapéu de Marinho, as consequências até poderiam ter sido bem piores. Nos últimos minutos, veio ainda mais ao de cima a ansiedade da equipa, à medida que se aproximava o espectro de mais um jogo sem ganhar. O Sporting está a 10 pontos dos líderes da Liga e é o segundo pior ataque do campeonato, com apenas 5 golos. Um panorama altamente desolador. Vercauteren terá uma tarefa gigante pela frente...

PATRÍCIO EVITOU MALES MAIORES

Rui Patrício – Perante a inoperância dos jogadores de campo, coube ao guardião ser o elemento decisivo. A defesa brilhante que fez aos 60’ foi o ponto alto de uma noite em que voltou a estar muito seguro e a valer pontos ao leão.

Arias – Mais confortável com a bola nos pés do que sem ela, mostrou qualidade técnica. Sentiu algumas dificuldades perante a velocidade de Marinho.

Boulahrouz – Não teve muito trabalho e o que teve, resolveu com segurança. Arriscou nos passes longos, mas nem sempre foi bem-sucedido.

Rojo – Pecou no posicionamento e revelou insegurança no passe. Uma perda de bola comprometedora (13’). Quase marcou num bom remate de fora da área, mas falta-lhe confiança.

Insúa – Demorou a entrar no jogo. Algo atabalhoado, secou Afonso, mas foi, ainda assim, um dos principais impulsionadores do ataque leonino.

Rinaudo – Foi o mais esclarecido. Agressivo na recuperação e dinâmico na altura de construir, nunca teve medo de assumir o risco. Acabou a central e mesmo longe da perfeição, voltou a ser exemplo de atitude.

Adrien – Muito lento, demasiado estático e pouco preciso na entrega, foi incapaz de criar desequilíbrios e saiu debaixo de uma monumental assobiadela.

Schaars – Activo na procura de linhas de passe, raramente conseguiu transportar jogo ou servir os homens mais avançados em boas condições.

Viola – Utilizou a velocidade como arma e foi dos poucos a quebrar a apatia. Foram do argentino os dois remates mais perigosos (12’ e 36’). Após o intervalo, desapareceu.

Pranjic – Um bom pé esquerdo, que, definitivamente, não parece talhado para render junto à linha. Em zonas interiores, esteve melhor, embora com pouca intensidade e acutilância.

Wolfswinkel – Nunca virou a cara à luta, só que raramente foi servido em condições. Na única oportunidade que dispôs, não teve arte nem engenho para desviar de Ricardo.

Gelson – Entrou para lateral-direito e poucos minutos depois cometeu um disparate incrível, num péssimo passe para um avançado da Académica, que por pouco não resultou em golo.

Izmailov – Deu maior clarividência e qualidade de passe ao meio-campo.

Betinho – Entrou e trouxe com ele o perigo. Importante a prender um central adversário e a libertar Wolfswinkel.

"JOGADORES ESTÃO MUITO ANSIOSOS"

"Foi uma partida muito complicada. A Académica foi forte defensivamente e a nós faltou--nos mobilidade ofensiva e também no meio-campo", lamentou, no final da partida, Oceano Cruz, que a partir de hoje passa o testemunho ao novo treinador, Franky Vercauteren.

O técnico explicou ainda: "O que se passou foi resultado da grande ansiedade que tomou conta dos jogadores, o subconsciente pesa-lhes."

Confrontado com a ida de Vercauteren ao balneário, no intervalo, Oceano não negou: "Ele precisa de acompanhar a equipa, o Sporting está numa situação complicada."

Apesar de sentir uma grande satisfação por ter treinado os leões, mas também muita tristeza por não ter obtido resultados, Oceano deixou a definição do seu futuro para depois, referindo: "Acima de tudo estão os interesses do Sporting."

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