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Correio da Manhã

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Leiria vai jogar em Torres Novas

A União de Leiria vai disputar a próxima temporada da Liga de Futebol no Municipal de Torres Novas. A SAD leiriense diz não poder continuar a pagar 250 mil euros anuais à empresa que gere o Estádio de Leiria, enquanto a câmara torrejana não exige qualquer verba.
24 de Junho de 2010 às 00:30
João Bartolomeu diz que coloca um autocarro ao dispor dos adeptos
João Bartolomeu diz que coloca um autocarro ao dispor dos adeptos FOTO: Fernando Ferreira

João Bartolomeu, presidente da SAD leiriense, disse ontem ser "com bastante mágoa" que a equipa de futebol vai disputar os jogos em Torres Novas, uma decisão adiada por duas vezes. E pediu desculpa aos adeptos e leirienses, garantindo que vai "disponibilizar autocarros gratuitos para os sócios" poderem fazer a viagem de 60 quilómetros até à nova casa unionista.

O presidente da Leirisport, a empresa municipal que gere o Estádio de Leiria, garantiu que existe um plano para fazer face à saída da UDL, que será posto em marcha após uma reunião com a Câmara de Leiria. Leonel Pontes adiantou que a receita que a UDL proporcionava era "mínima", destacando: "Estamos a falar de uma empresa privada. A autarquia não pode apoiar empresas que visam o lucro".

Para o presidente da câmara, Raul Castro, "trata-se de uma questão comercial. É preciso ver se a Leirisport tem margem de manobra". O autarca lamenta a falta de diálogo por parte da SAD unionista e a decisão que tomou.

A Leirisport precisa de receitas diárias de 18 mil euros e os encargos anuais com o estádio municipal são de 1,362 milhões de euros.

"É UMA QUESTÃO COMERCIAL": Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria, sobre a decisão da SAD da União Desportiva de Leiria de abandonar a cidade e instalar-se em Torres Novas

Correio da Manhã – Como comenta a decisão da SAD da União de Leiria de abandonar o estádio Municipal e instalar-se em Torres Novas?

Raul Castro – É uma decisão que lamento, tenho pena que a União de Leiria deixe de jogar na sua cidade.

- O que está em causa?

- Como accionista maioritário da SAD unionista (João Bartolomeu) tem toda a legitimidade para tomar as suas decisões. Mas isto é uma questão comercial, pois acha que não devia pagar tanto. Mas é preciso saber se a Leirisport tem margem de manobra para isso.

- E tem?

- A Leirisport precisa de gerar receitas diárias de 15 mil euros (por ter um encargo anual com o estádio de 1,362 milhões de euros), o que demonstra que não existe margem de manobra. Além disso, como gestor do município, tenho que salvaguardar os interesses da Câmara na utilização do estádio. Além de que é preciso saber se a população do concelho aceitaria.

- Há distanciamento dos leirienses em relação ao clube?

- Há um distanciamento que se reflecte nas receitas de bilheteira, pois houve jogos abaixo dos mil euros. Temos também de ter em atenção que a SAD é uma empresa privada, que visa o lucro, e não uma associação sem fins lucrativos, como os outros clubes do concelho.

- Que receitas obteve a Leirisport, na época passada, resultantes do protocolo com a SAD unionista?

- Do total de 437 mil euros de receitas de bilheteira, posso dizer que 251 mil euros foram entregues à SAD unionista, enquanto a Leirisport obteve uma pequena parcela, de 186 mil euros. Deste montante, o resultado operacional é inferior a 55 mil euros, após pagamento de várias despesas, nomeadamente segurança e limpeza.

- Mas a Leirisport pretendia também ficar com parte das receitas de publicidade?

- Para a próxima época, estava em causa uma alteração no valor dos treinos e uma pequena percentagem nas receitas de publicidade. Mas da parte da SAD unionista devia ter havido uma atitude de diálogo, o que nunca se verificou.

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