Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
3

Liga sem regulamento para duelo de goleadores

Nuno Gomes (15 golos apontados) e Meyong (14) defrontam-se hoje no Restelo, num duelo entre os dois melhores goleadores da Liga. Mas o número correcto de golos apontado pelo avançado do Belenenses tem gerado alguma discussão - dos três jornais desportivos, ‘A Bola’ e ‘O Jogo’ atribuem 14 golos a Meyong, enquanto o ‘Record’ se fica pelos 13. Já a Liga de Clubes atribui 14 tentos ao camaronês.
1 de Abril de 2006 às 00:00
A questão reside no primeiro golo que o dianteiro apontou à U. Leiria, na 2.ª jornada (o ‘Belém’ venceu por 3-1), o qual deveria ter sido considerado autogolo de Costinha, pelo menos à luz das indicações da FIFA (ver texto à parte). É que a bola quando foi rematada por Meyong não seguia na direcção da baliza e só tomou esse sentido depois de tocar no guardião leiriense.
Aliás, numa situação idêntica, a Liga considerou que o golo do triunfo do Sporting (1-0) frente à U. Leiria, na 27.ª jornada, foi autogolo e neste caso não o atribuiu a Nani.
O problema é que o troféu de melhor goleador não é oficialmente reconhecido pela Liga de Clubes. Logo não existem regulamentos para derimir situações de dúvida. “Não temos troféu de melhor marcador e, como tal, a atribuição dos golos faz-se em função dos relatórios dos árbitros. Esteja bem ou mal atribuído”, confessou ao CM o director executivo da Liga, Cunha Leal.
O Belenenses-U. Leiria foi dirigido por Paulo Pereira. “Não tivemos grandes dúvidas, independentemente da bola ter tocado em Costinha ou não, foi o Meyong que rematou”, disse ao CM. Bruno Paixão, que apitou no U. Leiria-Sporting, esteve incontactável. Refira-se que apenas o quatro árbitro dispõe no seu relatório de um campo para assinalar os marcadores, mas a decisão é tomada por todos os elementos da equipa.
Um outro golo que suscita dúvidas é o de Nuno Gomes ao Sp. Braga na passada jornada. O avançado rematou e a bola desviou em Paulo Jorge antes de entrar na baliza, mas neste caso é mais difícil avaliar se a bola seguia ou não na direcção da baliza quando saiu do pé de Nuno Gomes.
LIGA PORTUGUESA CONTRA FIFA
A FIFA foi clara numa instrução dada aos árbitros: sempre que um golo nasça de um lance que, na trajectória inicial, não leve o caminho da baliza mas a ela chegue por desvio de um defensor, há autogolo. Se, pelo contrário, a bola tabelar num defensor mas, na trajectória original, já levasse o caminho das redes, não importa que essa tabela iluda o guarda-redes: o golo deve ser atribuído ao atacante.
À luz desta norma, tanto o golo concedido a Meyong como aquele que nasceu após lance de Nani são autogolos de Costinha. A Liga acha que não. O CM aceita porque não lhe cabe mudar a realidade, mas deixa o alerta.
COSTINHA PEDE "CRITÉRIOS IGUAIS"
Costinha, guarda-redes da U. Leiria, esteve envolvido nos dois lances protagonizados por Meyong e Nani e que causaram dúvidas quanto à atribuição dos golos. Ao Correio da Manhã, o guardião deu a sua visão sobre os casos.
“Frente ao Belenenses, o Meyong fez um cruzamento/remate e a bola acabou por bater na minha perna esquerda e entrou. Contudo, foi ele que chutou e só pode ser atribuído ao Meyong. Já na jogada do Nani, ele cruzou, a bola desviou a trajectória num jogador e eu ainda lhe toquei com a luva. É auto-golo. Agora a quem é que deve ser atribuído é que eu não sei”.
Perante isto, Costinha diz que a Liga deve “utilizar critérios iguais” nos lances duvidosos.
E pelo menos um dado deve estar sempre presente: “Se o jogador não estiver virado para a baliza não deve ser visto como auto-golo”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)