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Correio da Manhã

Desporto
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Madaíl só quer pagar a clubes portugueses

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Liga têm um princípio de acordo para que os clubes sejam compensados financeiramente por ceder jogadores às selecções nacionais, mas Gilberto Madaíl deixou ontem claro, em declarações ao CM, que só está disposto a pagar aos clubes portugueses.
13 de Dezembro de 2006 às 00:00
“Se pagarmos ao Benfica, ao FC Porto ou ao Sporting não quer dizer que também vamos pagar ao Chelsea e ao Barcelona, até porque a FIFA e a UEFA determinam que os jogadores devem ir às selecções sem compensações para os clubes. Eu já tinha dito que ia tentar encontrar uma solução interna para esta questão que os clubes têm vindo a colocar e trata-se apenas disso mesmo, uma questão interna do nosso País”, disse, confirmando o entendimento com o presidente da Liga Hermínio Loureiro: “Há um princípio de acordo e a partir de Janeiro vamos tentar estabelecer uma forma de cooperação.”
Hermínio Loureiro, que aceitou ser vice-presidente de Gilberto Madaíl na lista de recandidatura à FPF ontem entregue, também se pronunciou ontem sobre o tema. E frisou que já “há concordância” entre FFP e a Liga para se “encontrar uma solução” sobre as verbas que os clubes receberão para ceder jogadores às selecções, questão que será “resolvida no início de 2007”.
TAÇA DA LIGA EM MARCHA
O novo clima de concórdia entre Liga e FPF deverá também facilitar um acordo no que concerne à criação da Taça da Liga, uma ideia lançada por Hermínio Loureiro. Segundo Loureiro, existe “abertura” de Madaíl para haver um “acerto de calendário” para implementação da nova prova. “O objectivo é criar mais competição e receitas, mas sem prejudicar as selecções nacionais”, disse.
Já Madaíl foi mais cauteloso: “Eu já tinha dito que não havia datas disponíveis no calendário para uma nova prova e continuo a pensar o mesmo. Mas se os clubes entenderem que há datas nós também queremos colaborar para os clubes terem mais receitas, desde que isso não prejudique as selecções.”
HERMÍNIO SERÁ 'VICE' EM LISTA ÚNICA À FPF
O presidente da Liga, Hermínio Loureiro, é o primeiro vice-presidente da lista de Gilberto Madaíl às eleições na Federação Portuguesa de Futebol, num sinal claro da aproximação entre as partes. Madaíl, que dirige os destinos da FPF desde 1996, tem a reeleição garantida, uma vez que mais nenhuma lista se apresentou a votos.
A lista única de Madaíl foi entregue ontem, último dia do prazo, com vista a um acto eleitoral que terá lugar dia 7 de Janeiro. Para além de Hermínio Loureiro, destaque ainda para a entrada do juiz jubilado Herculano Lima para presidente do Conselho de Justiça, em substituição de António Mortágua. Os conselhos de Disciplina, Fiscal e de Arbitragem continuarão a ser presididos por Marques da Silva, Hugo Puga e Carlos Esteves, respectivamente. Na Direcção, mantêm-se Amândio Carvalho, Lamas Pacheco, Carlos Silva, José Cavaco, Leonel Pontes, Vítor Peralta e Cerqueira Alves.
Madaíl lamenta não ter concorrência. “Pensava que houvesse mais uma lista. A APAF e as associações de Braga, Coimbra e Guarda mantiveram-se na oposição e lamento que não tenham aparecido a votos. O meu objectivo para este mandato é manter o rumo e modificar o que está mal”, disse ao CM.
UM COMBATE ANTIGO DO G-14
Há muito que os clubes de futebol vêm exigindo ser compensados financeiramente por disponibilizarem os seus jogadores às selecções nacionais. O G-14, grupo constituído por 18 dos maiores clubes europeus, entre os quais o FC Porto, tem insistido nesse combate, mas tem-se sempre confrontado com posições de intransigência por parte da FIFA e da UEFA.
O G-14 chegou mesmo a exigir à FIFA o pagamento de 200 milhões de euros para ceder jogadores para o último Mundial da Alemanha.
Na altura, o antigo jogador Karl-Heinz Rummenigge, presidente do Bayern Munique, deu voz aos anseios dos clubes mais poderosos, alertando que “um jogador internacional dos clubes grandes custa cerca de dez mil euros por dia”.
Rummenigge alertou na altura para o facto de a FIFA atribuir prémios monetários às federações nacionais e aos próprios jogadores, enquanto os clubes nada recebiam e muitas vezes ainda recebiam de volta “jogadores lesionados”.
Para o presidente da UEFA, Lennart Johansson, tratam-se de duas filosofias em confronto: “Nós consideramos o futebol como um desporto, mas eles, os membros do G-14, encaram a modalidade como uma actividade financeira.”
O acordo em vista entre Liga e FPF poderá resolver a questão mas apenas entre portas.
APROXIMAÇÃO ENTRE LIGA E FPF
"NOVO CICLO"
Hermínio Loureiro, que será ‘vice’ na Direcção da FPF, garantiu ontem que “respira-se um novo ar” na relação entre Liga e FPF. Já Madaíl falou em “clima de aproximação”.
TAÇA
O presidente da Liga manifestou “disponibilidade para melhorar a Taça de Portugal”, que é organizada pela FPF, estando receptiva para “receber e trabalhar propostas”.
ARBITRAGEM
Profissionalizar a arbitragem é também um dos objectivos de Hermínio Loureiro. “No seguimento das recomendações da FIFA, há necessidade de trabalharmos nesse sentido.”
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