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Correio da Manhã

Desporto
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Major vai pedir abertura da instrução do processo

O Ministério Público arquivou no ‘Apito Dourado’ duas dezenas de casos acerca de Valentim Loureiro, que no entanto vai solicitar a abertura da instrução do processo. Seguiram já para o DIAP do Porto as certidões de casos em que o Major é suspeito.
17 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Valentim Loureiro quando inaugurava ontem à tarde a 8.ª edição da Ourindústria, em Gondomar
Valentim Loureiro quando inaugurava ontem à tarde a 8.ª edição da Ourindústria, em Gondomar FOTO: d.r.
Valentim Loureiro, acusado de 26 crimes de corrupção activa na forma de cumplicidade e de dois de prevaricação, em Gondomar, ficou ilibado de cerca de duas dezenas de casos por decisão do magistrado do Ministério Público que tutela o processo, Carlos Teixeira.
O major Valentim Loureiro deslocou-se ontem ao Ministério Público, em Gondomar, ao fim da manhã, onde consultou o processo. O Major vai solicitar a abertura da instrução, uma vez que está de todo inconformado com a acusação, por não aceitar a alegada cumplicidade em casos de corrupção activa. À tarde, na inauguração da Feira Ourindústria, que decorre até domingo em Gondomar, Valentim Loureiro brincou várias vezes com o caso, mas nem sequer confirmou que vai pedir abertura de instrução.
Aquando da sua detenção, em Abril de 2004, Valentim Loureiro foi indiciado por 18 crimes de corrupção, em termos de desporto, e foi agora acusado por 26 casos, todos de eventual corrupção activa, mas no regime geral, cuja moldura penal é superior à que diz respeito ao desporto. A moldura penal é até cinco anos, enquanto a de corrupção desportiva não ultrapassa quatro anos e será o regime que mais se aplica, já que se trata de futebol. A defesa terá na instrução a oportunidade de pôr a acusação em causa, com prova negativa, isto é, pormenores probatórios que afastem no todo ou em parte a própria acusação.
A juíza Ana Maria Ferreira será a responsável pela fase instrutória, o que implica a saída de Ana Cláudia Nogueira.
Entretanto, o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), no Porto, vai investigar as certidões já extraídas pela comarca, em Gondomar, no caso ‘Apito Dourado’. Estão em causa alegados casos de tráfico de influência, o crime mais recente no Código Penal e que todos os penalistas, de Figueiredo Dias a Costa Andrade, entendem não se aplicar ao futebol, mas só ao Estado, tese corroborada por Maria José Morgado e por Alexandra Pessanha.
ARTUR MARQUES DEVE DEFENDER 'VICE' DA CÂMARA
Artur Marques será em princípio o novo advogado de José Luís Oliveira, vice-presidente da Câmara Municipal de Gondomar, depois da saída de Rui da Silva Leal, o causídico que há um ano obteve a libertação do também presidente do Gondomar SC, a revogação da prisão domiciliária e a redução da caução a um quarto do valor. Artur Marques, com escritório em Braga, que se tem destacado na defesa de Fátima Felgueiras, já é o defensor de dois arguidos, ambos dirigentes do Sousense, o clube da freguesia de Foz do Sousa, em Gondomar, já no ‘Apito Dourado’. Artur Marques sucederá a Rui da Silva Leal, que por sua vez já tinha substituído António Araújo Ramos, o primeiro defensor de José Luís da Silva Oliveira, quando da detenção. Artur Marques, 59 anos de idade, é natural de Terras do Bouro, Gerês, distrito de Braga, tendo o causídico obtido licenciatura na Universidade de Coimbra, com a nota final de 16 valores. Ainda antes do 25 de Abril, defendeu operários da Grundig, em Braga. Representou arguidos dos casos PRP e FP-25 e processos acerca de criminalidade violenta e altamente organizada.
AS REACÇÕES DO MAJOR VALENTIM LOUREIRO
HÁ VIOLAÇÕES
Valentim Loureiro afirmou ontem ao CM que “anda muita gente aí a violar segredo de justiça, quando a moldura penal no caso é superior à generalidade dos casos de que me acusam”. Para o autarca, “alguém deixa cair cá para fora informações e para me provocar”.
SOU INOCENTE
O edil e presidente da Liga de Clubes reitera estar “inocente de tudo” o que o “acusam ou indiciaram, na detenção”. O Major acrescenta “ter a consciência tranquila”. “A verdade é que não cometi crimes, de qualquer espécie, razão porque não aceito a acusação.”
FALSIDADES...
Valentim Loureiro afirma que “tudo ou quase tudo do que se escreve em jornais sobre este caso é falso”. “Vou provar isso, com a própria revista de Imprensa, acerca do processo, pois têm sido lançadas falsidades que me ofendem e isso vai ficar bem claro, ao ler esses jornais.”
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