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Manuel Fernandes: "Sentia-me preparado para jogar no Europeu"

Manuel Fernandes repete a condição de reservista, dois anos depois do Mundial 2010. Diz que a chamada de Hugo Viana foi “justa” e que Paulo Bento tinha muita gente para a sua posição, mas também lembra que fez uma temporada de grande nível no Besiktas, onde pretende ficar até 2014
26 de Maio de 2012 às 15:00
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manuel fernandes, entrevista, jogador, futebol FOTO: Pedro Ferreira

Correio Sport – Como é que viu a chamada de Hugo Viana à Selecção?

Manuel Fernandes – Joguei contra ele na Europa e acompanhei pela internet alguns jogos do Sp. Braga. Mostrou uma forma excelente nesta época, logo é justo que entre em cena. Provavelmente, a chamada não lhe sabe tão bem como saberia se fosse primeira opção.

– Faltam duas semanas para o Euro. Espera que o seu telefone toque?

– Eu? Não.

– Porquê?

– Dizer que sim seria desejar que alguém se lesionasse e eu quero que vão todos cheios de saúde para a Polónia.

– Sente-se subvalorizado por não estar nos 23?

– Não estou triste, nem com azia. Sinto-me normal e estou de consciência tranquila. Havia muita gente para a minha posição e o seleccionador terá escolhido aqueles que lhe pareciam mais qualificados. Da minha boca não sairá críticas às suas escolhas.

– Mas estava preparado para jogar no Europeu?

– Sentia-me mais do que preparado. Fiz uma época de grande nível no Besiktas, se calhar uma das melhores da carreira. Os portugueses não acompanham, mas a Liga turca é competitiva e tem bons jogadores.

– Ronaldo é a chave do sucesso de Portugal?

– É a unidade mais influente na manobra ofensiva da Selecção e, sem dúvida, o melhor jogador que estará no Europeu. Mas a chave do sucesso é ter um grupo forte e solidário. Sem isso, não se vai a lado nenhum.

– Há pressão a mais sobre os ombros de Ronaldo?

– Olhando para aquilo que faz nos clubes, é natural que se exija sempre mais dele. Ainda assim, é um erro sobrecarregar o rapaz, até porque não joga sozinho. Há outros jogadores com capacidade para desequilibrar e ninguém deve adormecer à sombra do Cristiano.


– Ele é bom capitão?

– Não posso responder, porque não estive tempo suficiente na Selecção. Acima de tudo, é um bom colega de equipa e isso é meio caminho andado para ser um bom líder.

– O cansaço pode ser um problema para Ronaldo?

– Seria uma fraca desculpa. As outras selecções também têm os seus ‘Ronaldos’, vindos das melhores equipas do Mundo, com dezenas de jogos nas pernas.

– Qual a ausência que mais o surpreendeu na lista dos 23?

– Não vou dizer.

– Se fosse seleccionador, quem convocaria de certeza?

– Para mim, há três imprescindíveis: Ronaldo, obviamente, Nani e Pepe.

– Como define Paulo Bento?

– Ainda não formei opinião.

– Portugal tem estofo para triunfar no Grupo B?

– Estamos no grupo mais equilibrado do Europeu. Mais do que temer a Holanda e a Alemanha, temos de combater a mania de menosprezar a Dinamarca. Lembro que a Dinamarca jogou taco-a-taco com Portugal e ficou à nossa frente na fase de apuramento. Além disso, foi campeã da Europa há 20 anos. Só com muita concentração e a máxima entrega de todos será possível.

– Passando a 1ª fase, Paulo Bento pode prometer o título?

– Tudo vai depender do discurso do seleccionador, mas acho que seria contraproducente prometer logo a final. A ambição mostra-se em campo.

– Conhece jogadores de várias nacionalidades. Como é que os estrangeiros olham para a selecção portuguesa?

– Com respeito pelo Ronaldo, mas acham que Portugal é um grupo de individualidades sem identidade colectiva.

– Na última época, o que o surpreendeu mais na Liga portuguesa?

– O dia em que a U. Leiria jogou com oito jogadores e um disse à imprensa só ter tostas e atum para comer. Um escândalo. A partir daí, nada me deixará de boca aberta.

– A crise também se instalou no futebol turco?

– A um nível diferente. Houve atrasos no pagamento dos salários, mas a situação vai ser regularizada na nova temporada.

– Fala-se do interesse dos três grandes na sua contratação. O que sabe sobre isso?

– Zero.

– Via-se num grande português que não fosse o Benfica?

– Actualmente, só me vejo no Besiktas, onde me tratam muito bem. Vou gozar as férias com regra para voltar em forma à Turquia, na primeira semana de Julho. Tenho contrato até 2014.

– É cobiçado pelos rivais Fenerbahce e Galatasaray?

– Tive um desempenho muito bom na Turquia, é natural que gostem de mim. De qualquer maneira, estou bem no Besiktas.

– E o Tottenham?

– Não é hipótese, para já.


– O que correu mal a Carvalhal?

– Foi vítima de uma sucessão de maus resultados, mas apurou-nos para o play-off dos campeões.

– Os adeptos turcos interpelam-no na rua?

– Sim, com respeito. Tiram mais fotografias do que os japoneses. O Ricardo [Quaresma] é mais perseguido.

– Fala turco?

– Arranho algumas palavras. Comunico em inglês.

PERFIL

MANUEL Henrique Tavares FERNANDES nasceu a 5 de Fevereiro de 1986 (26 anos), no Cacém. Começou a jogar com oito anos no Benfica e subiu à equipa principal com José Antonio Camacho (2003/04). Nos encarnados, venceu um Campeonato e uma Taça de Portugal, antes de assinar por seis anos com o Valência, num negócio de 15 milhões de euros. Jogou por empréstimo em clubes ingleses e agora pertence ao Besiktas, sendo um dos jogadores mais valiosos do campeonato turco. Tem 9 internacionalizações A.

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