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Correio da Manhã

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Mariano Barreto deixa Marítimo

Mariano Barreto abandonou o comando técnico da principal equipa de futebol do Marítimo. O treinador quer viajar para Lisboa e dedender "a sua honra e bom nome" na sequência de ter sido referenciado em tribunal, pela provedora Catalina Pestana, como abusador de alunos da Casa Pia, instituição onde trabalhou.
19 de Março de 2005 às 17:02
Como o "Correio da Manhã" avança na edição deste sábado, a provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, referenciou ontem em tribunal diversos nomes não incluídos na lista de arguidos no julgamento de pedofilia na Casa Pia.
Entre esses nomes estava o de Mariano Barreto, antigo casapiano e professor de Educação Física no Colégio Nuno Álvares (da Casa Pia), em Lisboa. Segundo Catalina Pestana, um aluno desse colégio queixou-se de ter sido abusado pelo então professor Mariano Barreto.
O técnico do Marítimo teve conhecimento destas declarações ainda ontem. Logo após o jogo com o Vitória de Guimarães no Funchal (1-2), ontem à noite, Mariano Barreto comunicou ao presidente do Marítimo a sua intenção de se demitir, a fim de viajar para Lisboa e defender o seu bom nome em sede de justiça. O presidente pediu-lhe que reflectisse, mas Mariano Barreto manteve o seu pedido de demissão, hoje aceite pela direcção do Marítimo.
O "Correio da Manhã" apurou que Mariano Barreto viaja para Lisboa segunda ou terça-feira. O técnico pretende, primeiro, confirmar se Catalina Pestana disse o seu nome em tribunal, conforme está noticiado. Após obter esta confirmação, Mariano Barreto irá abrir um processo judicial contra Catalina Pestana. "Fui referenciado por um miúdo qualquer. Acho de muito mau gosto fazer afirmações dessas sem as denunciar à polícia", comentou o treinador de futebol.
Mariano Barreto é o 12º treinador a abandonar o comando técnico de uma equipa da SuperLiga esta época, o primeiro que o faz por motivos extra-deportivos.
PRESIDENTE COMPREENDE ABANDONO
Carlos Pereira, presidente do Marítimo, comentou ontem a saída abrupta do técnico Mariano Barreto: “Face à notícia de ontem e àquilo que aconteceu, não tive outra alternativa senão aceitar o que me foi proposto, na defesa da honra e do seu bom-nome. Nós temos, de facto, este custo da insularidade, que é não podermos estar perto do acontecimento, pelo que o professor quis sair da Região e ir confrontar as pessoas, porque é uma situação em que não se acha envolvido. Quer estar no local para fazer a sua própria defesa”, vincou.
Aliás, este foi o único motivo que levou à saída do técnico, apesar dos resultados não estarem a ser os desejados, com Carlos Pereira a culpar os jogadores pelo mau momento da equipa: “Eles serão os principais responsáveis se não atingirmos o objectivo (UEFA), pois são eles que jogam e que ganham e são eles que têm de trabalhar. Esta casa honrou os seus compromissos. Os atletas não honraram o seu compromisso, que era atingir o objectivo, e eles é que terão de ser responsabilizados. Mas ainda estão a tempo para o conseguir”, ressalvou.
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