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Correio da Manhã

Desporto
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Mário Figueiredo quer solidariedade na distribuição das receitas

Mário Figueiredo, candidato à presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), considera que é necessária a introdução de mecanismos de solidariedade na distribuição das receitas dos direitos televisivos e da publicidade.
6 de Janeiro de 2012 às 08:57
Mário Figueiredo, candidato à Liga Portuguesas de Futebol Profissional (LPFP)
Mário Figueiredo, candidato à Liga Portuguesas de Futebol Profissional (LPFP) FOTO: JOÃO RELVAS/LUSA

Em entrevista à agência Lusa, o advogado, de 45 anos, disse pretender "a negociação dos contractos televisivos de forma colectiva e não individual", para que "os clubes conjuguem esforços que permitam maximizar as receitas das transmissões".

"A negociação colectiva só faz sentido se se introduzirem princípios de solidariedade dos clubes maiores para com os mais pequenos. Essa medida de solidariedade não é apenas tirar a uns para dar a outros, porque temos de manter o nosso futebol competitivo e os clubes do topo da tabela têm de continuar a ser competitivos nas competições europeias", alertou.

Mário Figueiredo defende "mecanismos de distribuição das receitas indexados, por um lado, aos resultados desportivos, mas também ao 'share'" televisivo.

Contudo, esta negociação conjunta dos direitos televisivos poderá não ser fácil, uma vez que o FC Porto já renovou o contrato com a Olivedesportos até 2018 e o Benfica tem ameaçado não fazer o mesmo caso os valores que pretende não sejam atingidos.

O candidato considerou ainda que "se os clubes estiverem cartelizados para negociarem, certamente vão conseguir um resultado global maior".

Mário Figueiredo defende ainda a internacionalização das imagens do futebol português, considerando mesmo que os direitos televisivos até podem, numa acção de "marketing", ser oferecidos, numa primeira fase, a alguns países.

"É preciso fazer um trabalho de fundo para que as pessoas se interessem pelo futebol nacional. Depois, quem vai dar retorno aos clubes, ao detentor dos direitos pela utilização das imagens são os próprios patrocinadores, que vão pagar para que as imagens com os seus patrocínios passem noutros países", afiançou.

 

Redução de equipas na Liga foi um enorme erro

Mário Figueiredo considerou que a redução de equipas na Liga portuguesa foi um enorme erro, defendendo o regresso ao modelo de 18 equipas. "Foi um erro colossal que se fez na década passada ao diminuir uma fábrica produtora de resultados para o futebol e para o país", afirmou.

O advogado lembrou que os clubes portugueses conseguem "encontrar jovens talentos, desconhecidos, que não são internacionais, cuja formação é terminada em clubes pequenos, médios ou grandes", que depois acabam por ser, em muitos casos, transferidos para o estrangeiro.

"Tínhamos uma fábrica produtora de talentos, tínhamos 18 clubes, que produziam resultados para os próprios clubes e para o país, e fomos à fábrica cortar um departamento. Não faz sentido. A ideia de que o futebol não produz resultados para o país é completamente errada", referiu.

Mário Figueiredo alertou ainda para os problemas que esta redução provoca a alguns clubes, que, em certas alturas, fazem "um jogo por mês no seu estádio".

O candidato lembrou ainda um estudo que defende que a Liga de Honra "está um pouco desenquadrada", porque "é estruturalmente deficitária e porque "acaba por ser uma liga de fim de carreira de alguns jogadores". Mário Figueiredo quer negociar o contrato colectivo com o sindicato para permitir que os clubes possam oferecer o primeiro contrato profissional a jogadores formados localmente com menos de 21 anos, "diminuindo o salário" – actualmente o mínimo está em um salário mínimo e meio (cerca de 730 euros) –, que poderia  subir depois de um certo número de jogos.

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